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Marca Páginas – Memórias de Minhas Putas Tristes de Gabriel García Márquez

13 nov

“No ano em que completa os seus noventa anos, o autor-narrador destas memórias decide se presentear com uma noite de amor com uma adolescente virgem. E é assim, sem rodeios, que Gabriel García Márquez apresenta a história do velho jornalista que escolhe a luxúria para provar a si mesmo, e ao mundo, que ainda está vivo. ‘Memória de Minhas Putas Tristes’ desfia as lembranças de vida desse solitário personagem. Apresenta ao leitor as aventuras sexuais deste senhor, que vai viver cerca de cem anos de solidão embotado e embrutecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem horizontes quanto ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis.”

Hoje eu resolvi publicar sobre esse livro porque me sinto tão desanimada e perdida que lembrei do personagem desse livro do Gabriel García Márquez. E, convenhamos, que história é mais triste que a história do próprio amor?

O velho da história é tão solitário tão sem perspectiva, em tal fase da vida, que é impossível não simpatizar com ele; acho que nós, humanos, temos uma tendencia a sermos mais compreensíveis com aqueles que sofrem, demonstram serem sozinhos ou sei lá.

A primeira vez que tentei ler esse livro ele estava em espanhol. Foi uma catástrofe, entendi muita pouca coisa aí resolvi achar ele em português mesmo; o pouco que entendi não me permitiu dar continuidade a leitura, não porque eu não falo espanhol mas sim porque achei o livro muito interessante e intimista; não merecia uma leitura superficial mas sim uma reflexiva.

Eu quis ler essa obra porque um professor de literatura havia me recomendado. Acho extremamente interessante quando os professores recomendam livros específicos para alunos específicos isso demonstra que, de alguma forma, você despertou a atenção do professor com relação a algo bom. Até hoje todos os livros recomendados por meus professores foram muito apreciados, pelo menos por mim.

Nessa obra Márquez conta a história de um velho de 90 anos que se apaixona por uma menina de uns 16; o detalhe é que, diferentemente de todos os outros casos, o amor que ele sente pela guriazinha é completamente puro, é o legítimo amor romântico; os prazeres para o nosso protagonista é ver o seu objeto de adoração dormir enquanto ele acaricia seus cabelos e faz ponderações sobre seus pensamentos, gostos etc. Lembro que me professor explicou que esse detalhe fez com que as pessoas começassem a se perguntar sobre a partir de que ponto isso seria um crime do nosso protagonista… dá uma discussão interessante, acreditem.

É fácil para nós, leitores, perceber que o Senhor da história sofre, de certa forma, ao constatar isso de como ele é inseguro e quais seus reais sentimentos para com a menina.

Ele sacrifica-se por ela de forma que jamais fez por alguém, mesmo sem muito dinheiro ele esforça-se para tratá-la bem, dá-lhe presentes e acima de tudo garantir seu bem estar, mesmo que, em algumas partes da história, ele tenha que se afastar da menina para alcançar tal objetivo.

Eu gostei bastante desse livro, porque me identifiquei com o personagem, não que eu vou me tornar uma pedófila quando ficar velha, longe de mim, nem nutro muita simpatia com criança; mas eu me identifiquei com o personagem criado por Gabriel García Márquez porque ele é um resumo de tudo aquilo que nós temos medo de nos tornar.

O velho é meio mal-humorado, frustrado, inseguro, solitário e pesaroso pelas tantas coisas que ele poderia ter feito na vida ma não fez, talvez por medo.

Convenhamos, quem nunca ficou mal-humorado, frustrado, solitário, arrependido e principalmente inseguro com alguma coisa. Minha parte preferida é quando ele demonstra insegurança. Isso acontece, principalmente, quando ele olha para a menina; ele não se sente bom o suficiente para ela, é como se ela fosse algo que ele não pudesse ter e alguém que ela não pudesse gostar porque não era uma ‘boa pessoa’.

Acho que é a minha parte preferida porque isso é muito comum, pelo menos comigo, essa insegurança…. o medo de não ser bom o suficiente, para qualquer coisa, sei lá, no livro, me pareceu tão honesto, tão real que acabei me identificando.

Gabriel García Márquez nos faz refletir sobre nossos preconceitos, principalmente relacionados a idade, sobre o futuro e sobre nós mesmos, do tipo o que você faz quando ninguém te vê fazendo, ou melhor, o que você gostaria de fazer mas não faz.

Memórias de Minhas Putas Tristes foi um dos livros mais interessantes que já li. Além de diferente ele é verdadeiro. Márquez não se preocupou com os convencionais valores da sociedade humana, ele só expôs algo passível de acontecer em qualquer lugar do mundo e em qualquer época.

Ps.: uma última informação que esqueci de mencionar. O livro foi ganhador do Nobel de Literatura.

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Publicado por em novembro 13, 2012 em Livros

 

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