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Pipoca com Manteiga – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

12 jul

Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete. Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo. Ela descobre que o antigo morador chama-se Dominique (Maurice Bénichou) e arma uma situação para que ele encontre a caixa, há muito esquecida, Dominique chora de alegria ao reaver os objetos dentro da caixa, a moça fica impressionada e de repente parece encontrar seu lugar no mundo. Nesse momento ela decide, a partir de pequenos gestos, ajudar as pessoas que a rodeiam, deixando-as felizes e de certa forma completas, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Entretanto Amélie também sente a necessidade de realizar-se.

O filme é incrível (mas sou suspeita porque esta na minha lista de favoritos) profundo, simples porém detalhista, é um conto de fadas moderno.

O longa francês tem o poder de nos levar para uma Paris mais intimista, ligada aos personagens, mostrando em cada pequena coisa um pouco de beleza.

A história toma forma no momento que Amélie decide que sua vida será fazer as outras pessoas felizes, por gestos simples. Extremamente ligado ao visual, o ambiente, atitudes, caracterização dos personagens e os olhares de Poulain é o que, na verdade, contam a história. O filme não traz muitas falas, o momento em que mais se ouve Amélie é quando, determinada, ela ajuda um cego a atravessar a rua e vai narrando tudo o que esta se passando ao redor deles, cena que, na minha opinião, é uma das melhores do filme, já que, pela reação do senhor cego, é possível perceber, explicitamente, a diferença que o gesto de Amélie proporcionou; por um momento ele ”volta a enxergar”.

  Outra parte do filme que me cativou muito foi a do anão de jardim. O pai de Amélie é um médico aposentado que nunca gozou dos prazeres da vida, principalmente após a morte da esposa, em um momento do filme ele restaura um antigo anão de jardim e o fixa, com cimento. Amélie vive falando para o pai que ele devia viajar, aproveitar a vida enquanto há tempo porém, carrancudo, ele sempre desdenha a ideia; ela, então, rouba o anão e faz ele viajar o mundo todo, mandando para o pai cartões postais dos lugares (uma foto do anão em frente a Praça Vermelha, na Rússia, por exemplo) o pai fica intrigado com a história, mas em momento algum Amélie revela que o anão só viaja por culpa dela.

Há na história, também, o pintor com ossos de vidro e o ajudante da banca sem um braço, personagens do qual Amélie fica muito próxima; do pintor, em especial, que é o responsável por fazer com que Amélie corra atrás de sua própria felicidade.

Como não poderia deixar de ser há um romance. Amélie fica intrigada com um homem que encontra no metrô, ele pega as fotografias rasgadas e as monta em um álbum, um dia, ele perde uma de suas coleções, Amélie a encontra e, para devolvê-la, passa o filme inteiro fazendo ‘jogos’ para que ocorra o encontro entre os dois. Para isso Amélie chega a entrar em um sex shop e, até, preparar e distribuir pistas para o colecionador de fotos numa das praças da cidade, entretanto, eles só se encontram no final do filme, depois que o pintor decide dar um empurrãozinho.

Ainda há outras histórias envolvidas, a do escritor fracassado (que é ótima), a do ex-namorado ciumento, da hipocondríaca etc.

A medida que o filme vai se desenrolando percebemos as necessidades de Amélie, ficamos conhecendo o que a faz feliz e o motivo de suas decepções e acabamos torcendo por ela; Poulain fez, de algum modo e por algum tempo, a vida de todo mundo melhor que torcemos para que ela possa fazer a vida dela, também, melhor.

Mas o legal do filme é a simplicidade. Ele foca nas pessoas, dando ênfase naquilo que cada personagem gosta ou não, através de um narrador que nos relata a particularidades de cada um a medida que eles vão aparecendo.

Mas, porque que eu disse que o legal do filme é a simplicidade, é devido as relações estabelecidas entre tudo e todos. No filme não há ninguém extremamente importante na sociedade, é um grupo de pessoas comuns, e Amélie, também uma pessoa comum, mas que descobre um jeito de tornar a vida, daqueles que lhe cercam, mágica e especial. Além disso os gostos dos personagens são muito compatíveis com quem assiste. Tenho absoluta certeza que você irá se identificar com alguma coisa (ou tudo) de algum personagem ao assistir o filme.

Aprendi com o filme que a beleza das coisas simples é muito maior do que imaginamos; que o singelo ouvir o som do quebrar do crème brûllée pode gerar o mais sincero dos sorrisos.

Aqui em Curitiba, pixado nos muros, já passei por várias Amélie’s com fones de ouvido. O sorriso e o olhar desse momento do filme transmite tanto a ideia de curiosidade, expectativa e malandragem que a imagem de Amélie se difundiu, e mesmo sem saber as pessoas pixam a figura de uma das personagens mais interessantes do cinema.

O filme de Jean-Pierre Jeunet é uma das marcas do cinema Cult do século XXI que merece ser apreciado por todos aqueles que gostam de uma história, seja o estilo que for, bem contada.

Recomendo esse filme a qualquer pessoa, seja jovem, adulto ou idoso isso porque não é uma classificação por idade e sim por ideias.

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Publicado por em julho 12, 2012 em Filmes

 

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