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Pipoca com Manteiga – O Bebê de Rosemary

01 nov

 

“ Um jovem casal se muda para um prédio habitado por estranhas pessoas. Quando ela (Mia
Farrow) engravida, passa a ter estranhas alucinações e vê seu marido (John Cassavetes)
se envolver com os vizinhos, uma seita de bruxas que quer que ela dê luz ao Filho das
Trevas.”

 

O edifício Dakota, é um refúgio para a aristocracia de Nova York, para a excêntrica, em particular. Foi na frente desse edifício que ocorreu o assassinato de John Lennon e o prédio é cercado por histórias das mais lights até as mais assustadoras possíveis.

É com a visão desse edifício que começa o desenrolar de acontecimentos em O Bebê de Rosemary.

Eu fiquei até as 3 da manhã de um segunda-feira para terminar de assistir esse clássico do terror, e mesmo que estivesse morrendo de sono não iria conseguir dormir porque o filme te prende. Os detalhes e o desenrolar da trama te prendem de maneira que você precisa ver o final para conseguir fazer alguma coisa depois.

O longa de Roman Polanski é considerado um dos melhores filmes de terror já feitos mas há muitas pessoas que, simplesmente, discordam dessa opinião (eu discordo deles).

Mas o que acontece para ter tanta gente achando que é só mais um filminho qualquer? Bom, para analisar isso é interessante pensarmos em todos os filmes de terror e suspense que já assistimos. Pensou? Agora responda quanto sangue, morte, gritos e perseguições aparece, um monte, certo? E esse é o ponto! No filme de Polanski mortes, gritos e todos os clichês de filmes de terror não aparecem ou ficam em segundo plano. O Bebê de Rosemary pode ser apenas mais um filminho se for assistido sem prestar atenção nos detalhes (aaah detalhes, adoro perceber os detalhes dos filmes).

A obra de Polanski não é para assustar crianças, como acontece com os demais filmes de terror, o objetivo aqui é assustar adultos. Sim! Polanski quer fazer homens barbados parecerem menininhas, com os acontecimentos que rondam O Bebê de Rosemary.

O filme gira todo em torno do casal, principalmente Rosemary, ser manipulado por um outro casal de faz ceitas satânicas. Legal é ver que o longa foi todo envolto por uma película de realidade, não existe nada “impossível” em o Bebê de Rosemary, Polanski expôs que na Nova York aristocrática, influente e rica existem sociedades secretas que nem sempre se juntam por algo que fará um bem geral à nação. É uma verdade conhecida por todo mundo mas que ninguém fala, e que Polanski foi lá e, em 1968, jogou toda a merda no ventilador.

Algo que achei muito bem pensado e de extremo bom gosto em O Bebê de Rosemary foram as sutilezas que o diretor utilizou para convencer o espectador que a nossa ingênua protagonista estava sendo manipulada de todas as maneiras possíveis. Seja com convites para jantar, médicos influentes para tratar seu bebê, pingentes bonitos etc; a melhor parte disso tudo é quando ela começa a perceber que esta sendo manipulada ou melhor, quando nós, espectadores, percebemos isso. Minha parte preferida, no que diz respeito a esse tópico é a seguinte passagem do filme:

Rosemary é controlada por seus manipuladores até pelo oxigênio que respira, através dos condicionadores de ar. Em um momento do longa ela vai lá desliga o ar condicionado e abre uma janela – simbolicamente ela alcança uma pequena noção da realidade, escapando da manipulação – porém o zelador do prédio, assim que percebe diz: Você desligou o ar condicionado? Você não deve fazer isso querida.” Rosemay fecha a janela e volta a ligar o ar voltando para a sua, até então, zona de conforto.

Perceberam, galera? Todo o discurso envolvendo essa cena do filme, todo o peso simbólico de cada ação da cena? Véi, achei muito bem bolada. (Acho que minhas aulas de discurso, persuasão e análise comportamental estão começando a afetar minha percepção de mundo).

Eu não vou entrar nas questões mais profundas do filme, de fazer um análise mais sucinta de algumas passagens e das ceitas que aparecem porque isso seria muito assunto para um post só então ficarei por aqui, no que diz respeito a essa ramificação de análise.

A ausência de sangue, gritos e cabeças cortadas faz de O Bebê de Rosemary um dos melhores filmes de terror já lançados, isso porque o terror, nesse caso, não é algo que você assiste fica com um pouco de medo e depois passa. O terror é totalmente psicológico, você não se livra dele, é algo seu e não do filme.

Sério, se você gosta de filmes de terror e/ou suspense não deixe de assistir O Bebê de Rosemary, é um clássico do gênero muito bem pensado e com um ótimo trabalho de pesquisa, extremamente necessário para causar o efeito que causou.

O Bebê de Rosemary é parada obrigatória para os fãs do gênero terror.

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Publicado por em novembro 1, 2012 em Filmes

 

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