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Uma odisséia, ora pois!

10 nov

Eu acredito na sorte, e tenho constatado que quanto mais estudo mais sorte tenho”

adapt. Thomas Jefferson

Olá seus lindos!

Antes de começar, para que vocês não pensem que sou esnobe gostaria de explicar que Odisséia é definida pelo dicionário Aurélio como uma ‘viagem cheia de aventuras e peripécias.Série de acontecimentos anormais e variados’. Pronto, agora podemos começar.

Essa semana inteira foi uma correria e tanto, mas estou muuuuito feliz. Isso porque essa semana eu recebi a notícia definitiva: Vou fazer intercambio, pela UFPR, ano que vem!

Estou organizando os últimos detalhes da viagem mas já é certo. Oooh ooh mas não é tão fácil assim né? Realmente não foi nada fácil e agora eu vou contar para vocês, todos os detalhes de, como eu consegui isso.

Em 2011 eu entrei na UFPR e no primeiro dia de aula minha coordenadora apresentou o curso e comentou sobre alguns programas da UFPR, entre eles ela citou o Mobilidade Acadêmica. O nome me chamou a atenção e fui ver o que que era essa coisa. Descobri que era um programa de intercambio da Universidade e que se você atingisse uma nota mínima em cada coisa você poderia concorrer a uma bolsa de estudos em uma universidade parceira. Não é nem preciso eu dizer que me interessei e passei a me empenhar em conseguir isso. Os critérios eram o currículo e desempenho acadêmico e uma entrevista pessoal.

Assim eu comecei a estudar, estudar e estudar mais um pouco para que minhas notas nunca ficassem abaixo dos demais alunos do meu setor, que eram meus concorrentes em potencial, fui em todas as palestras possíveis, participei de feira de profissões, oficinas… tudo que eu podia fazer para contar pontos no currículo.

A primeira vez que me inscrevi para esse programa foi no final de 2011, com saída prevista para 2012/2, como é óbvio eu não fui e essa foi a minha primeira quebrada, feia, de cara! Quando meu nome não estava na lista dos selecionados. Sobrevivi e continuei estudando, ainda mais, porque eu estava decidida a tentar de novo.

A primeira vez eu me inscrevi para a Universidade Simon Fraser, no Canadá, tinha feito os testes de suficiência em língua inglesa…. estava tudo ok para a viagem, só que não.

Lá pelo mês de Maio abriram as inscrições para o Mobilidade Acadêmica 2013/1 eu fui tentar me inscrever mas sempre dava erro. Desesperada eu liguei na ARI (Assessoria de Relações Internacionais) que é o orgão responsável pelos intercâmbios e perguntei porque a minha inscrição não estava dando certo. O moço que me atendeu me disse o seguinte:

– Não dá certo porque você esta com saída prevista para 2012/2

– Não, mas deve ser um engano, eu não fui selecionada. Não tenho saída prevista.

– Tem sim! Você esta como apta na Universidade de Simon Fraser, no Canadá. Desistiu do processo?

– Como assim apta? Eu nem sabia disso. Vocês mandaram algum e-mail?

– Sim, mandamos, mas alguns e-mails voltaram, talvez o seu fosse um deles.

– E vocês não tentaram entrar em contato comigo de outra maneira?

– Não.

– Entendi. Mas dá tempo ainda de eu levar a papelada aí?

– Acho que o prazo já encerrou.

– Entendo, tudo bem então, cancela essa saída pra eu poder me inscrever na 2013/1, por favor?

– Aah claro, só um minuto…… Prontinho Thaisa. Já pode se inscrever.

– Ok, obrigada.

Éééé José… essa foi a minha segunda quebrada, feia, de cara (espatifei-me contra o asfalto). Você, querido leitor, deve estar pensando que eu fiquei puta da vida, chinguei todo mundo e tal mas, na real, não fiquei. Claro que eu adoraria ter ido para o Canadá, eu já estaria por lá (e no natal meus pais poderiam dizer: nossa família toda reunida, menos Thaisa, que esta no Canadá haha) porém… não deu. Não tinha nada que eu pudesse fazer, não foi uma falha minha, o jeito era erguer a cabeça e bola pra frente; eu ficar chingando os caras não ia adiantar nada. Na verdade, quando meu amigo me perguntou se eu tava puta eu disse que não, que surpreendentemente eu estava feliz pois, no principio (Deus criou o céu e a terra) eu achava que ninguém me queria, aí, do nada, eu descubro que eles queriam que eu fosse mas por uma falha eu não pude ir.

Ok, colei os caquinhos da cara e me inscrevi novamente. Tentei a universidade Canadense de novo…. no meio do processo fiquei com medo que o ocorrido se repetisse e, mais uma vez, eu perdesse a oportunidade. Pedi para minha coordenadora indeferir meu pedido, para que eu passasse a concorrer com a outra universidade da minha lista.

Nós aqui da federal, para quem não sabe, podemos escolher três possíveis universidades de destino as minhas escolhas foram: Universidade Simon Fraser, Universidade de Aveiro e Universidade de Coimbra.

Pensei muito para tomar a decisão de indeferir a universidade. Analisei todos os planos de estudo, história da universidade, cidades cedes, planos para intercambistas, comentários sobre as instituições,tudo; e a melhor opção foi a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa e considerada a OXFORD da Língua Portuguesa.

Refiz todo o processo de Mobilidade Acadêmica, fiz inscrição, elaborei plano de estudos, carta de motivação, documentos comprobatórios, currículo, análise do IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) e a pior parte do processo de seleção: a entrevista pessoal.

A entrevista começaria as 17:30h eu fui a primeira a chegar e de repente começou a entrar uma galera naquele hall de espera… até que eu perguntei: todos vocês são pra entrevista de Mobilidade? Todos balançaram a cabeça afirmativamente. Tinha umas doze pessoas… disputando UMA bolsa; no meio dessa galera tinha um japonês e nessa hora eu pensei: Fudeu! Não vou mais. Sério, eu fiquei morrendo de medo.

Todos estavam com muita pressa porque tinham compromissos após a entrevista então eu deixei que eles passassem na minha frente.

Era a minha segunda tentativa, eu conhecia os entrevistadores e eles lembravam de mim fizeram perguntas bem pontuais. Um dos professores viu que numa das universidades eu pretendia estudar língua e cultura alemã… ele, bem filho da mãe, me fez uma pergunta em alemão. Suei frio, respirei fundo e falei: Entschuldigung Lehrer, ich bin noch studiere die Sprache! Não sei, exatamente o que saiu mas o que eu queria dizer era ”Desculpe professor, eu ainda estou estudando a língua”; deve ter saido algo parecido porque ele sorriu e soltou um ‘Sehr gut’.

Depois da entrevista é a pior parte, sempre, porque é a parte da espera. Ainda mais com a greve das universidades federais. A entrevista foi lá por maio mas eu fiquei sabendo que tinha sido selecionada a cerca de um mês atrás, eu tive um dia pra juntar toda a documentação e levar até a ARI. Consegui hehe.

Lembrando, agora, foi engraçado porque eu ligava quase todos os dias lá na ARI atrás de informações, enchi tanto o saco que sempre que eu ligava e falava que era pra pedir informação sobre a mobilidade eles já falavam: Aaah é a Thaisa?

Minha Carta de Aceite da Universidade de Coimbra

Hahaha fiquei super conhecida por lá.

Depois disso ainda teve uma parte crítica. A espera do aceite da universidade de destino. Claro porque se eles resolvem não te aceitar, você não vai e pronto, acabou.

Meus documentos chegaram em Coimbra no dia 23 de outubro e a notícia de que eu tinha sido aceita chegou, por e-mail, no dia 05 de novembro, meus documentos de aceitação chegaram, por e-mail, no dia 08 de novembro e as cartas originais devem estar aqui em casa dentro de uma ou duas semanas (dependendo do tempo do correio).

Vocês devem imaginar o quão feliz eu estou né. Eu estudei, feito uma louca, por dois anos inteiros visando esse único objetivo maior, consegui ter a maior nota em tudo entre todos os meus concorrentes e consegui a bolsa.

Não contei nem metade das quebradas de cara que eu tive durante o processo. Matérias que não batiam, ementas trocadas, professor sacaneando com nota e eu tendo que correr atrás pra recuperar, um monte de outras coisas pequenas que me deixavam extremamente stressada, preocupada e com vontade de desistir de tudo. Mas, ainda bem que fiquei só na vontade e não desisti de nada. Agora, estou bem orgulhosa de mim mesma por ter passado por cima de todos os obstáculos que surgiram.

Perdi as contas de quantas vezes me convidavam pra sair e eu dizia não porque tinha que terminar um livro ou porque tinha que copiar a matéria atrasada, de quantas canetas eu gastei e quantas vezes ficava na biblioteca da faculdade estudando com uma amiga até as 22:00h com minha mãe me ligando desesperada mandando eu ir pra casa. Já nem ligo pros sapos que tive que engolir por causa de algumas pessoas que nunca podiam ajudar e mais do que tudo já toquei um foda-se para todos aqueles que duvidaram que eu iria conseguir.

Lembro que minha amiga me perguntou um dia por que eu queria tanto fazer um intercambio e eu respondi que era porquê, principalmente na minha cidade, tinha muita gente que achava que eu jamais conseguiria (tapa de luva de pelica, rules).

Espero ter deixado mais ou menos claro, para vocês, alguns detalhes da minha viagem e espero que vocês estajam felizes por mim, continuem torcendo e, assim que eu tiver mais novidades ou ideias, vou postando por aqui.

P.s.: Prevejo pessoas indignadas porque eu só contei do intercambio quando saiu o resultado da bolsa de 2013/1, mas queria deixar bem claro que é porque eu tenho uma filosofia de vida que é a seguinte:

”Só envolva as pessoas, que você gosta, nos seus planos quando você tem certeza que elas não irão se decepcionar ou só se for extremamente necessário”.

Talvez essa minha filosofia seja errada e egoísta, peço desculpas, mas no momento ela me parece correta e foi por isso que eu mantive o processo meio que em segredo até eu ter certeza que ninguém ia se decepcionar!

Desculpem-me mas me pareceu a coisa certa a fazer! Tentem entender os meus motivos =D

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5 Respostas para “Uma odisséia, ora pois!

  1. Lucas Radaelli (@lucasradaelli)

    novembro 10, 2012 at 6:41 pm

    Parabéns, Thaisa!!! Como sabe, já passei pelo mesmo processo de conseguir o intercâmbio. É uma tensão enorme, mas que quando chega ao fim é muito recompensador. Parabéns mesmo!

     
  2. MARISE LOPEDOTE

    novembro 10, 2012 at 6:48 pm

    Parabéns Thaísa! Muito feliz por você! Sou sua fã incondicional!

     
  3. Taniandra

    novembro 10, 2012 at 9:46 pm

    Parabéns!
    Faz tempo que não nos falamos, mas sempre admirei seu esforço!

     
  4. Maria Carolina (@CaroolMariia)

    novembro 22, 2012 at 1:12 pm

    É uma guerreira!! Fico feliz de saber da história bem antes da carta! hahahahaha
    você merece e vai continuar dando tudo certo, #tenhoFÉ : )

     
  5. Pingback: Caracol sem Teto

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