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Aprendi contigo a navegar, em qualquer tempo, qualquer mar… pai!

13 maio

Semana passada tentei escrever algo antes de sair de viagem mas não consegui, eu tinha que estudar para uma prova e estava extremamente ansiosa para o Marrocos. Bom, agora que passou só posso dizer que foi uma das viagens mais incríveis que já fiz na minha vida, acho até que eu terei que dividir em partes essa publicação para não ficar tão exaustivo.

Acho que aqui vou falar mais sobre a viagem ao deserto e nos próximos posts eu falo sobre Marrakech, Madrid e Toledo!

No dia 02 de maio eu encontrei alguns amigos e nós pegamos o Trem-Hotel noturno para Madrid, de lá pegaríamos um voo até Marrakech. Vale adiantar que minha viagem já tinha tema musical antes mesmo de acontecer: Duas Noites no Deserto do Engenheiros do Hawaii (nunca fez tanto sentido).

Atravessamos o estreito de Gibraltar  e chegamos em Marrakech umas 20:00h fizemos check-in no Hotel e por um erro de datas descobrimos que iríamos para o deserto as 07:00h do dia seguinte.  Tentamos ir dormir cedo para ter pique, bom… cedo nós não conseguimos ir dormir mas no outro dia estávamos tão entusiasmados com a viagem para o deserto e para andar de camelo que acabamos por vencer o sono.

Iogurte marroquino, branco, com um pedaço de morango no centro

Iogurte Marroquino

A viagem de Marrakech até o deserto durou cerca de 7h passamos por várias vilas e cidades; experimentei Salada Marroquina, Tajine e Iogurte marroquino (este último uma maravilha a parte). Passei por paisagens que ainda não me parecem existir de verdade, contrastes extremamente interessantes; de um lado da estrada uma plantação de palmeiras e do outro: deserto.

Nosso guia, um marroquino, falava um inglês capenga mas ainda assim percebíamos que ele tentava interagir conosco… eu e meu amigo ficamos nos sentindo meio mal por não entendermos ele direito e aí durante um momento de solidariedade nós dois resolvemos dar papo para o cara e nos esforçamos ao máximo para entender tudo o que ele falava… valeu a pena. Claro que perdemos muita coisa mas, depois desse nosso esforço, ele passou a explicar várias coisas da estrada e formações de vilas e montanhas para nós, contou curiosidades e volta e meia perguntava como estávamos todos, se era necessário parar para ir no banheiro etc.

Passamos o dia todo na estrada e quando era umas 18:00h chegamos no lugar onde estavam nossos camelos. Foi estranho montar neles, eles são grandes, largos e beeeem altos… meus amigos tiraram muito sarro da cara que fiz quando subi no camelo porque, segundo eles, foi muito “ai meu Deus, onde fui me meter?”.

Andar de camelo foi incrível, ele é tipo um cavalo gigante mas para os mais nerds eu posso  descrever que andar de camelo é ter a sensação de estar em um dos drods gigantes, no final de Star Wars, em Ameaça Fantasma, na verdade, todo o passeio no deserto pareceu uma paisagem de Tatooine.

Sombra de três camelos na areia do desertoO meu camelo eu batizei em homenagem ao cão guia do meu namorado; meu camelo ficou conhecido como Timmy. O Lucas, meu namorado, já se pronunciou mais de uma vez afirmando que deve existir um Timmy em cada espécie… bom, camelo já esta ok.

Chegando no acampamento nos serviram o tradicional chá de hortelã marroquino e sentamos em uma duna onde ficamos conversando por um bom tempo com nosso anfitrião, ele nos explicou a origem do chá e mais algumas coisas, perguntou nossos nomes e falou como eles seriam em árabe, eu seria chamada de Áiza, segundo ele…. foi desta maneira que ele me chamou até o fim da nossa estadia no deserto.

Cerca de meia hora depois fomos convidados para o jantar tradicional; nos serviram uma sopa deliciosa com um grão que eu não sei qual é, seguida por Tajine de frango e finalizando com laranjas salpicadas de canela – cada um melhor que o outro.

Durante o jantar um holandês muito simpático se ofereceu para tirar foto do nosso grupo, claro que aceitamos e agradecemos ao menino.

Ao final do nosso banquete fomos convidados a sentar em torno da fogueira onde cantaram música tradicionais com instrumentos orientais e nos fizeram dançar. Houve jogos e conversas… foi algo muito diferente e de grande valor cultural.

Eu conversei mais um pouco com o holandês e, cara, que família simpática. A primeira pessoa que conversou comigo foi a mulher, mãe dos piás e a senhorinha é um amor, comentou que eu parecia cansada, Berber servindo o chá de hortelã de boas vindasperguntou se precisava de alguma coisa, questionou a viagem, quanto tempo, porque etc. Essas coisas que perguntamos quando queremos conhecer alguém, ela introduziu na conversa os dois filhos, um deles que havia tirado a foto para nós e mais uma vez me surpreendi como as pessoas podem ser simpáticas; um deles ficou conversando comigo por uns quarenta minutos, depois que eu comentei que pretendo visitar Amsterdam em julho, ele perguntou onde eu gostaria de ir, se já sabia onde iria me hospedar, quanto tempo, quem mais iria, e deu algumas dicas de como aproveitar a cidade. Todos os três perguntaram o que eu estava achando da viagem e da experiência pelo deserto. Eu os achei muito, muito simpáticos mesmo e adorei bater um papo sobre qualquer coisa com pessoas que nunca tinha visto na vida, foi legal.

As tendas eram divididas de três em três pessoas. Eu dividi com mais dois amigos que tinham viajado comigo o Lucas Bispo (vamos diferenciar por sobrenome porque começou a ter muito Lucas nessa história) e a Michele mas antes de ir dormir resolvemos ficar observando as estrelas que estavam dando um show a parte… papo vai, papo vem, nós começamos a falar sobre alienígenas e, véi, me arrepiei inteira, mas isso seria o de menos se alguns minutos depois não tivéssemos visto no meio do nada e do escuro dois olhinhos vermelhos vindo em nossa direção, não preciso nem falar que entrei correndo para a tenda, meus amigos vieram logo depois quando os pontinhos vermelhos se aproximaram um pouco mais. Alguns minutos depois nós pensamos e decidimos que devia ser só uma raposinha do deserto e tínhamos nos assustado por nada (haha, mas aí eu penso, para que arriscar né?!).

Acordamos a noite com barulhos muito fortes no teto da tenda, ela tremia toda e o som era assustador, nós três resolvemos acender a luz e ficar um pouco na várzea para nos acostumarmos com o barulho. O vento estava muito forte e suspeitamos de uma pequena tempestade de areia, o que, provavelmente, originou as dunas do dia seguinte.

Fomos acordados, definitivamente, as 5h da manhã, para que pudéssemos tomar o café, com direito a geléia de damasco, e para que desse tempo de assistirmos ao nascer do sol no deserto. Foi lindo, uma visão que vou guardar, com certeza.

Nascer do sol entre as montanhas do deserto

Foto tirada pelo amigo Lucas Bispo

Passado esses momentos nós arrumamos nossas coisas e, ainda pela manhã, deixamos o acampamento, em cima dos nossos camelos. Chegamos até a nossa van e fizemos o percurso de volta para Marrakech.

No carro conversando com meus amigos eu me toquei de como senti falta de algumas pessoas, nessa viagem, de uma em especial.  Confesso até ter me emocionado um pouco a constatar isso e bom a pessoa que mais senti falta nessa viagem foi do meu pai.

Senti falta do meu pai porque nós começamos a levantar teorias sobre as formações montanhosas, vegetação, exploração regional, constelações, animais… tudo, e ao não saber responder todas as dúvidas que surgiam para nós eu percebi o quanto meu pai me fez falta. Ele, com certeza, saberia nos dizer qual era a constelação que ficamos mais de uma hora observando no céu aquela noite, saberia explicar o porque aquelas montanhas tinham aquela formação atípica, como é a árvore e a produção do óleo de argan, porque as casas são todas da mesma cor entre outras questões que surgiram ao longo da viagem.

foto eu e meu pai

“Só se for contigo, só contigo… duas noites no deserto”

Apesar de estar sentindo muita falta do Lucas, meu namorado (pensando que ele adoraria a comida e andar de camelo, além é claro de só estar com ele), dos amigos (como seria divertido tê-los ali) , irmãs ( de como elas ririam de mim por eu ter fugido dos et’s), mãe (como ela teria tentado adivinhar todos os temperos da comida) mesmo eu pensando, a todo momento, o que cada um deles iria gostar;  na estadia no deserto, em especial, foi a vez de sentir falta do Seu Rubi; de pensar o quanto eu gostaria de ser mais como ele, de ter metade da inteligência e do interesse dele pelas coisas, foi o momento em que caiu a ficha de que como o mundo com as explicações sobre cada coisa é mais interessante.

Foi ali, conversando com meus amigos na van, que eu quis ter trocado de lugar e queria que ele, e não eu, tivesse vivido e visto tudo aquilo.

A viagem para o deserto foi uma experiência única, que me ensinou que, antes mesmo do destino, a companhia é o que faz as coisas serem inesquecíveis.

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5 Respostas para “Aprendi contigo a navegar, em qualquer tempo, qualquer mar… pai!

  1. Lucas

    maio 13, 2013 at 10:51 pm

    Confesso que quando você falou do seu pai eu percebi que seu olho encheu de lágrimas. Parece que descobrimos mais sobre nós do que sobre o mundo nessa viagem. Muito bom esse post.

     
  2. marcia mai

    maio 14, 2013 at 10:42 am

    Nossa que viagem e tanto, uma aventura! Enquanto lia fui imaginando a cena.
    abraço

     

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