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Marrakech

16 maio

E lá vamos nós contar sobre mais uma parte da viagem: Marrakech!

Mas se você ainda não leu a primeira parte clique aqui para saber o que aconteceu no Deserto de Zagora!

No dia que chegamos em Marrakech foi uma coisa de outro mundo. Vimos a praça toda iluminada com tambores africanos soando ao fundo, pessoas cantando e fazendo negócios, bem ali, na nossa frente, comentamos que nos sentimos entrando numa cena de filme.  Nesse dia a temperatura até que estava agradável cerca de 28 graus… eu digo agradável porque, nos dias seguintes, não pegamos nada menos que 38 graus. O inferno na terra.

Como eu já contei as histórias do deserto vou focar apenas na cidade, no post de hoje.

Marrakech é sim uma cidade turística mas você nem tem tanta vontade de fazer turismo devido o calor… na verdade, quando dava três da tarde eu e o resto do grupo decidíamos voltar para o Hotel e ficar por lá, na sombra, porque não conseguíamos  nem andar, tanto era o calor naquela cidade. Acho que eu fui uma das que mais sofreu com isso, como sou das regiões mais frias do Brasil, 23 graus para mim é verão e não estou acostumada com essas temperaturas elevadas e, cara, eu derretia, quase que literalmente.

Alguns dos pontos turísticos de Marrakech que visitamos foram:

 

El Badi, visto do alto

El Badi

–       Palácio El Badi: construído para celebrar a vitória sobre os portugueses em 1578, hoje o palácio esta em  ruínas, mas umas ruínas muito bonitas, o sutão que morava lá construiu umas cinco piscinas no pátio do palácio, nem precisa explicar o porque né… cara esperto.

–       Palácio Bahia – arquitetura incrível, muito bonito mesmo e construído de maneira a ficar sempre fresquinho… funciona melhor que ar condicionado.

–       Tumbas Saadianas – sério, nunca vi um “cemitério” tão bonito quanto esse. É incrível.

–       Jardim Menara – uma bela de uma porcaria, tudo seco e um lago extremamente sujo no meio. E eu ainda pisei num parafuso no caminho… doeu.

Tumbas Saadianas, colunas ao fundo e as tumbas na frente

Tumbas Saadianas

 

Eu passei beeem rápido pelos pontos turísticos, como puderam perceber, porque a parte mais interessante de Marrakech não foi isso. A parte mais legal da cidade foi ir as compras e negociar com os vendedores. Vou contar algumas coisas que aconteceram durante esses negócios.

Para ficar mais fácil de entender: a moeda local é o dihan e a cotação é: 1Euro equivale a 10 dihans e souk é o mercado onde se vende de tudo, tudo mesmo!

Nos primeiros dias em Marrakech fomos comprar lenços, estávamos em seis pessoas e chegamos numa venda, começamos a olhar, perguntar preços… bom o moço percebeu que estávamos interessados e começou a negociar. A principio ele queria 150 dihans por um lenço, começamos a pechinchar e ele baixou para 100 dihans, ainda não estávamos satisfeitos e pensamos em ir embora o moço nos chamou e ofereceu outro lenço por 50 dihans, oferecemos 30… ele aceitou.

Escolhemos alguns lenços daquele expositor e começamos a ver outros, porque cada um de nós iria levar, no mínimo, dois. Escolhemos uns outros e começamos a negociar… depois de um valor que ficou cerca de 90 dihans pelo lenço que queríamos ele ficou irredutível e não quis mais baixar, vimos que o negócio não seria vantagem e começamos a nos organizar para ir embora e nem levar os primeiros lenços. Eu queria muito um daqueles em especial porque sei que minha irmã vai adorá-lo então quando meus amigos se viraram eu voltei e falei para o vendedor:

–       Nós somos em seis pessoas, cada uma vai levar, no mínimo, dois lenços… você tem certeza que quer perder esse negócio?

Aaaii, o cara me olhou de um jeito muito feio, deu uma bufada e gritou – 70, 70 – haha foi o suficiente para que meus amigos retornassem e comprássemos os lenços, que eram 150 por 70 dihans! Fizemos um ótimo negócio.

Um outro ótimo negócio que eu fiz, individualmente, foi no último dia de viagem. Eu havia conversado com

Souk em Marrakech

Souk

meu namorado, Lucas, e ele,  nem um pouco humilde, pediu que eu levasse um narguilé marroquino para ele. Lá vai a Thaisa ver se acha o tal do narguilé (aaah Lucas, o que eu não faço por você?) eu e meu amigo, que me acompanhou nessa busca, andamos, andamos e andamos mais um pouco no souk… encontramos uma loja arrumada, com uns narguilés na frente, e entramos. O moço que nos atendeu foi extremamente simpático, buscou vários narguilés para que eu pudesse vê-los, tocá-los e decidir qual seria melhor, ele trouxe dois modelos então eu e meu amigo optamos por um feito manualmente, em madeira e com detalhes coloridos na parte do metal… o moço explicou que aquele era o tradicional marroquino, sem a barriga, ele falou que queria uns 140 dihans no narguilé… oopa, aí é caro demais né! Ele baixou para 100 dihans e não queria mais baixar; o problema: demorei muito para achar aquilo, gostei e queria levar de qualquer maneira – espírito turco, ativar – tentei negociar mas ele disse que não poderia baixar tanto por ser trabalho manual etc etc, a conversa seguiu mais ou menos desta forma:

–       Tá,  eu entendo, mas se eu levar alguma outra coisa, podemos tentar outro acordo de preços?

–        Aí podemos tentar.

–       Ok, vou escolher

Virei-me e vi uma chaleirinha, muito bonita, feita a mão também, peguei-a e perguntei o preço: 50 dihans!

Voltamos a negociação. Ele queria me cobrar 180 por tudo (neeem a pau)

–       Pago 160!

–       170

–       140

–       160

–       Não, agora só pago 130!

–       140!

–       120!

–       Vamos ficar no meio 135!

–       Isso não é o meio; eu pagaria 130, agora 120… o meio é125!

–       Ficamos em 130!

–       Não, minha oferta é 125!

–       130

–       Fechamos em 125! Vamos, 125!

Ele olhou para a mochila que eu ganhei de um amigo meu, o Raphael Motta e disse:

–       125, mas a sua mochila fica comigo!

–       Haha não posso ganhei de um amigo e já me salvou de muita chuva! Vamos fechar em 125… é um presente, para meu namorado, ele me pediu isso até estudou sobre narguilés marroquinos para entender melhor! Vamos lá!

–       Oook, 125, moça!

E foi assim que o Lucas ganhou um narguilé marroquino.

Foi legal negociar com os caras, eles cobram um preço super alto para que você pechinche, é claro que eu teria feito um bom negócio de tivesse pago 150 ou 140 no narguilé e na chaleirinha mas, se eu aceitasse tão rápido eu teria acabado com a diversão do cara, e com a minha também, confesso. O fato é que lá você não pechinchar é falta de educação e ponto, por mais barato que as coisas pareçam você precisa pechinchar, é a cultura deles. Quem fala isso são os próprios guias, que explicam que o pechinchar é uma maneira de se divertirem, fazer negócios é meio que um orgulho para eles.

Agora que já narrei um pouco as coisas que aconteceram no souk vou falar da comida. Comíamos muito bem por 1 euro (10 dihans). Teve um dia que dissemos que iríamos extravasar e comer pra caramba, nesse dia gastamos 4 euros.

Tajine Marroquino servido em uma forma especial, de barro

Tajine Marroquino

Em Marrakech, eu experimentei salada marroquina, sopa marroquina, tajine, cuscuz, um doce (que tinha gosto de perfume), omelete… vários sucos e até um ou outro refrigerante que me chamava atenção.

Uma das melhores coisas na gastronomia do Marrocos é a laranja. Nós pagávamos 0,40 centavos de euro por um copo, grande e cheio, de sumo de laranja, o cara só expremia a laranja e tomávamos, sem açúcar nem nada e era ótimo. Doce, gelado… saboroso. Apesar de meus amigos discordarem eu acho que comi muito bem no Marrocos e gastando muito pouco.

Ao final de todas as compras, gorjetas, taxi, alimentação, eu gastei, em uma viagem de cinco dias, apenas 60 euros!

Jardim Menara, algumas árvores num terreno extremamente seco

Nossa decepção: Jardim Menara

Sobre a segurança, bom, eu sempre andava ao lado do meu amigo, aí achavam que ele era meu marido/namorado então não tive muitos problemas com isso mas com as gurias que estavam conosco, se elas andavam muito na frente, sozinhas os caras já vinham conversando e tal (uma situação um pouco desconfortável).

Fiquei com muita raiva em ver eles comercializando iguanas, jabutis e lagartos no souk além é claro de querer dar um tiro toda vez que um cara judiava de um macaquinho ou cobra colocando-os em turistas.

Agora, vamos a parte mais trágica da viagem: a ida ao Jardim Menara. Nos venderam aquilo como um lugar lindo com sombra, grama e água fresca…  Andamos cerca de 2 quilômetros para chegar num lugar seco e sem grama. O pior disso tudo foi no caminho eu ter pisado em um parafuso e ele ter entrado no meu pé.

Meu amigo foi a única pessoa do grupo que permaneceu comigo nesse momento difícil da minha vida

pé, já lavado, com o buraco do parafuso.

Momento sensacionalista: meu pé, já lavado, com o buraco do parafuso.

(sentiram a emoção?) e ele fez a coisa mais linda de toda a viagem, pegou o bem mais precioso que possuíamos, a água mineral, e jogou no meu pé para lavar o machucado (vejam que pessoa linda), lembro de ter chorado e, pensando agora, acho que foi mais por ver ele jogando água mineral fora do que pelo meu pé machucado (haha). Felizmente estou vacinada e não corro risco de pegar tétano, agora o buraco já fechou e esta tudo bem (um viva: Viva!).

Teve um dia que eu fixei na minha cabeça que queria comer melancia, passamos a viagem toda buscando esse fruto, só encontramos no último dia e a compramos por 28 dihans. Chegamos no Hotel o cara da cozinha cortou para nós e comemos aquilo como se fosse a oitava maravilha do mundo. No dia seguinte, no café da manhã concluímos que, pelas poucas idas ao banheiro, nosso corpo estava tão desidratado  que absorveu toda a água da melancia, como uma esponja… achamos isso algo muito louco, afinal, foi uma melancia inteira!

Lembro que numa das últimas noites fiquei na área comum conversando com meu amigo até de madrugada e no meio da conversa ele falou: Nossa, amanhã é o último dia aqui no Marrocos. Eu soltei um: pois é; seguiu-se um minuto de silencio e do nada nós dois soltamos um sonoro: Ainda bem! (hahaha), não que o Marrocos tenha sido ruim, muito pelo contrário foi uma experiência para a vida mas nós já estávamos cansados, do calor, do barulho, da agitação e da vida, aparentemente, sem regras do souk onde sempre andávamos. Queríamos a calmaria europeia novamente e o clima também.

Torre da mesquita Kutubia, em Marrakech

Mesquita Kutubia: de onde ouvíamos as orações 

É uma cultura muito diferente, sendo assim, muito difícil de se acostumar em tão pouco tempo.

Uma das coisas mais marcantes de Marrakech eram os horários de orações, da torre da mesquita havia um alto falante que ouvia-se na cidade toda  e em horários corretos, todos os dias, a oração. A cidade inteira parava para ouvir, essa foi uma das coisas que mais marcaram a nossa estadia em Marrakech.

Marrocos, como um todo, foi sensacional, mas estou muito feliz no lado da cultura ocidental e acho que não troco tão cedo!

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2 Respostas para “Marrakech

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