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Arquivo mensal: agosto 2012

Pipoca com Manteiga – O Homem que Copiava

“André (Lázaro Ramos) é um jovem de 20 anos que trabalha na fotocopiadora da papelaria Gomide, localizada em Porto Alegre. André mora com a mãe e tem uma vida comum, basicamente vivendo de casa para o trabalho e realizando sempre as mesmas atividades. Num dia André se apaixona por Sílvia (Leandra Leal), uma vizinha, a qual passa a observar com os binóculos em seu quarto. Decidido a conhecê-la melhor, André descobre que ela trabalha em uma loja de roupas e, para conseguir uma aproximação, tenta de todas as formas conseguir 38 reais para comprar um suposto presente para sua mãe.”

Eu, particularmente, gostei muito desse longa-metragem brasileiro, achei que as doses de romance, drama e comédia foram bem balanceadas tornando o filme gostoso de se assistir.

Durante a trama nós conhecemos, mais a fundo, os personagens que a compõem, seus desejos, anseios, dificuldades e capacidade de se livrar de situações difíceis.

A dificuldade em arrecadar dinheiro para comprar o presente da mãe é bem representada por Lázaro Ramos, com um pouco de vergonha, medo de parecer estupido na frente da garota por quem esta apaixonado.

É interessante ir descobrindo ao longo da trama que os desejos dos personagens são parecidos, ou os mesmos. O sonho de ficar rico e não precisar, nunca mais, se preocupar com dinheiro beira o imaginário de todos que compõem o longa.

Os risos são provocados no decorrer do filme, primeiro com o personagem principal que se apresenta como “operador de fotocopiadora” e quando as pessoas dizem “xerox” ele, pacientemente explica que essa é só uma das marcas. Porém não é apenas para o casal principal que o sol brilha nessa produção. O casal secundário Marines e Cardoso, interpretados por Luana Piovani e Pedro Cardoso, respectivamente, conseguem arrancar risadas do público, as vezes, mais sincera que as obtidas pelos próprios protagonistas.

Confesso que Luana Piovani me surpreendeu com a sua representação. Nunca botei muita fé nela, mas ela conseguiu incorporar o personagem fazendo-o soar verdadeiro e adequado a toda a realidade que os envolve na trama. Piovani abraçou todos os tipos de estereótipos que recaem sobre a sua personagem.

Pedro Cardoso é um show a parte. Adoro esse ator, acho ele muito competente no que faz e sempre dou risada. Acredito que é uma espécie de inclinação natural ao humor, ele nos brinda com frases simples mas que por um motivo ou outro nos parecem extremamente cômicas.

Um ótimo ponto que pesa a favor deste filme nacional, é que não traz cenas violentas e nem cenas de sexo ou nudez. Jorge Furtado, que foi o diretor dessa produção, não utilizou nenhum desses artifícios para promover seu filme. Aliás, Furtado é o grande responsável pelo sucesso do filme, sua direção está digna de aplausos. Não podemos, porém, deixar de parabenizar os atores que fizeram parte do elenco que também contribuíram muito para o sucesso dessa gravação.

A melhor parte do filme, no entanto, é aquela na qual nos identificamos. O longa traz tantas ações corriqueiras, do dia a dia, que é impossível não se ver em algum momento.

Uma das maiores sacadas, na minha opinião, foi uma das primeiras conversas entre Silvia e André, eles se encontram em um restaurante popular e ela começou a falar, enojada, que no antigo restaurante que ela comia, tinha, uma vez, encontrado uma “bruxa” no feijão e o cozinheiro não fez absolutamente nada; por isso ela mudou de restaurante. Convenhamos, quantas vezes nós, para puxar assunto com alguém, que queremos muito conversar mas não sabemos o que, falamos de coisas meio idiotas, como achar uma bruxa no feijão ou os eternos “o que você faz?” ou “como o tempo mudou né”.

Gostei de assistir O Homem que Copiava, foi uma experiência interessante e recomendo esse filme nacional a qualquer pessoa. Acho que todos irão se divertir, espantar e até se emocionar com os caminhos que os personagens vão tomando e por quais eles passaram.

 
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Publicado por em agosto 30, 2012 em Filmes

 

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Marca Páginas – Incidente em Antares de Érico Veríssimo

No livro, dividido em duas partes, mesclam-se acontecimentos reais e irreais. Na cidade fictícia de Antares, apresenta-nos, o autor, na primeira parte, o progressivo acomodamento das duas facções (os Campolargo e os Vacariano) às oscilações da política nacional e a união de ambas em face da ameaça comunista, como é conhecida, pelos senhores da cidade, a classe operária que reivindica seus direitos.
Na segunda parte, o “incidente” do título: a greve dos coveiros. Morrem inesperadamente sete pessoas em Antares, incluindo a matriarca dos Campolargo. Os coveiros se negam a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Os mortos, insepultos, adquirem “vida” e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo, com isso, a extrema podridão moral da sociedade. Como as personagens são cadáveres, livres, portanto, das pressões sociais, podem criticar violentamente a sociedade.”

 

Eu procurei esse livro por uns dois anos antes de ganha-lo de um colega da faculdade, qual eu estimo e admiro muito, e poder ter o prazer da leitura de Érico Veríssimo. Uma das leituras mais gostosas, fácil, rápida, inteligente e apaixonante.

Quem ainda não leu Incidente em Antares não sabe o que esta perdendo, o livro é excelente. Érico Veríssimo tem o poder de prender o leitor a cada virgula do texto.

Muitos poderão achar que a primeira parte de Incidente em Antares é um pouco chata, pois é uma mescla dos personagens fictícios com o reais. Veríssimo pinta a ascensão de Getúlio Vargas e narra todo o cenário politico brasileiro da época, assim como os primórdios da inimizade entre os ‘Campolargos’ e os ‘Vacarianos’. Apesar de essa ser a parte mais massante da história, ainda assim, é impossível largar o livro, no meio dos acontecimentos reais os personagens fictícios vão se moldando o que dá uma nova pegada à história.

O escritor conseguiu expressar, no livro, o coronelismo, ainda existente em várias cidades pequenas do Brasil, como algumas famílias tem mais influência que outras e como isso pode, ou não, afetar os moradores de, no caso, Antares.

Depois que a cidade, o tempo e os costumes nos são apresentados entramos, com tudo, na segunda parte da história: O Incidente.

Os coveiros estão em greve, bem nos dias em que morrem sete pessoas em Antares, entre elas a patriarca de uma das famílias mais importantes da cidade. Com a greve os coveiros resolvem não enterrar os mortos que ficam,nos caixões, em frente ao cemitério. Os coveiros e também os moradores não esperavam, contudo, que esses mortos “voltassem a vida” e fossem à cidade acertar as contas e até despedir-se daqueles que amavam.

O livro é apaixonante, não dá para largar até ver o final dessa trama, isso porque os mortos se deparam com situações imprevistas e se sentem extremamente traídos. Como a etiqueta social já não os influencia eles resolvem expressar tudo aquilo que sempre quiseram dizer para os moradores da cidade mas nunca puderam por políticas de boa vizinhança. Devido essa decisão os mortos começam a deixar claro, para toda a população, a podridão da sociedade de Antares.

Érico Veríssimo nos transporta para uma Antares desconhecida ou ignorada (como preferir) ele nos conduz pelo universo psicológico e sentimentalista dos personagens recém-falecidos e pela situação política e social da cidade.

A trama de Érico é uma critica sagaz à ditadura militar, isso faz com que a primeira parte fique um pouco entediante, já que ele precisa situar o leitor na história, porém o leitor volta a se empolgar com a narrativa antes mesmo da metade do livro com a segunda parte, “O Incidente” que é extremante ácida, cômica mas nunca ultrapassando a linha do bom senso.

A leitura de Incidente em Antares é extremamente gratificante, isso porque ele expõe a sociedade como realmente é, do tipo “o que você faz quando ninguém te vê fazendo”; seguindo por essa linha Veríssimo deixa claro que se nós conhecesse-nos as pessoas com quem convivemos como elas realmente são a sociedade organizada, da maneira que é, não existiria.

Nós só conseguimos conviver com as outras pessoas porque não as conhecemos, essa me pareceu ser a mensagem mais óbvia em Incidente em Antares, o que não deixa de ser um fato, que todos sabemos mas muitos continuam tentando ignorar.

 
P.s.: Existe um filme de Incidente em Antares, ainda não assisti, mas, se seguiram o roteiro do livro, deve ser excelente!

 
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Publicado por em agosto 28, 2012 em Livros

 

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Dividindo a casa

Hoje eu vou tratar de um assunto que várias pessoas irão se identificar: dividir a casa.

Dividir a casa é sempre um desafio. Você nunca sabe, direito, os hábitos das pessoas que moram com você, as vezes elas voltam tarde outras vezes mais cedo, as vezes ajudam nisso, outras naquilo e assim vai, porém nem sempre os gênios são compatíveis.
Eu, por exemplo, divido o apartamento com minhas duas irmãs, vocês podem até achar que é fácil, por sermos irmãs já estamos acostumadas e afins, mas é aí que as pessoas se enganam, redondamente.

O fato de estar acostumado não significa que você goste daquilo ou que a convivência é mais fácil, na maioria dos casos é o contrário, digo isso por experiência própria.

Acontece muito que, depois de um tempo de convivência, o seu colega sente que tem direito de saber por onde você esteve, com quem, o que andou fazendo entre outras coisas, e nem sempre a pessoa, em questão, esta disposta a revelar essas informações, talvez por preservar sua privacidade ou talvez porque julgue que não é da conta do parceiro de residência. Outro fato que pesa muito no “estraga clima” da divisão de casa é a desconfiança: Você chega mais tarde do que o habitual seu amigo te cobre de perguntas você as responde dizendo que: “Poxa, não vim mais cedo hoje porque deu um problema no trabalho”; “Fui buscar uma papelada numa empresa e me atrasei”.

Aah ele respondeu, legal né?! Sim pode até ser… se depois dessas frases não viesse um sonoro e sarcástico “Hum, sei!” ou “Tá dando muito problema no seu trabalho ultimamente né?!”., Aí quem respondeu, que não tinha nenhuma obrigação de responder, fica prostituto da vida e com toda a razão. Você vai lá responde numa boa e o colega de moradia resolve desconfiar, como se você tivesse fazendo alguma coisa errada ou devesse a ele alguma explicação por ter chego duas horas mais tarde em casa. Particularmente acho que o horário que a pessoa chega em casa não é da conta de muita gente, as consequências por ela chegar tarde ou não é problema dela e de mais ninguém; o pior é quando outras pessoas, que as vezes são mais sujas que pau de galinheiro, nesses assuntos, se sentem no direito de dar lição de moral, aí o negocio fica de uma hipocrisia que só.

Existem muitas adversidades na divisão de uma casa, mas algumas são mais explicitas do que outras. Acho que os maiores causadores de brigas são os quesitos: limpeza, organização e cuidado. Vamos listá-los!

 

Limpeza: É sagrado, alguém sempre vai se achar mais injustiçado do que o outro. “Aaaah porque semana passada ele não tirou o pó do botão do armário da cozinha, por isso eu não vou lavar a louça essa semana!”. O mundo seria um local mais bonito se as pessoas fizessem suas coisas direito sem ficar olhando e criticando o vizinho. A questão de limpar a casa é complicada porque é necessário algumas coisas que todo mundo detesta fazer: lavar a roupa, esfregar o banheiro, sair de casa pra ir ao mercado ou levar o lixo, entre outras. Pesa bastante nesse quesito o fato que, de vez em quando, você vai lá e, sozinho, faz uma faxina geral e seu amigo não viu isso. Uma frase que se adapta facilmente a esse contexto é: “quem bate não lembra mas quem apanha nunca esquece” porque aquele que fez a faxina sozinho não vai esquecer e vai sentir que tem o direito de ir tomar banho antes ou se apossar do controle remoto já, para aquele que chegou depois, e não participou do trabalho pesado é inadmissível que a outra pessoa vá dormir mais cedo ou sinta-se o rei do controle remoto.

A solução para isso, acredito, ser a divisão de tarefas. Mas aí é preciso comprometimento, não dá pra “deixar pra depois” porque assim o negócio não funciona.

 

Organização: Aaah como é bom chegar em casa, tirar os sapatos, o casaco e aquele lenço que esta dando indícios de sufocamento e se livrar da mochila pesada… ooh wait! Para onde vai tudo isso???

Sapatos na frente da porta – confere

Chaves em cima da mesa – confere

Mochila encostada na parede – confere

Lenço em cima da cadeira – confere

Casaco em cima do sofá – confere

Quem nunca???

 

É necessário organizar essa bagaça para não dar brigas; e quem tem que organizar é você!

Sim você que deixou essas porcarias espalhadas pela casa e não o seu colega. Lembre-se ele é seu colega e não seu mordomo.

Eu também adoraria dar uma de Bruce Wayne de vez em quando mas não dá né galera; deixou espalhado? Vai lá e coloca no lugar antes que a pessoa que divide a casa com você dê um “piti” por causa disso.

O pior é quando você mantem as coisas em ordem, seu guarda-roupas, por exemplo, e a pessoa que mora com você vai lá e f#¢ com tudo. Acontece muito comigo. Eu mantenho minhas pilhas de roupas separadas da seguinte forma: calças jeans, calças legging e calções, camisetas, camisetas para usar em casa, camisetas manga longa, regatas, suéteres, casaquinhos de lã, blusas, blusas de lã, casacos pesados, vestidos de inverno e uma parte, com cabides, que coloco demais peças como outros casados e camisas sociais. Apesar dessa “separação” se hoje alguém resolver abrir a porta do meu armário, duvido que encontre alguma coisa lá, isso porque tá tudo virado…. sabem né, empresta roupa, devolve a que emprestou semana passada e aquilo virou uma loucura. Tenho que arrumar imediatamente.

Mas para evitar isso eu sugiro que se vai emprestar roupa, vai lá e VOCÊ pegue a peça e entregue para o seu parceiro, assim evita a bagunça (lição aprendida a duras penas), e caso alguma roupa sua esteja por cima, da cama e tals deixe claro que você ira usar em outra ocasião ou se deixou ali para lavar depois… mas óbvio que ela deve estar dobrada!

 

Cuidado: Acho que esse é o tópico mais importante, isso porque se tivermos cuidado com as coisas em casa uma variável de situações seriam evitadas. Por exemplo, se tivermos o cuidado de não entrar com os sapatos sujos, a casa não vai se sujar tanto, facilitando na hora da limpeza. Se cuidarmos para não derramar água na pia e juntarmos os cabelos do chão logo depois que secarmos as madeixas o banheiro não vai ficar nojento. Se, logo após que comermos algo, lavarmos a louça, nunca haverá louça acumulada, evitando as brigas de quem vai ter que limpar aquilo. Entre várias outras, pequenas atitudes, que resultam numa baita diferença no relacionamento com nossos companheiros de residência.

Óbvio que temos quer ter um pouco de tolerância, afinal ninguém é perfeito Contarei uma situação que acontece lá em casa e que eu simplesmente detesto, mas tolero. Minha irmão tem a, terrível, mania de fazer chá de saquinho e não jogar o saquinho fora. Ela simplesmente tira de dentro da xícara e deixa num cantinho da pia. Ela deve achar que o saquinho é reutilizável, só pode, eu quase morro de raiva toda vez que vejo aquele saquinho no canto da pia mas aí, para manter a harmonia do lar eu puxo o ar conto até cinco e voilà (keep calm and sit).

 

Dividir a casa com outras pessoas não é fácil. Não importa quanto você conheça a outra pessoa e qual o grau de parentesco, dividir o lugar onde se mora é um exercício continuo para a paciência. Esta que rege o pleno e harmônico funcionamento do lar; sem a paciência, nesse caso, não seria uma casa e sim um bunker invadido.

 
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Publicado por em agosto 27, 2012 em Uncategorized, Vida Besta

 

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Pipoca com Manteiga – Adeus, Lênin!

“Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.”

O filme alemão, indicado, em 2003, ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é um longa absurdamente inteligente misturando elementos divertidos, sensíveis e uma direção de fotografia digna de aplausos.

O diretor Wolfgang Becker atraiu a maior bilheteria do ano em seu país ao acertar na mistura de situações engraçadas com um quê de comentários políticos e os indispensáveis momentos humanos, quais são os responsáveis por nos incluir no filme.

Narrando a história do jovem Alexander, de sua infância na Alemanha Oriental, onde conhecemos sua família e o drama que passam ao se verem abandonados pelo pai (que vai para a Alemanha Ocidental), até após a queda do Muro de Berlim, a invasão capitalista e o esforço do jovem para manter sua mãe, que é entusiasta do governo Lênin, alheia aos acontecimentos do novo cenário alemão.

Só pra vocês terem uma ideia, a mãe de Alexander entra em coma quando vê ele sendo preso pelo governo por estar participando de um protesto contra o, então, atual regime. Arrependido, Alexander, dedica-se inteiramente à saúde da mãe e quando ela acorda está proibida de submeter-se à emoções fortes, com o risco de, o coração, não resistir. Assim instala-se o pânico na família que se vê obrigada a omitir os fatos e até as novas marcas que estão no mercado, tudo para evitar que a mãe do garoto sofra com outro ataque cardíaco e passe dessa para a melhor.

Apesar de não parecer, o filme traz muitos momentos engraçados, um dos mais interessantes, na minha opinião, é quando Alexander precisa procurar as antigas marcas alemãs, que foram excluídas pelo governo capitalista. Nisso ele se vê obrigado a juntar do lixo, potes e vidros, esterilizá-los e colocar os novos produtos nas embalagens antigas. Essa não é a única parte que rende risadas, quando eles precisam mudar toda a maneira de se vestir também é interessante e como Alexander tem que pagar alguns antigos alunos de sua mãe para participarem do aniversário dela e não contarem nada.

Adeus, Lênin! é um filme, relativamente, complexo com várias referências. Para aqueles mais familiarizados com a situação da Alemanha, tanto anterior quanto posterior ao Muro, vai encontrar muitos detalhes referentes a uma época que não volta mais, tornando o filme bem mais envolvente, por isso queridos homelesses vamos, mais uma vez estudar história. Maaaaaas como vivemos num país democrático se você não quiser estudar história, se preferir se ater apenas as questões clássicas, ainda assim o filme vale a pena. Apesar de todo o contexto o que move a trama é, na verdade, o relacionamento dos personagens, o amor do filho pela mãe, a questão de contar ou não a verdade e o casal principal que entra em conflito sobre o que é certo ou não esconder.

Talvez o longa não venha a ser considerado uma obra prima da história da Sétima Arte, no entanto, é muito interessante e recomendável, nem que seja só para entender, por outro ângulo, um pouco do impacto que a entrada do sistema capitalista causou, no contexto alemão.

Além disso, é interessante assistir filmes de outros países, estamos muito condicionados ao modelo hollywoodiano que um pouco de mudança pode expandir a nossa  maneira de ver as coisas. Existem muitos filmes, de outos países, ótimos por aí, um exemplo é o Adeus, Lênin! e eles só precisam de um pouco de mais visibilidade, isso porque a grande maioria do cinema internacional, que não seja dos EUA, nos brinda com tramas bem mais interessantes e inteligentes que aquelas quais estamos acostumados.

Recomendo Adeus, Lênin! a todos os seres pensantes que acessam esse blog!

 
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Publicado por em agosto 23, 2012 em Filmes

 

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Marca Páginas – Labirinto de Kate Mosse

Sejam muito bem vindos, meus queridos desabrigados!

Hmmm, terça-feira, dia de indicação literária, ou contra indicação, como vimos semana passada!

Mas hoje, será indicação mesmo!

Um romance histórico, ambientado na França, que conta a história de duas mulheres, separadas pelo tempo mas unidas, de alguma maneira, pelo destino.

Labririnto de Kate Mosse venceu British Book Award de melhor literatura do ano de 2005 e tem a seguinte sinopse:

“Em Julho de 1209, na cidade francesa de Carcassonne, uma jovem de 17 anos recebe do pai um misterioso livro, que ele diz conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não entenda as estranhas palavras e símbolos secretos naquelas páginas, sabe que seu destino é proteger o livro. Será preciso grandes sacrifícios e bastante fé para preservar segurança do segredo do labirinto, um segredo que remete a milhares de anos, e aos desertos do antigo Egito.

Julho de 2005, durante uma escavação arqueológica nas montanhas ao redor de Carcassonne, Alice Tanner descobre por acaso dois esqueletos. Dentro da tumba escondida onde repousavam os antigos ossos, experimenta uma sensação de malevolência impressionante, e começa a entender que, por mais inacreditável que pareça, de algum modo ela é capaz de entender as misteriosas palavras ancestrais gravadas nas pedras. Mas já é tarde demais, Alice percebe que acaba de desencadear uma aterrorizante sequência de acontecimentos que é incapaz de controlar, e que seu destino está completamente relacionado à sorte dos cátaros, oitocentos anos antes.”

 

Como vocês já devem ter notado é importante, para o bem entendimento do livro, conhecer a história do cátaros, coisa que a revista Super Interessante deixou muito fácil nesse link aqui.

Mas vamos logo ao que interessa:

O livro é bom e interessante mas o leitor precisa estar envolvido caso contrário vai achar o livro uma porcaria. A narrativa é rápida e vai quicando do passado para o atual mostrando a vida das duas personagens principais Alice e Alaïs.

Nunca vi uma resenha muito animada sobre essa obra, porém acho que é um pouco de injustiça, o livro foi bem escrito. A maior parte das criticas que vi é devido a riqueza de detalhes. Acho que o livro ser recheado com descrições não o empobrece nem um pouco (olhem O Senhor dos Anéis), pelo contrário, acontece que, caso você não goste de detalhes, a leitura vai ficar massante isso porque em várias partes da narrativa Mosse inicia a cena descrevendo o caminho do suor dos personagens ou as gotas de perfume caindo. Eu achei bem interessante a autora fazer esse jogo para dar inicio a alguns capítulos mas claro que tem muita gente que não divide essa opinião, o que resultou inúmeras criticas.

Assim como qualquer pessoa tenho minhas partes favoritas, e, quem leu ou vai ler o livro, acredito que concordará comigo quando afirmo que as melhores partes do livro são quando a história é ambientada na Idade Média, isso porque acontecem mais intrigas, mortes, perseguições e as barbáries são mais evidentes. A realidade de Alaïs nos é exposta de uma maneira mais crua fazendo com que ela fique mais envolvente.

Alice não deixa de ser atraente ao olhos dos leitores, no entanto, sua realidade é um pouco morta; enquanto Alaïs quase morre em cada capítulo Alice só passa por essa experiência mais no final do livro; fazendo com que os leitores simpatizem mais com a outra época, até porque ela conta com personagens e armações muito mais interessantes.

É muito fácil ler esse livro. Ele é rápido e a história é algo que não é novo, tornando o entendimento acessível.

O Santo Graal já é figurinha repetida no universo literário porém Kate Mosse conseguiu inovar um pouco nesse gênero há muito explorado fazendo com que a leitura flua de forma mais homogênea e menos exaustiva.
Para aqueles que não sabem o que ler… esta aí uma recomendação que, acredito, vai agradar muita gente.

 
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Publicado por em agosto 21, 2012 em Livros

 

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