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Marca Páginas – Incidente em Antares de Érico Veríssimo

28 ago

No livro, dividido em duas partes, mesclam-se acontecimentos reais e irreais. Na cidade fictícia de Antares, apresenta-nos, o autor, na primeira parte, o progressivo acomodamento das duas facções (os Campolargo e os Vacariano) às oscilações da política nacional e a união de ambas em face da ameaça comunista, como é conhecida, pelos senhores da cidade, a classe operária que reivindica seus direitos.
Na segunda parte, o “incidente” do título: a greve dos coveiros. Morrem inesperadamente sete pessoas em Antares, incluindo a matriarca dos Campolargo. Os coveiros se negam a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Os mortos, insepultos, adquirem “vida” e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo, com isso, a extrema podridão moral da sociedade. Como as personagens são cadáveres, livres, portanto, das pressões sociais, podem criticar violentamente a sociedade.”

 

Eu procurei esse livro por uns dois anos antes de ganha-lo de um colega da faculdade, qual eu estimo e admiro muito, e poder ter o prazer da leitura de Érico Veríssimo. Uma das leituras mais gostosas, fácil, rápida, inteligente e apaixonante.

Quem ainda não leu Incidente em Antares não sabe o que esta perdendo, o livro é excelente. Érico Veríssimo tem o poder de prender o leitor a cada virgula do texto.

Muitos poderão achar que a primeira parte de Incidente em Antares é um pouco chata, pois é uma mescla dos personagens fictícios com o reais. Veríssimo pinta a ascensão de Getúlio Vargas e narra todo o cenário politico brasileiro da época, assim como os primórdios da inimizade entre os ‘Campolargos’ e os ‘Vacarianos’. Apesar de essa ser a parte mais massante da história, ainda assim, é impossível largar o livro, no meio dos acontecimentos reais os personagens fictícios vão se moldando o que dá uma nova pegada à história.

O escritor conseguiu expressar, no livro, o coronelismo, ainda existente em várias cidades pequenas do Brasil, como algumas famílias tem mais influência que outras e como isso pode, ou não, afetar os moradores de, no caso, Antares.

Depois que a cidade, o tempo e os costumes nos são apresentados entramos, com tudo, na segunda parte da história: O Incidente.

Os coveiros estão em greve, bem nos dias em que morrem sete pessoas em Antares, entre elas a patriarca de uma das famílias mais importantes da cidade. Com a greve os coveiros resolvem não enterrar os mortos que ficam,nos caixões, em frente ao cemitério. Os coveiros e também os moradores não esperavam, contudo, que esses mortos “voltassem a vida” e fossem à cidade acertar as contas e até despedir-se daqueles que amavam.

O livro é apaixonante, não dá para largar até ver o final dessa trama, isso porque os mortos se deparam com situações imprevistas e se sentem extremamente traídos. Como a etiqueta social já não os influencia eles resolvem expressar tudo aquilo que sempre quiseram dizer para os moradores da cidade mas nunca puderam por políticas de boa vizinhança. Devido essa decisão os mortos começam a deixar claro, para toda a população, a podridão da sociedade de Antares.

Érico Veríssimo nos transporta para uma Antares desconhecida ou ignorada (como preferir) ele nos conduz pelo universo psicológico e sentimentalista dos personagens recém-falecidos e pela situação política e social da cidade.

A trama de Érico é uma critica sagaz à ditadura militar, isso faz com que a primeira parte fique um pouco entediante, já que ele precisa situar o leitor na história, porém o leitor volta a se empolgar com a narrativa antes mesmo da metade do livro com a segunda parte, “O Incidente” que é extremante ácida, cômica mas nunca ultrapassando a linha do bom senso.

A leitura de Incidente em Antares é extremamente gratificante, isso porque ele expõe a sociedade como realmente é, do tipo “o que você faz quando ninguém te vê fazendo”; seguindo por essa linha Veríssimo deixa claro que se nós conhecesse-nos as pessoas com quem convivemos como elas realmente são a sociedade organizada, da maneira que é, não existiria.

Nós só conseguimos conviver com as outras pessoas porque não as conhecemos, essa me pareceu ser a mensagem mais óbvia em Incidente em Antares, o que não deixa de ser um fato, que todos sabemos mas muitos continuam tentando ignorar.

 
P.s.: Existe um filme de Incidente em Antares, ainda não assisti, mas, se seguiram o roteiro do livro, deve ser excelente!

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Publicado por em agosto 28, 2012 em Livros

 

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