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A arte de ajudar… sem ajudar

20 ago

Acho que todo mundo, em algum momento da vida, já passou pela experiência de tentar ajudar alguém, fazer de tudo pra que a pessoa fique o mais confortável possível, mas que infelizmente a tentativa ficou só como tentativa mesmo… ou seja, se não piorou as coisas não serviu pra porcaria nenhuma.

A questão é que, normalmente, se não ajuda, atrapalha.

Eu devo ser expert na arte de ajudar, sem ajudar, porque tem muitas coisas que eu faço querendo que sirvam para alguma coisa futura mas que acaba piorando a situação. Eu sei que as vezes eu deveria ser mais egoísta e deixar pra lá, mas como diria Raul Seixas “O meu egoismo, é tão egoísta, que o auge do meu egoismo é querer ajudar” entretanto as vezes a ajuda não chega, mas o que vale é a intenção.

A questão é que, dia desses, andando com meu amigo aqui por Curitiba me toquei que nem sempre só vale a intenção porque, pode ser, que a minha atitude de querer ajudar só esteja piorando a situação num nível um pouco pior do que aquele que eu tinha imaginado. Sendo assim, seria mais interessante saber, de antemão, se a pessoa precisa daquela dica/ajuda ou se seria mais proveitoso deixar tudo como esta, só intervindo caso seja de extrema necessidade ou se a pessoa realmente pedir. Obvio que não devemos guardar nossas opiniões só para nós… se você ver que um piano vai cair em cima da cabeça de alguém, acho que tudo bem você avisar a pessoa mesmo sem ela pedir.

Para não criar confusão, vou citar o exemplo de quando eu andava com meu amigo e como percebi que a minha atitude, por mais nobre que fosse, só estava dificultando a vida dele.

Primeiro vou ter que contar o porque eu comecei a tentar alertá-lo; vamos lá:

Estávamos eu, ele e o lindo do cão guia dele numa sexta-feira, eu acho, na Praça Tiradentes indo em direção ao Mueller. O cachorro dele é super comportado e não fica correndo atrás dos outros cães da rua, mas isso não significa que os outros cães não venham atrás dele, na verdade foi isso que aconteceu; na Praça Tiradentes surgiu, do além, uma matilha de cães que estavam indo atacar o cachorro dele e é lógico que nós nos assustamos, com uns seis cães correndo na nossa direção rosnando e com os dentes a mostra, acho que é completamente compreensível, eu tentei espantar os cães, mas eram muitos, estavam um pouco perigosos, ninguém nos ajudava aí achei melhor estender meu braço para meu amigo pois a solução foi sairmos de lá, quase que correndo, para que o cachorro dele não sofresse nenhum dano e nós também. Depois desse dia nós ficamos com um pouco de medo de sair com o cachorro dele por aí, com medo que outros cães ataquem, ainda assim, se faz necessário. Mas, retomando, eu me coloquei no lugar do meu amigo, se eu, que via aqueles cachorros correndo, tinha noção de tamanho, distância etc já me assustei… imagina ele que só tinha o barulho? Deve ter sido bem pior; por isso, depois do ocorrido eu passei a avisar pra ele se por onde íamos passar teria cachorro ou não. Para que, quando eles latissem, meu amigo não se assustasse.

No começo foi susse né. Eu falava: “Tem um cachorro grande, um pouco pra frente, vai latir mas esta preso” ou então “Tem um cachorro pequeno, não esta preso, mas esta tranquilo… acho que não teremos problemas” porém, com o tempo, essa função entrou no automático e eu comecei a avisar quando tinha cachorro e o tamanho mas esquecendo de falar se estavam presos ou não e aí o negocio começou a ficar chato. Eu que estou vendo é tranquilo né, eu sei se o cachorro esta preso ou solto mas ele não tem como adivinhar, concordam?!

Mas vamos nos adiantar a parte em que eu percebi que, devido ao automático, eu só estava piorando a situação.

Estávamos, novamente, eu, meu amigo e o cachorro andando perto do terminal do Cabral, na direção do Pizza Hut e após uns três avisos sobre os cachorros que estavam no caminho meu amigo fala:

Ele: – Thata, porque que você fica me assustando, falando dos cachorros?

Eu: – Mas eu não estou te assustando, pelo contrário. Estou te avisando, mais ou menos, onde tem cachorro pra que quando a gente passe, eles latam, e você não se assuste.

Ele: – Acho que não tá funcionando… porque eu continuo me assustando.

Eu: – Aah desculpa… parei então.

A conversa seguiu, mas a parte que importa é essa daí.

Entendam, eu estava certa que estava ajudando-o a não se assustar mas, na verdade, só estava dificultando um pouco a vida dele pois ele ficava imaginando quais dos cachorros estavam soltos ou presos se poderiam atacar etc etc.

Ficou combinado, entre nós, então que eu avisaria ele se houvesse algum cachorro solto, e para que ele não se assustasse eu deveria avisar dos cães mas falar que estavam presos (tirando do automático).

Agora acho que esta tudo bem em relação aos meus avisos e eles começaram a ser úteis porém eu percebi que teria poupado meu amigo de vários sustos se tivesse conversado com ele desde o início. Acredito que é interessante a disposição de querer tornar a vida mais fácil mas devemos ter muito cuidado em relação a isso para que não vire um tiro no pé, que foi o meu caso, no lugar de auxiliar eu estava sacaneando o piá.

Melhor do que ajudar as outras pessoas é você saber conversar com elas. Uma boa comunicação, nesses casos, é indispensável, se você quer ser útil seja, também, direto e simples: Pergunte!
Seja honesto com a outra pessoa, fale que você esta disposto a ajudar e informe-se qual a maneira mais fácil de fazer isso, o que você deve fazer e como… não fique naqueles joguinhos de adivinha; converse… uma boa conversa é sempre mais aconselhável e, também, facilitará a sua vida.

Um último conselho, preste muita atenção, quando você se dispuser a fazer algo que afeta outras pessoas, não cometa o mesmo erro que eu, de deixar entrar no automático; o seu auxilio é importante, contanto que seja bem feito mas, também, não precisa ter medo de errar e afins; se você notar algo errado simplesmente peça desculpas e corrija-se.

Acho que, as vezes, a melhor forma de ajudar é admitindo que você também precisa de ajuda.

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Publicado por em agosto 20, 2012 em Uncategorized, Vida Besta

 

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