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Lágrimas de Dom Quixote

21 maio

Chegando ao último destino de viagem: Madrid

Eu admito que nunca tive grande apreço pelo país “Espanha” e que acabei indo parar nele só por um acaso, porque estava dando certo e, bom… massacrando todos os meus preconceitos, foi uma das cidades mais interessantes pela qual passei neste tour.

Em Madrid visitei o Museu do Prado e o Reina Sofia vi Velázquez  de pertinho, Goya, Picasso, Dalí,

Em frente ao lago e monumento do Parque do Retiro

Parque do Retiro

Caravaggio, El Greco entre outros tantos nomes e pinturas que eu achava que nunca iria mais longe que os livros de história, arte ou que a tela de um computador. Jamais imaginei que eu veria Guernica tão de perto, quase ao alcance da mão e, ultrapassando todas as aulas de sociologia e filosofia, ela se tornou maior ali na minha frente, mais significativa.

Além dos museus visitei o Parque do Retiro, um espaço verde gigante, praticamente, atrás do Museu do Prado, e qual foi a minha sorte que, exatamente naquele dia a Orquestra Sinfônica de Madrid estava tocando em comemoração a São Isidro. Me senti muito europeia naquele momento e fiz como todos os europeus a minha volta, deitei na grama e tirei um cochilo ao som de violinos e violoncelos.

O parque é enorme, há espaço para prática de patins, pessoas andando de bicicleta, por todos os lados, o tempo todo, pessoas correndo, lendo, ouvindo música, tocando e, pasmem, ficando de biquíni e/ou sunga para tomar sol e pegar ‘aquele’ bronzeado. Quando assistia essas coisas na TV pensava sempre que eram nas cidades mais na costa do país mas isso aconteceu na capital espanhola, da qual o mar está um pouco distante.

Assim que cheguei em Madrid eu conversei com o Lucas, meu namorado, e ele pediu se eu poderia passar na Instituição de Cegos, afinal é a maior do mundo. Obviamente eu disse que faria de tudo para ir até a instituição.

Fomos no Museu do Prado na sexta feira e depois de umas 5h lá dentro eu resolvi ir procurar um dos meus amigos, ver se podíamos almoçar. Encontrei meu amigo Lucas Bispo (qual a partir de agora chamarei de Bispo) conversei com ele e resolvemos não nos separar mais, para que não nos perdêssemos. Fomos ver umas últimas obras que ambos estavam interessados e depois disso saímos do museu. Sentamos por lá na esperança que nossas amigas aparecessem, depois de 1:30h esperando decidimos sair e comer alguma coisa, voltamos para a frente do Museu com nossos lanches e mais de 1h se passou e não tínhamos notícias; disse para o Bispo que iria na Instituição de cegos e que depois retornaria para casa do nosso amigo. Solidário o Bispo resolveu me acompanhar até lá. Passamos, antes, no Starbucks para recarregar as energias e mandar uma mensagem para as meninas avisando onde estaríamos.

Fachada da ONCE

Fachada da ONCE

Quando eu e o Bispo começamos a seguir o mapa em busca da ONCE (Organização Nacional de Cegos da Espanha) não imaginávamos que um fato, pode-se dizer incomum, nos ocorreria. Nos vimos um pouco perdidos e do nada vi uns dois cegos… andamos mais um pouco e estaciona um ônibus, descem uns 4 cegos juntos. Eu e meu amigo nos olhamos e falamos “Acho que estamos no caminho certo”. Que ilusão, enquanto nós subíamos a rua eles estavam se preparando para descer. Fiquei preocupada e decidi perguntar. Suavemente, toquei o ombro de um senhor cego e perguntei, em inglês, se ele poderia me ajudar. Ele respondeu que sim e quando comecei a falar, explicar onde eu queria ir a mulher, que o acompanhava, e pelo jeito não entendia muito de inglês começou a se intrometer e atrapalhar nossa conversa perguntando, em espanhol, o que eu queria. Ficou uma confusão que ninguém mais se entendia. Felizmente meu amigo resolveu tomar partido e falou em espanhol com a senhorinha que sossegou e aí conseguimos, ele em espanhol e eu em inglês, entender que eles estavam indo para o mesmo lugar que nós procurávamos e, se quiséssemos, poderíamos acompanhá-los. Óbvio que aceitamos e foi assim que eu e meu amigo nos vimos sendo guiados por 3 cegos, dois com cães guia e um de bengala. No meio do caminho tinha uma pedra uma das mulheres, a com o cão-guia, deu-se conta que havia perdido a blusa que carregava eu e o Bispo saímos correndo fazer o caminho de volta para encontrar o suéter perdido. Encontramos, devolvemos e isso ajudou para o entrosamento com o pessoal.

Conversamos bem pouco mas eles me perguntaram o porque estávamos indo até a ONCE já que enxergamos,Eu e a Estátua de Cão guia eu respondi que queria ir até a loja para ver se havia algo que meu namorado pudesse gostar, perguntaram sobre o Lucas e eu fui respondendo a tudo, que ele também tem cão-guia, nome, raça, cor, se era brincalhão, se eu gostava dele, porque o Lucas não estava junto esse tipo de coisa. Um deles, não sei até se o Bispo ouviu isso, após o interrogatório sobre mim e meus motivos de ir até a ONCE disse: Você esta de férias em um país e cidade diferente, podendo fazer qualquer coisa, e esta indo para uma Instituição, que não tem muita coisa a oferecer para você, só porque alguém pediu? – diante da minha resposta positiva (e feliz) ele disse – Nice girl. Confesso ter ficado bem contente em ouvir aquilo pois tive a certeza que estava fazendo algo legal por alguém que eu realmente gosto.  Claro que queria que o Lucas estivesse estado junto, mas… paciência.

Chegamos na ONCE e lá me despedi dos melhores guias de Madrid, um deles, ao me abraçar fez votos ao namoro e desejou felicidades. Entrando na instituição eu comentei sobre a estátua de cão-guia e todos eles no mesmo momento falaram – Take Pictures, take pictures! (claro que obedeci).

Eu e o Bispo fomos até a loja, não tinha muita coisa, na verdade, alguns jogos, relógios falantes esse tipo de coisa que eu achei que o Lucas não iria gostar tanto.  Tinha, também, um indicador de nível de líquidos, achando-o o mais interessante eu pedi para ver, a mulher explicou como funciona e decidi levar aquele mesmo. Achei que seria o mais útil para o Lucas. Se você quiser saber mais sobre o Liquid Level Indicator é só clicar neste link aqui.

Quero deixar claro aqui que precisei e agradeço muito a ajuda do meu amigo Lucas Bispo; a mulher da loja não falava nada em inglês e só consegui ter uma comunicação mais efetiva com ela graças a ajuda do meu amigo que mandou ver no Espanhol – obrigada!

Saindo de lá percebemos que já era um pouco tarde e resolvemos voltar para casa, mas antes iríamos até a Puerta Del Sol comprar um relógio que o Bispo queria. Andamos, andamos e andamos mais um pouco até chegarmos ao centro de Madrid; achamos uma loja nerd… tirei fotos com o C3PO e com o Mestre Yoda, o Bispo comprou o relógio e, juntos, compramos uma gominha gigante, de um metro (cara, eu disse que a Espanha é tipo uma capital mundial das gominhas).

Andamos por mais váááários quilômetros até chegarmos em casa, cansados mas satisfeitos com o nosso dia.

Quando cheguei em casa liguei o Skype e minutos depois o Lucas me chamou… contei para ele o que tinha comprado e pela reação dele vi que havia acertado no presente. Que bom!

Ainda em Madrid eu tirei mais fotos com o Dom Quixote e o Sancho Pança, desta vez, uma estátua gigante Eu na frente da estátua de Dom Quixote e Sancho Pança no meio da Praça da Espanha… ai ai, nem preciso falar que fui a única a subir até a estátua e tirar fotos entre o cavalheiro e seu fiel escudeiro. Por algum motivo, entre as estátuas, me veio uma recordação de toda a história, detalhada, de Dom Quixote e de como ele lutou até o fim pela sua Dulcinéia; em meio a todas as interpretações filosóficas que se pode ter dos moinhos de vento e de tudo o mais que há no romance de Dom Quixote algumas das passagens me afloraram mais a mente quais prefiro não revelar, mas que acabei adaptando a meu próprio contexto, a minha própria vida e aí confesso que um pequeno e passageiro cisco caiu no meu olho.

Uma das frases que mais gosto, a respeito de Dom Quixote, é a seguinte: “Dom Quixote, que viveu a alegria da loucura, morre lúcido de tristeza”. Na verdade, foi essa frase que me fez ter vontade de ler Dom Quixote, anos atrás.

Infelizmente no nosso último dia pegamos uma manifestação contra o governo e não pude comer meu sanduíche de Jamón e tive que me contentar com um subway, mas tudo bem, não se pode ter tudo o que se quer nessa vida.

Durante nossa estadia em Madrid ficamos hospedados na casa de um amigo, Ricardo, qual nos tratou muito bem e a quem me sinto na obrigação de dedicar um muito obrigado, por todas as dicas, empréstimo de casa, por tudo. Valeu, cara.

Madrid foi uma cidade qual me deu dó de se despedir. É um lugar aconchegante, familiar, me senti bem em Madrid. No entanto, uma hora tínhamos que voltar à realidade e as 21:50h da noite do dia 12 de maio pegamos o trem, na estação Chamartin, com destino a nossa querida Cidade dos Estudantes e demos um Hasta la vista à capital espanhola onde encerramos nossa viagem.

Se você ainda não leu os posts anteriores clique nos links que seguem para saber como foi nossa estadia no:

Deserto

Marrakech

Toledo

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Uma resposta para “Lágrimas de Dom Quixote

  1. marcia mai

    maio 22, 2013 at 7:57 pm

    E viva a Espanha! Terra de meu avô,mais precisamente a Galícia, cidade de Vigo bem perto de Santiago de Compostela.Lugares onde tive a alegria de conhecer! Espanha, hasta la vista!

     

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