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Pipoca com Manteiga – O Violino Vermelho

19 jul

No século XVIII, o artesão italiano Nicolo Bussotti constrói um violino perfeito, no intuito de homenagear sua esposa, que está prestes a ter um filho. Mas uma tragédia ocorre: a esposa e o filho morrem no parto.

Bussotti continua a construção do violino, uma forma de preservar a memória daqueles que perdeu. O instrumento é perfeito, acústica e visual; o artesão o colore com um verniz vermelho, dando ao violino uma cor distinta dos demais, deste modo o instrumento passa a ser conhecido como Violino Vermelho.

Ao longo dos 300 anos seguintes o violino passa de mão em mão, produzindo os sons mais belos já ouvidos, despertando, naqueles que o tocam, um talento ímpar. O instrumento, pelo qual as pessoas pagariam qualquer preço, carrega consigo marcas da paixão e obsessão, através dos tempos.

Quem convive comigo deve saber o porque eu lembrei desse filme, em especial, nessa época. Para aqueles que não convivem comigo basta saber que eu ando muito musical nos últimos dias.

Acredito que esse foi um dos filmes mais poliglotas que eu já vi. Começa com italiano, dá um pulo pelo Alemão, treina um pouquinho de francês, dá um vislumbre de chines e finaliza com o inglês. Isso se não houver outro idioma no meio que eu tenha esquecido. Mas, confesso que eu gostei bastante dessa mistura, ainda mais pela história contar que o violino viaja os continentes e tals.

A trilha sonora inteira é ao som, exclusivamente, de violinos, óbvio, porém não deixa nada a desejar, foi muito bem feita e executada, o som consegue passar toda a emoção do momento, seja ela de obsessão ou tristeza (e seria um pouco incoerente o filme contar a história de um violino com uma trilha sonora de guitarra elétrica).

Falando do filme em si, é bom, bem interessante; são cerca de 2h de filme que valem a pena, para aqueles que gostam de algo mais tranquilo. Se você é fã de lutas e tiros nem perca seu tempo porque vai achar a maior chatice do mundo; ainda que interessante o filme é um pouco parado, nesse quesito de disputas e afins. Mas isso é lógico, o personagem principal é o violino e não os atores; quem manipula e dita o rumo da trama é o instrumento musical que torna, todos que o tocam, dependentes de seus acordes, som e beleza.

Não espere, encontrar um violino falante nesse filme. O violino parece ser apenas mais um instrumento musical e, como diria meu professor, das ist der Punkt (esse é o ponto) o instrumento exerce um apelo sutil causando uma dependencia progressiva. A principio se aprecia o seu formato, cor e textura, posteriormente o som, que é limpo e perfeito, até as notas erradas soam suaves, os personagens se apegam ao violino colocando-o a frente de várias outras coisas importantes e só se dão conta quando, o erro, é quase irreparável.

Apesar de ter gostado do filme eu achei que os produtores exploraram muito pouco o potencial manipualador do instrumento, durante o longa é mostrado, claramente, apenas uma ou duas vezes o poder que o violino exerce sobre os personagens que o tocam; devido a proposta de roteiro, acredito que esse quesito poderia ter mais profundidade na trama. Outra coisa que não gostei muito foi que após um tempo de filme ele se torna um pouco previsível; nós, telespectadores, se prestarmos atenção nos detalhes, somos capazes de deduzir o que vem na sequência, assim como o final. Isso não é de todo mal porque o filme não poderia ter um final muito distinto mas acho que poderia ter sido feita uma amarra melhor.

Não vou falar que o filme é ruim porque não é; mas previno que se você for assisti-lo, aprecie-o como um todo, não espere heroísmo e não se decepcione se o final do longa não o surpreender.

É um filme alternativo, pra se assistir com calma, prestando atenção, algo para se comentar em rodinhas onde o assunto ronde à literatura, música e filmes cult, e não pra se discutir com amigos no happy hour de sexta.

Vale a pena? Vale. Mas assista-o de coração aberto e lembre-se que o personagem principal é o violino, e não as pessoas que entram em contato com ele.

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Publicado por em julho 19, 2012 em Filmes

 

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