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Pipoca com Manteiga – Adeus, Lênin!

23 ago

“Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.”

O filme alemão, indicado, em 2003, ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é um longa absurdamente inteligente misturando elementos divertidos, sensíveis e uma direção de fotografia digna de aplausos.

O diretor Wolfgang Becker atraiu a maior bilheteria do ano em seu país ao acertar na mistura de situações engraçadas com um quê de comentários políticos e os indispensáveis momentos humanos, quais são os responsáveis por nos incluir no filme.

Narrando a história do jovem Alexander, de sua infância na Alemanha Oriental, onde conhecemos sua família e o drama que passam ao se verem abandonados pelo pai (que vai para a Alemanha Ocidental), até após a queda do Muro de Berlim, a invasão capitalista e o esforço do jovem para manter sua mãe, que é entusiasta do governo Lênin, alheia aos acontecimentos do novo cenário alemão.

Só pra vocês terem uma ideia, a mãe de Alexander entra em coma quando vê ele sendo preso pelo governo por estar participando de um protesto contra o, então, atual regime. Arrependido, Alexander, dedica-se inteiramente à saúde da mãe e quando ela acorda está proibida de submeter-se à emoções fortes, com o risco de, o coração, não resistir. Assim instala-se o pânico na família que se vê obrigada a omitir os fatos e até as novas marcas que estão no mercado, tudo para evitar que a mãe do garoto sofra com outro ataque cardíaco e passe dessa para a melhor.

Apesar de não parecer, o filme traz muitos momentos engraçados, um dos mais interessantes, na minha opinião, é quando Alexander precisa procurar as antigas marcas alemãs, que foram excluídas pelo governo capitalista. Nisso ele se vê obrigado a juntar do lixo, potes e vidros, esterilizá-los e colocar os novos produtos nas embalagens antigas. Essa não é a única parte que rende risadas, quando eles precisam mudar toda a maneira de se vestir também é interessante e como Alexander tem que pagar alguns antigos alunos de sua mãe para participarem do aniversário dela e não contarem nada.

Adeus, Lênin! é um filme, relativamente, complexo com várias referências. Para aqueles mais familiarizados com a situação da Alemanha, tanto anterior quanto posterior ao Muro, vai encontrar muitos detalhes referentes a uma época que não volta mais, tornando o filme bem mais envolvente, por isso queridos homelesses vamos, mais uma vez estudar história. Maaaaaas como vivemos num país democrático se você não quiser estudar história, se preferir se ater apenas as questões clássicas, ainda assim o filme vale a pena. Apesar de todo o contexto o que move a trama é, na verdade, o relacionamento dos personagens, o amor do filho pela mãe, a questão de contar ou não a verdade e o casal principal que entra em conflito sobre o que é certo ou não esconder.

Talvez o longa não venha a ser considerado uma obra prima da história da Sétima Arte, no entanto, é muito interessante e recomendável, nem que seja só para entender, por outro ângulo, um pouco do impacto que a entrada do sistema capitalista causou, no contexto alemão.

Além disso, é interessante assistir filmes de outros países, estamos muito condicionados ao modelo hollywoodiano que um pouco de mudança pode expandir a nossa  maneira de ver as coisas. Existem muitos filmes, de outos países, ótimos por aí, um exemplo é o Adeus, Lênin! e eles só precisam de um pouco de mais visibilidade, isso porque a grande maioria do cinema internacional, que não seja dos EUA, nos brinda com tramas bem mais interessantes e inteligentes que aquelas quais estamos acostumados.

Recomendo Adeus, Lênin! a todos os seres pensantes que acessam esse blog!

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Publicado por em agosto 23, 2012 em Filmes

 

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