RSS

Arquivo mensal: outubro 2012

Marca Páginas – A Estrada da Noite de Joe Hill

 

“Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
“Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…”
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas – o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente – verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite – e nada é exatamente o que parece.
Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.”

 

Em A Estrada da Noite o filho do escritor Stephen King, Joe Hill (Joseph Hillstrom King ), segue a linha consagrada por seu pai: os livros de terror e suspense.

Achei que A Estrada da Noite foi bem escrito, ele tem uma leitura rápida e ininterrupta o que dá um ritmo mais interessante à trama de terror, Hill não dá tempo para que o leitor julgue se o que esta lendo pode ou não acontecer; você entra na realidade do livro e esquece que aquilo que ele esta narrando é meio impossível, devido a forma que ele expressa os acontecimentos se tornam verídicos.

Uma das coisas que mais gostei em A Estrada da Noite foram as referências às consagradas canções e artistas do rock, o protagonista, por exemplo é o astro da banda Judas Priest. Para mim, a canção que mais marcou o livro foi a Heart Shaped Box do Nirvana, mas claro que há várias outras músicas muito boas citadas ao longo do livro para que o leitor possa se situar, através das músicas, no desenrolar do livro, por tal motivo eu deixo avisado que se você não gostar de música de rock o livro não vai ser a melhor pedida…. perde-se muita coisa caso não se conheça um mínimo que seja de rock e relacionados.

A Estrada da Noite não é um livro difícil de ler mas se você for novo demais sugiro que deixe para outra hora, tem muita referência de assassinato, pedofilia e afins. Lembro que duas amigas minhas leram esse livro (elas não gostam de ler muito então esse foi um dos poucos livros que elas haviam lido até então) e quando eu perguntei o que elas tinham achado, simplesmente disseram que nunca mais aceitariam meus conselhos literários (Okay!) quando perguntei porque me disseram que o livro não era adequado. Vê se pode uma coisa dessa? Não é adequado….

Inadequado é tratarmos a bíblia como verdade irrefutável no lugar de texto literário. Mas isso é uma loooonga discussão, qual não daremos início agora.

Enfim, A Estrada da Noite, é uma leitura interessante de se fazer, bem contemporânea, não cria grandes dificuldades nessa parte porque não é necessário um vasto conhecimento da história do mundo, só uma base da história do rock já será o suficiente.

Algo que muito contribuiu para a carreira de Joe Hill foi ser filho do Stephen King. Dizem as más línguas que o cara só conseguiu o prestígio que tem só por ser filho de quem é; outras más línguas dizem que ele escreveu A Estrada da Noite só porquê Stephen King é o mestre do terror e ele quis ser meio que um aprendiz.

Eu, particularmente, não vejo problema nenhum em seguir o exemplo do pai, isso porque, como todos sabemos, uma boa parte da nossa personalidade é definida pelo ambiente… o pía deve teve ter crescido com as histórias do pai portanto é completamente aceitável que ele tenha uma inclinação para gostar de histórias de terror e suspense e depois de ler A Estrada da Noite fica evidente que ele não ficou famoso só por ter pai famoso, Joe Hill soube escrever o livro, soube prender o leitor e montar um história coerente. Sugiro que enquanto estiver lendo não fique procurando semelhanças ou diferenças entre o estilo do King pai e do King filho; simplesmente esqueça quem é o escritor e toque a leitura, no fim, se achar necessário, você pode fazer suas comparações livremente mas se resolver fazer isso ao longo da história vai perder muito o foco consequentemente não será possível aproveitar a leitura.

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 30, 2012 em Livros

 

Tags: , , , , , , , , , , ,

Pipoca com Manteiga – Kick – Ass

“Como é que ainda ninguém tentou ser um super-herói?” Quando Dave Lizewski, um vulgar adolescente de Nova Iorque, veste um fato de mergulho verde e amarelo, comprado pela internet, transformando-se no improvável vigilante Kick-Ass, descobre de imediato a resposta à sua pergunta: “porque dói!”. Mas, contra todas as probabilidades, Dave torna-se rapidamente um fenômeno, capturando a imaginação do público. Contudo, ele não é o único super-herói que anda por aí – o destemido e altamente treinado duo de combatentes contra o crime composto por pai e filha, Big Daddy e Hit Girl, têm batido lenta mas eficientemente o império do crime do mafioso local, Frank D’Amico. Quando Kick-Ass se vê envolvido com o filho de Frank, Chris, agora renascido como o seu arqui-inimigo Red Mist, o palco está pronto para um duelo final entre as forças do Bem e do Mal, onde o nosso herói tem de fazer justiça ao seu nome. Ou morrer a tentar…”

 

Ao contrário de minhas expectativas eu achei Kick- Ass muito legal.

Confesso que nutri um preconceito inicial pelo longa a primeira vez que tive notícias dele porém assim que assisti tive meus conceitos alterados.

Kick Ass é bem divertido e um ótimo exemplo do politicamente incorreto. Os heróis, no filme, não tem super poderes, o principal nem habilidades de luta, além disso falam palavrões, uma menininha de uns 9 anos aparece decepando membros de caras gigantes etc.

Achei que a abordagem do longa ficou bem interessante e descontraída eu só achei que o diretor se perdeu um pouquinho umas alturas no filme, isso porque durante o filme inteiro é aquele negócio meio que tirando sarro de tudo e do nada fica sério… achei que esse foi um pequeno deslize mas que pode ser ignorado.

Particularmente gosto muito de filmes inspirados em gibis, acho legal quando posso visualizar na tela aquilo que eu lia nos quadrinhos… é como se a história se torna-se mais real.

O ponto mais interessante de Kick – Ass é exatamente isso. Foram usados temas e meios de divulgação do herói extremamente atuais, por exemplo, para o herói ficar famoso foi usado o You-Tube…. o vídeo mais acessado e tals… o traje foi comprado por internet e é, de certa forma, ridículo, mas que serve muito bem aos propósitos do nosso herói.

Herói? Mas que herói?

Kick- Ass foi um filme completamente composto por anti-heróis.

Nos filmes comuns de heroísmo não vemos pais ensinando seus filhos a manusearem armas e nem a matar pessoas, assim como o maior poder do protagonista nunca é sua habilidade em apanhar bem, também é inadmissível que os filhos peguem o pai cheirando cocaína e afins.

Em Kick – Ass o herói salvando a cidade da lugar a um adolescente querendo fazer a diferença de alguma maneira… e daí se ele escolheu a pior maneira possível?! Isso não cabe ao nosso julgamento.

Entre as coisas que mais gostei no filme foi o realismo com que trataram os acontecimentos… elas não colocam o herói como o cara mais descolado e com o carro do ano; muito pelo contrário ele é meio excluído e após combater o crime volta para casa a pé.

Assim como qualquer um de nós Dave Lizewski é só mais um ser humano com a diferença que ele escolheu uma maneira um tanto quanto peculiar de se fazer notar.

Afinal quem, do dia para a noite, decide se tornar um super herói? Só aqueles que desejam muito fazer algo diferente, salvar o mundo e que tem convicção, ou não, de qual é seu lugar de honra nesse planeta, mas, convenhamos, quem nunca pensou em como a vida mudaria se tivesse um segredo assim?

Nesse caso, reformulando a pergunta de cima: quem nunca quis ser um super – herói?

Kick- Ass nos traz o panorama de um adolescente que não ficou apenas na pergunta que foi lá e se tornou um super-herói mesmo que tudo estivesse fadado ao fracasso.

 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 25, 2012 em Filmes

 

Tags: , , , , , , ,

Marca Páginas – Entrevista com o Vampiro de Anne Rice

Aproveitando para entrar num clima mais sombrio essa semana uma vez que semana que vem é Halloween escolhi um livro sobre vampiros, mas vampiros de verdade, para que vocês, leitores queridos, que gostam do Halloween possam já ir fazendo um esquenta para as comemorações do dia 31 de outubro.

Uma história que começa com a ousadia de um jovem repórter ao entrevistar Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro pelo próprio Lestat, figura apaixonante que terminará, ao longo da série, arrebatando multidões como cantor de rock. Louis, esse vampiro que se recusa a livrar-se das características humanas e aceitar a crueldade e a frieza que marcam os vampiros, continua a contar a história desde o início. É um mundo de uma fantasia impressionante, um mundo gótico, romântico, esse criado por Anne Rice e traduzido por Clarice Lispector. O texto da autora americana não poderia ter melhor intérprete, talvez mesmo cúmplice”

Falar sobre vampiros esta super na moda ultimamente né gente. No entanto esses vampiros que tem aparecido por aí, eles, na minha opinião, destroem um pouquinho toda a aura de mistério e terror que envolve essas criaturas.

Para quem não sabe a lenda de vampiros existe há muito tempo desde a Idade Média mas não da maneira como conhecemos hoje, para eles os vampiros não eram seres encantados e blá blá blá. Todos sabemos que doenças genéticas acontecem em qualquer tempo e lugar; as lendas vampirescas são atribuídas à uma dessas doenças (que não é nada bonita). A porfíria é uma mutação que faz com que as pessoas, portadoras, sofram com perda de elementos do sangue, exposição ao sol (causando bolhas na pele) etc, na época, para amenizar os males os portadores bebiam sangue de animais, para repor os nutrientes perdidos devido a doença, alguns camponeses ao verem a cena, de um humano sugando o sangue de uma vaca, por exemplo, devem ter se assustado e espalhado a história de vampiros etc, como se isso não bastasse ainda é possível citar os casos de catalepsia, que é uma outra doença, caracterizada por deixar o portador com aparência de morto, os sinais vitais caem e a pessoa não consegue se mexer. Essas duas anomalias foram grandes responsáveis pelo surgimento da lenda de vampiros e zumbis, mas, certamente, a maior inspiração para o mundo vampiresco é Vladislav Dracul, o conde romeno conhecido por seus métodos de tortura e crueldade, as pessoas costumavam dizer que Vlad bebia o sangue de seus inimigos. O conde deu origem ao vampiro mais famoso do mundo: Drácula.

Mas agora que eu já falei, mais ou menos, de onde vem toda essa história de vampiros, vamos ao que realmente interessa que é falar do livro em si.

Tem muita gente que vai detestar Anne Rice o estilo de escrita dela as vezes se torna cansativo e um pouco chato, mas, particularmente, eu achei bem interessante a história que ela criou para Entrevista com o Vampiro.

É importante deixar claro que Entrevista com o Vampiro é um tipo de livro de memórias. Louis, o vampiro, narra a sua vida desde quando ele era humano, os motivos que o fizeram desejar a morte e como ele foi atendido pelo sedutor Lestat.

O leitor percebe enquanto Louis narra sua trajetória que ele não é feliz como vampiro que o desejo mais profundo do nosso protagonista é a mortalidade isso porque ele perdeu a todos que amava durante sua existência e se vê sozinho na imortalidade. Ao contrário do que muitos gostariam essa não é uma história de ação, com mortes etc. Em Entrevista com o Vampiro Anne Rice nos mostra um lado mais sentimental mais intimista dessas criaturas, de como eles sofrem e se decepcionam, assim como qualquer pessoa.

Acho que escolher Clarice Lispector para fazer a tradução desse clássico foi uma opção muito acertada (palmas). A escritora brasileira conseguiu passar todo o sentimentalismo, crise existencial e drama vivido por Louis; de como ele não queria precisar daquilo que precisava para sobreviver.

Muitos de vocês devem ter assistido ao filme, com o Brad Pitt, Tom Cruise e Antonio Banderas, mas, sinceramente, por mais bem feito que tenha sido o longa nem de longe é capaz de exprimir tudo aquilo que o livro te passa. A leitura desse clássico é muito mais profunda e individual do que aquela apresentada no filme, além disso, a Kirsten Dunst estava velha demais para interpretar a criança, Cláudia.

Vale muito a pena ler esse livro porque ele nos faz perceber a real essência dos vampiros, principalmente depois dessa onda de vampiro/fada é muito interessante você pegar um livro que te faça lembrar que vampiro gosta mesmo é de sangue, que são criaturas mortais, a amabilidade deles só é usada para atrair as vitimas, e que, eles não precisam dos humanos, são um “povo” auto – suficiente, com diversão, festas e intrigas próprias, os humanos para eles são como uma vara de porcos para nós… alimento ou animais de estimação.

 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 23, 2012 em Livros

 

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

Pipoca com Manteiga – Scarface

Primeiramente, me perdoem pela demora de hoje.

Complicações surgiram, continuaram e estou estudando uma maneira de superá-las, por isso hoje eu demorei tanto para publicar aqui no Caracol.

Devido a demora eu vou falar de um filme que todos devem assistir, ao menos uma vez na vida: Scarface.

 

“Um criminoso cubano exilado (Al Pacino) vai para Miami e em pouco tempo está trabalhando para um chefão das drogas. Sua ascensão na quadrilha é meteórica, mas quando ele começa a sentir interesse na amante do chefe (Michelle Pfeiffer) este manda matá-lo. No entanto ele escapa do atentado, mata o mandante do crime, fica com a amante dele – mas simultaneamente sente desejos incestuosos por sua irmã (Mary Elizabeth Mastrantonio) – e assume o controle da quadrilha. Em pouco tempo ele ganha mais dinheiro do que jamais sonhou. No entanto ele está na mira dos agentes federais, que o pegam quando ele está “trocando” dinheiro. Mas seu problema pode ser resolvido se ele fizer um “serviço” em Nova York para um grande traficante e pessoas influentes, que podem manipular o poder para ajudá-lo. Porém, a missão toma um rumo inesperado quando, para concretizá-la, ele precisa matar crianças”.

 

Confesso que não foi, apenas, devido o meu atrasa que resolvi publicar sobre esse clássico do cinema. Indo para a faculdade, ouvi na rádio, que estão planejando fazer um “remake” de Scarface, eu até me animei com a notícia… seria muito interessante assistir um outro Scarface.

Este é um dos melhores filmes que eu já assisti, todo o drama de como um homem pode sucumbir aos seus próprios desejos gananciosos.

Com atuações extremamente marcantes e um dos slogans mais famosos da história, “The World is Yours”, Scarface conquistou milhões de fãs no mundo todo e continua arrebatando multidões.

É claro que, como todos os filmes, tem aqueles que odeiam e Scarface é o típico caso de “Ame ou Odeie” isso porque durante o longa há muitas cenas meio forçadas, figurino extremamente brega e falas que o adjetivo “machista” seria pouco. Eu já declarei aqui que adorei esse filme então não vou ficar defendendo ele, vocês de cansariam dos meus argumentos.

Há muitas pessoas que fazem uma análise mais profunda desse filme, falando do “sonho americano” e como, principalmente estrangeiros, podem ter suas expectativas frustradas quando se deparam com o gigante número de dificuldades impostos a eles. Você pode optar por fazer a análise detalhada e pensar em todas as coisas não ditas durante o longa ou pode apenas apreciar como um filme de entretenimento. Com certeza, você terá um trabalho bem maior se optar pela primeira opção maaaaas é também mais recompensador. Eu sou meio chata pra essas coisas, gosto de pensar sobre o que esta por trás da história e fazer uma análise mais profunda, pensando sobre como eles estão tentando me persuadir com essa ou aquela cena (acho que isso é um mal de quem estuda na área das ciências sociais, a gente sempre teima em achar chifre na cabeça de cavalo).

Por mais que você odeie filmes com muitos tiros, palavrões, insinuações sexuais e tudo eu recomendo Scarface por ser um ícone do cinema. Esse é um daqueles filmes que vale a pena assistir nem que seja pra dizer que não gostou porque um hora ou outra alguém sempre solta um “Say hello to my little friend!” e a melhor coisa que existe nesses casos é você entender a referência e saber responder.

Eu assisti a versão, de 1983, com o Al Pacino e a minha admiração por esse ator é gigante, acho que ele fez um dos papeis mais marcantes de sua carreira; uma obra de arte, sem dúvidas.

O meu último conselho para que vocês tenham um bom aproveitamento do filme é que assistam ele com o áudio original. A versão em português ficou muito mal feita, as falas ficaram artificiais e monótonas; por isso vale muito mais a pena assistir o filme com a versão de áudio original, em inglês.

 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 18, 2012 em Filmes

 

Tags: , , , , , , , , ,

Marca Páginas – Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca

 

“Você fez de mim um sátiro (e um glutão), por isso gostaria de permanecer agarrado às suas costas, como Bufo, e, como ele, poderia ter a minha perna carbonizada sem perder esta obsessão.´
Assim o escritor Gustavo Flávio, um dos protagonistas deste romance, começa a desfiar a trama de pequenas e grandes obsessões que fazem de Bufo & Spallanzani um dos mais surpreendentes livros lançados nos últimos anos.
Também o leitor vai se descobrir agarrado ao desenrolar acelerado de estranhos acontecimentos, incapaz de pôr de lado uma história que o domínio narrativo, a cáustica ironia e a brutal franqueza de Rubem Fonseca transformam em um intrigante jogo de verdades e mentiras”.

Esse livro é ótimo.

Eu poderia parar por aqui e quando vocês o lessem iriam concordar comigo sem demora, no entanto, o objetivo dessa seção é eu dar a minha opinião sobre os livros falando o porque gostei ou não do exemplar.

Para começar quero deixar claro que adoro aquela frase inicial ali de cima (Você fez de mim um sátiro (e um glutão), por isso gostaria de permanecer agarrado às suas costas, como Bufo, e, como ele, poderia ter a minha perna carbonizada sem perder esta obsessão) acho que ela se encaixa muito bem no contexto do livro e causa um impacto muito grande para aqueles que pretender ler a obra.

Eu, provavelmente, nunca teria pensado em pegar esse livro, se o visse numa biblioteca qualquer, por achar que iria se tratar de uma dissertação sobre biologia e tals. Isso porque, como sabemos, Spallanzani foi um importante cientista dessa área e Bufo é o nome cientifico de um sapo que expele, involuntariamente, veneno. Porém eu fiquei com uma vontade absurda de ler esse livro quando, na aula de literatura meu professor comentou:

– Bufo e Spallanzani foi pedido como leitura obrigatória no vestibular da UFPR, há alguns anos atrás, mas foi retirado da lista porque muitos pais moveram uma ação contra a Universidade alegando que o livro era impróprio à idade de seus filhos. A UFPR foi proibida de cobrar esse livro no vestibular.

Convenhamos que, depois disso, é completamente aceitável a minha curiosidade ter ido a mil. O professor continuou contando um pouco da história e o que levou os pais a pedirem a exclusão do livro da lista… bando de incultos sensacionalistas, na minha opinião…. eu fico imaginando o que eles fariam se a federal tivesse pedido A Mulher que Escreveu a Bíblia como leitura obrigatória.

Mas voltando ao livro. Bufo e Spallanzani é um livro muito inteligente, ele mistura ciência, romance, loucura, obsessão e crimes em uma única narrativa.

O estilo de Rubem Fonseca é facilmente detectado, logo no início do livro, a leitura crua, banal, mostrando o lado mais humano possível dos personagens, aquele que eles falham.

Normalmente, eu fico com um pé atrás para romances policiais, isso porque muitas vezes o autor consegue estragar o livro deixando muitas brechas fazendo com que nós, leitores, sejamos capazes de identificar o culpado lá pela metade do livro, além disso é comum que a leitura fique um pouco massante, eles procurando provas e tudo o mais, no entanto, isso não acontece com Bufo e Spallanzani a leitura flui freneticamente o tempo todo. Mal acaba de explodir uma bomba numa parte da história já estão tentando cortar o fio vermelho lá na outra.

Sei que tem muita gente que não gosta do estilo de escrita do Rubem Fonseca, isso porque ele é do tipo curto e grosso mesmo, não fica escondendo os defeitos das pessoas e nem poupa os leitores de coisas nojentas ou que gostaríamos de não ter lido; por exemplo, durante o livro do Bufo e Spallanzani ele, para descrever o policial, fala da blusa ensebada. Sério, aquilo me revirava o estomago, porque eu tenho nojo e é a esse estilo que me refiro. Fonseca não poupa nada por ‘nojinho’ ou por ser desagradável, ele simplesmente escreve e deixa que o leitor se vire com seus demônios internos.

Eu, assim como meu professor de literatura, adorei esse livro e vou falar euforicamente dele a qualquer um que me fizer uma pergunta sobre a história, então sugiro que leiam esse livro o mais rápido puderam, apreciem a leitura e o talento que Rubem Fonseca tem de te prender desde a primeira linha até o último ponto final dessa história.

 
Deixe um comentário

Publicado por em outubro 16, 2012 em Livros

 

Tags: , , , , , , , , ,

 
%d blogueiros gostam disto: