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Arquivo mensal: junho 2013

Veneza

Vamos, então ao último destino da Itália: Veneza!

Aah que cidade… linda, elegante, apaixonante e o inferno na terra de tão quente. Deuses, quem foi a alma criativa que idealizou Veneza? Por que, sério, me diz porque impossibilitar a circulação de ar na cidade inteira? Credo, nem uma brisa!

Veneza tem umas ruazinhas extremamente apertadas, com prédios por todos os lados, prédios altos e

Ruas apertadas em Veneza

Ruas apertadas em Veneza

nenhuma brechinha entre eles para possibilitar a circulação do ar resultando em um clima extremamente abafado no verão. Desculpem-me a expressão mas suávamos como porcos no matadouro de tão abafado que era e, infelizmente, não conta com a vantagem de Roma de ter bicas de água gelada por todos os lados.

Mesmo morrendo de calor nós adoramos Veneza e já demonstramos esse amor na nossa chegada. Quando nosso trem (a lá Harry Potter) parou na estação e fomos descer, um de nós três (a ética e politica de amizade não me permite falar quem) beijou o chão da estação, óbvio que os outros dois morreram de rir assim que perceberam que o “apaixonado pela terra” havia sobrevivido.

Saímos da estação e já nos deparamos com uma linda vista da cidade; como tínhamos que esperar o guichê de passagens abrir para conferir a nossa volta para Bologna para ir até o aeroporto nós ficamos esperando por cerca de 30 minutos sentados nas escadas. Nesse tempo chegou um cara, John, americano que estava se formando na High School  e estava de férias em Veneza, pelo pouco que conversamos, ele nos contou que tinha se perdido de seus amigos, sua mochila e, até, dinheiro, que estava apenas com a roupa do corpo e procurando pela praia. Ele nos contou também, que estava por lá porque a mãe dele havia expulsado ele de casa e o pai dele falou um “foda-se” para ele.  Foi extremamente compreensível entender os motivos dos pais dele afinal o piá tava fedendo a bebida e a maconha, tanto que a cada palavra íamos um pouco para o lado, nos afastando. Ele perguntou sobre o Brasil e, bom,  fomos fugindo dele, lógico, (principalmente depois que ele perguntou se tínhamos “weed”) ele me pediu mais uma vez onde era a praia eu falei que não sabia mas que ele poderia perguntar no Centro de Informações Turísticas que estava na nossa frente, a esquerda, com isso ele me disse: Não, cara, isso é para outras pessoas… eu vou onde a vida me leva. Dito isso eu falei: Tudo bem, mas nós não… nós vamos conferir nossa passagem. Tchau e espero que encontre a praia e seus amigos! – não tinha dado o horário ainda mas nem precisou falar para os outros que tínhamos que sair dali.

Já na saída da estação de trem!

Já na saída da estação de trem!

Depois de conferir nossas passagens fomos fazer o tour pela cidade. Nos perdemos por Veneza e confesso ter sido bem interessante se perder por lá. No entanto em algum momento teríamos que ir nos pontos de maior interesse, então passamos a seguir pelas ruas principais para chegar até a ponte do Canal Principal, o mercado de peixes e produtos frescos, as gondolas e até a única praça da cidade (que é colossal) a Praça de São Marcos… ooh lugar enorme e bonito!

Ficamos por lá  um tempo, aproveitamos o lugar, tiramos fotos e fomos em busca do nosso real destino: a Igreja de San Barnaba.

Ouço vozes: ai que chato, só uma igreja e blá blá blá maaas é aí que você de engana, pequeno gafanhoto, não é apenas uma Igreja, não é só mais um monumento sagrado na Itália. Essa é a igreja que aparece em Indiana Jones e a Última Cruzada (aquela que o Indiana quebra o chão, descobre um túnel  e no fim da tomada ele sai de um bueiro na praça de frente para a Igreja). Refizemos os passos do nosso caçador de relíquias e ficamos extremamente desapontados quando não conseguimos entrar na Igreja devido a uma exposição sobre Da Vinci (humpf!), mas acontece, só estar lá e ver com os próprios olhos a igreja (que no filme é uma biblioteca) já foi legal.

Enquanto procurávamos a igreja tivemos que andar muito tempo, queríamos ter pegado o vaporeto e chegar lá

Barco que o Indiana Jones usa no filme!

Barco que o Indiana Jones usa no filme!

em menos de 5 minutos mas uns pequenos problemas atrapalharam e inviabilizaram essa nossa ideia. Tudo bem, andamos e conhecemos mais um pouco de Veneza.

Depois de ver a Ponte, as gondolas, a praça e a Igreja nosso tour pela cidade das águas estava terminado e, devido o calor, resolvemos voltar para a estação de trem. Paramos para descansar e comer alguma coisa numa praça com árvores e (finalmente) um pouco de sombra… acho que ficamos lá por uma hora e meia e depois continuamos a caminhar.

Chegamos na estação e ficamos por lá esperando nosso trem com retorno para Bologna para chegarmos até o aeroporto. Nesse mesmo trem sentou um velhinho do meu lado que, achando que eu era italiana, começou a conversar… falei que não entendia, ele, então, percebeu que eu não era dali mas que falava uma língua mais ou menos compreensível para ele começou a falar mais devagar e pausado para que eu pudesse entender… queria eu, não ter entendido… o velho era meio doido, a primeira pergunta era se eu acreditava em Voodoo… eu meio que ignorei mas ele continuou falando, falando e falando, coisas sem noção até perguntou porque eu estava em Veneza sem um namorado… respondi que meu namorado estava no Brasil, por isso não veio junto. Aí ele todo espertinho: mas você não achou nenhum veneziano para substituir? – Não precisa nem falar que fiquei puta com isso né e respondi com uma baita cara amarrada, de quem acaba da chupar limão – Não, não estava a procura disso. Agora com licença que quero ler meu livro!  Ele ficou tentando ler por cima do meu ombro e ai eu virei mais o kindle, impossibilitando ele de ler e assim que o trem parou eu mudei de lugar!

Eu e o Bispo na frente da Igreja de San Barnaba!

Eu e o Bispo na frente da Igreja de San Barnaba!

Meu amigo falou, assim que me viu: Cara, Thaisa… você só atrai gente louca!

Tive que rir e soltar um: Paciência, né!

Chegamos em Bologna por volta dos 20h e ficamos por lá até dar o horário do nosso transfer para o aeroporto.
No fim das contas, percebemos que Veneza, por mais que você se perca, é uma cidade para um dia… as coisas são muito caras, por ser bem turística, mas não é um lugar que vale a pena pegar hotel e dormir lá… pode até ser bonito mas se for fazer isso eu diria para que chegasse a tarde na cidade. Nós chegamos pela manhã e quando deu 13:30h já tínhamos visto tudo que a cidade oferecia e estávamos a caminho da estação e, sim, é uma cidade romântica, talvez tivesse sido mais legal ir em casalzinho pra ficar pingando mel por lá maaaas com o calor que estava, isso não daria muito certo (haha). Acredito que Veneza é um ótimo lugar para se ir no carnaval mesmo e daí, sim, ficar um ou dois dias para aproveitar as tradições de máscaras e fantasias da cidade. Falando em máscaras elas não são tão caras assim, achamos umas muito bonitas por 15EUR, mas como nossas mochilas (e até malas para volta ao Brasil tem pouco espaço) acabamos não comprando nenhuma para não quebrar mas ficamos na vontade.

 

Para ler sobre Roma e Florença clique aqui e aqui.

 

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Florença

Antes de começar, se ainda não leu o post de Roma, clique aqui!

Aaah Florença.

Não importa a dimensão em que você se encontre sempre que alguém comentar da Itália irá falar bem da Toscana, não entendia bem o porque até ir para Florença.
Chegamos ainda pela manhã na cidade e, ao  contrário das demais, havia um centro de informações turísticas bem equipado logo na frente da estação de trem  o que facilitou a nossa vida. Não demorou muito para que saíssemos explorar a cidade. Eu e meu amigo havíamos feito um planejamento dos lugares que gostaríamos de visitar em Florença e tentamos seguir por ele.

Visitamos a Capela dos Médici, fomos até a Accademia tentar ver o Davi de Michelangelo mas, infelizmente,

Santa Maria del Fiori

Santa Maria del Fiori

o local estava fechado, nos aventuramos então até a catedral de Santa Maria del Fiori e faltou olhos para ver o tamanho daquele lugar e todos os detalhes que a catedral tinha. Lembro que a primeira coisa que falei para meu amigo foi: Cara, isso aqui parece ser construído com Lego, tem muita cor! Ele limitou-se a concordar e rir da minha observação nada peculiar.

Visitamos a Ponte Vechia e gastamos um pouquinho de tempo das estátuas das várias personalidades italianas mas confesso que apesar da beleza de todos esses lugares nosso objetivo era chegar até a igreja onde estão os túmulos de Galileu, Michelangelo, Dante e Maquiavel, andamos por horas no sol só para alcançar a igreja e nem preciso dizer que valeu muito  a pena nossa peregrinação até lá.   Dentro da igreja, enquanto observávamos o túmulo de Galileu, encontramos e conversamos com um senhor muito simpático que afirmava ser descendente de Galileu, claro que isso foi o que rendeu a pauta da conversa.

Comentei com meu amigo que a Igreja era um pouco bizarra pois tínhamos a sensação de estar pisando em corpos. As tumbas, menos importantes, ficam diretamente no chão; tudo bem se fosse só isso mas os desenhos eram, na verdade, esculturas dos corpos daqueles que estavam enterrados e na posição que foram colocados no caixão. Me senti extremamente mal quando tropecei no rosto de uma daquelas esculturas e passei a olhar para o chão a todo instante, para garantir que não iria desrespeitar mais nenhum morto. Lembro que em cada túmulo fazíamos questão de ler o que foi escrito para cada personalidade e, logicamente, a que mais nos marcou foi a de Maquiavel. Em sua tumba dizia que palavras não eram passíveis de explicar a grandeza do homem (mais ou menos isso).

Túmulo do Maquiavel

Túmulo do Maquiavel

Além dos lugares visitados, que foram ótimos, outras coisas fizeram de Florença uma queridinha. Comemos muito bem por lá… comidas extremamente saborosas e nem pagamos tão caro por isso e tomamos um vinho que nos fez entender o porque italianos gostam tanto de tomar vinho nas refeições. O vinha limpava nossa boca e deixava tudo pronto para que sentíssemos perfeitamente o sabor do próximo alimentou que iriamos experimentar, além de harmonizar tudo muito suavemente. Definitivamente, italianos sabem comer muito bem!

Já no final da tarde resolvemos pedir um sorvete. Achamos uma sorveteria que tinha, no mínimo, 12 sabores diferentes. Eu sou uma pessoa de gosto duvidoso para as coisas e gosto de provar coisas diferentes, dito isso eu resolvi pedir um sorvete de chocolate com pimenta malagueta. Oooook, o moço da sorveteria, todo amor, me deu uma colherinha para que eu pudesse provar antes. Senti a pimenta e disse que queria… ele me mandou esperar, começou a arder e a queimar minha boca, não sabia se eu estava comendo algo gelado ou quente, eu disse: Nossa, isso é sensacional, pode colocar, eu quero sim! O moço da sorveteria pediu se eu tinha certeza, disse que sim, ele ficou me encarando com uma cara de quem diz: Como, você quer? – eu afirmei para ele que queria e ele continuava com cara de tacho… meu amigo resolveu intervir e disse: Ela quer mesmo… deixa!

Enfim o cara da sorveteria cedeu e me serviu com sorvete de chocolate e pimenta malagueta… escolhi outros dois sabores mais leves para balancear mas aquela pimenta, ainda causa saudades. Dei para meu amigo provar uma colherinha e não é nem preciso dizer que ele detestou… azar o dele, estava muito bom!

Depois de passar o dia no centro histórico da cidade de Florença nos dirigimos até próximo da estação de trem, de onde nosso trem sairia as 01:47 da manhã.

Aqui as coisas começam a ficar estranhas e a partir daqui que passamos a descobrir que pessoas boas ainda existem. Encontramos uma praça, próxima da estação e sentamos por lá para descansar um pouco, isso devia ser umas 20h (ainda tinha sol, escurece lá pelas 21:30h por lá) enquanto descansávamos surgiu um cara que ficou nos olhando, deitou num banco da praça e ficou por lá. Já descansados fomos até um mercado comprar alguma coisa para comer e estávamos indo para a estação de trem, para esperar por lá. Quando deu umas 22h nós entramos em um café e ficamos por lá mais ou menos até o local fechar, voltamos para a estação sentamos lá e ficamos. Com o tempo o cara que vimos na praça apareceu na estação e nos reconheceu, ficou encarando. Eu e meu amigo já ficamos muito atentos pois achamos estranho e a menina que estava com a gente não notou e continuou falando. Minutos depois entram mais uns três caras, nos encaram, analisam e saem… o da praça entra novamente. Falei para meu amigo que estava achando estranho ele concordou e achamos melhor sair dali. Fomos até um restaurante, bem chique, que estava próximo a estação. Ficamos perto do local conversando e decidindo o que fazer. Eu e meu amigo não queríamos voltar para a estação uma vez que estávamos com medo. Enquanto conversávamos o cara, da praça, passou por nós e ficou encarando mais ainda; comentei com o Bispo (meu amigo) que se fossemos sair de lá não podia ser a pé, se o cara queria fazer alguma coisa ele ficaria nos esperando nas outras quadras, o Bispo concordou e então nós dois fomos, super nervosos, conversar com as garçonetes e com o dono do restaurante. Eles tentaram nos acalmar e então ouviram, atentamente, o que estava acontecendo… depois de explicar o dono do restaurante foi muito amor conosco, falou que podíamos ficar ali mas que eles fechariam em breve, visto que isso não ajudaria ele chamou um táxi para nos levar em algum pub onde pudéssemos ficar. Agradecemos ele, tanto quanto podíamos e esperamos pelo taxi. Chegamos no pub e lá conversamos, mais uma vez com o dono, ele foi ainda mais gente boa que o primeiro. Falou que poderíamos ficar no bar o tempo necessário, que quando desse o horário ele chamaria o taxi para nos levar para a estação. Ele nos deixou ficar sentados no bar o tempo todo (na Itália eles cobram a mais se você sentar nos lugares, ele não nos cobrou) e toda hora que passava por nós perguntava se estávamos bem, confirmava o horário do nosso trem, se precisávamos de alguma coisa, o cara, se preocupou muito com a gente e isso foi legal demais. Quando deu o horário ele chamou um taxista, que falava um pouco de inglês, falou onde tínhamos que estar e horário do trem. Agradecemos muito o dono do pub e entramos no táxi.

Explicamos para o taxista o que estava acontecendo e ele deu toda a atenção para o que falávamos e tentou nos acalmar. Chegamos na estação e já haviam outros passageiros esperando o trem o que fez com que ficássemos tranquilos; agradecemos o taxista e fomos para nossa plataforma.

Contando assim as coisas parecem muito simples mas não sei se eu seria capaz de, num texto tão curto,

Na estação de trem, já a salvos!

Na estação de trem, já a salvos!

expressar o desespero que passamos e, para ajudar, tivemos um problemas internos que só pioraram toda a situação. Depois de tudo isso quando chegamos na estação suspiramos aliviados… Falei para o Bispo que uma coisa era certa, se depois dessa viagem não ficássemos amigos, teríamos que desistir porque não tinha jeito. Continuamos bons amigos, acho que melhores depois da viagem!

Nosso trem atrasou vinte minutos mas quando chegou ele era igualzinho ao trem do Harry Potter, o que foi nossa diversão, e chegamos com segurança em Veneza umas 4h depois.

Apesar dos pesares não tenho nada de ruim para falar de Florença. Imprevistos acontecem em qualquer lugar e Florença foi muito maior que qualquer medo que tenhamos passado.  Confesso, no entanto, que sobre Florença, me lembrarei muito mais da gentileza com que fui tratada do que por qualquer outra coisa… se algum dia eu retornar a Florença, acredito que farei questão de ir até o Restaurante PortoFino e ao Bar Caffé Antico Beccaria Paninoteca… certamente as pessoas não se lembrarão de mim mas eu lembrando que eles foram legais comigo já será o suficiente.

 

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Roma, a cidade eterna!

Saudações, leitores!

Hoje é mais um dia de post no blog, desta vez sobre a viagem para a Itália!

Antes de começar eu gostaria de falar que está sendo um pouco estranho escrever sobre uma viagem para Itália em meio a tudo isso que vem acontecendo no Brasil.  Se eu estivesse em terras brasileiras tenho certeza que estaria metida no meio dos protestos de Curitiba e nem passaria pela minha cabeça uma viagem para a Itália, mas como eu estou tão longe do Brasil e já estava na Itália quando os protestos começaram não posso fazer muita coisa a não ser contar para vocês como foi a visita na Itália.

A viagem para a Itália começou no dia 14/06 quando embarcamos em Porto com destino a Bologna.  Vou dividir os posts por cidade, para ficar mais organizado.

Chegamos em Bologna por volta as 18h e aí demos uma passeada pela cidade e provamos um tagliatelle a bolonhesa… ele não estava tão bom assim mas acho que isso foi mais por termos criado muitas expectativas para o prato.  Nosso trem para Roma saia na madrugada do dia seguinte então ficamos em um  barzinho até dar o horário de saída…. foi uma noite muuuuuiito longa.

Chegamos em Roma bem cedo e fomos direto procurar o nosso hostel. Achamos e, cara, o lugar era

Coliseu a noite

Coliseu a noite

inabitável, para vocês terem uma ideia nem o responsável do lugar estava lá, eu e meu amigo conversamos com os outros hóspedes do local que nos explicaram como funcionava. Depois de ouvir eu aproveitei que ninguém além de nós entendia a nossa língua e falei: eu não fico aqui… vamos embora!
Agradecemos as meninas e nos retiramos o mais rápido que conseguimos, já na rua decidimos procurar um outro local para dormir. Achamos um hostel muito bom e que estava apenas 7EUR mais caro do que iríamos pagar no primeiro, ficamos por lá mesmo. Eu e meu amigo dividimos quarto com um francês, um iraniano, duas chinesas e uma americana. Conversamos com os dois meninos sobre a vizinhança e eles nos aconselharam a não ficar na rua até mais tarde, o que se tornou um problema pois nossa ideia era que não pegaríamos hostel novamente e esperaríamos o trem na estação.  Conversamos com o responsável pelo hostel e ele falou a mesma coisa, que não deveríamos arriscar ficar tão tarde na rua. Eu e meu amigo decidimos que ficaríamos mais uma noite no hostel… não houve nem discussão, porém viajamos em três pessoas e tínhamos que convencer essa terceira a aceitar isso, foi um pouco mais complicado por diversas variáveis mas acabamos todos dormindo, confortavelmente e seguros, no hostel por mais uma noite.

Pantheon

Pantheon

O passeio por Roma foi incrível, no primeiro dia estava muito quente e quase não havia sombra onde nos abrigássemos mas, felizmente, Roma conta com inúmeras fontes de água potável e gelada por toda a cidade o que não permite sede e dá uma ajudada no calor. Na cidade eterna conheci o Coliseu, Fórum Romano, Pantheon, Fontana di Trevi e muitas outras coisas lindas só possíveis de serem vistas naquele museu a céu aberto que é Roma.

Fomos ao Vaticano e assistimos uma missa com o próprio Papa, não preciso nem dizer que nos divertimos mais do que oramos nessa missa. Uma das coisas mais legais que achei é que a missa é rezada em vários idiomas diferentes, o que a torna muito mais interessante que qualquer outra missa. Saímos do Vaticano e era umas 14h por aí, voltamos para o Hostel decidir umas últimas coisas e eu decidi que não queria ficar num Hostel quando eu podia conhecer Roma…. convidei a galera; meu amigo decidiu ir comigo e a menina que viajava conosco achou melhor ficar e descansar um pouco. Quando o sol baixou um pouco saímos para ver mais uma vez o Coliseu, Vitoriali e as demais atrações de Roma. Nesse dia, no entanto, o meu objetivo era chegar até a Piazza del Popolo, não sei porque mas algo me dizia para ir até lá. Chegamos na Praça e estava tendo a comemoração de 50 anos de uma empresa e eles haviam chamado uma orquestra que estava tocando apenas temas de filme. Assim que chegamos fomos recepcionados com a trilha sonora de Cinema Paradiso, obviamente eu e meu amigo sentamos no chão da praça e ficamos por lá só ouvindo a orquestra, antes da viagem eu e o Bispo (meu amigo) decidimos que o tema da viagem seria a trilha de poderoso chefão então vocês já podem imaginar a nossa emoção quando a orquestra começa com os primeiros acordes do Padrinho… claro que nos atrapalhamos todos mas conseguimos gravar a orquestra tocando! lol

Depois disso subimos em uma colina que dava uma vista panorâmica de Roma… era por do sol e aquela

Vista da Cidade

Vista da Cidade

cidade nunca foi tão encantadora.

Em Roma eu experimentei uma pizza que não consigo nem explicar o quão bom aquilo era. A cada mordida eu e o Bispo fazíamos um comentário a respeito da massa, textura, gosto do tomate, molhos… tudo, estava tão gostosa que eu poderia ter comido mais meio metro daquela pizza sem reclamar (lá as pizzas de rua são retangulares e você compra por metro), depois daquilo senti vontade de nunca mais escovar os dentes; além da pizza experimentei um sorvete de chocolate amargo com frutas do bosque, o sorvete de chocolate era preto e o de frutas do bosque tinha uma cor de vermelho sangue e o sabor de cada um era muito bom mas os dois juntos…. eram os dois juntos e só; comemos, também napolitani de chocolate, um sabor bem diferente mas muito bom e eu, num momento eufórico resolvi comprar uma badeja inteira de tomates para come-los, aqueles tomates tinham mais gosto de ameixas do que de tomates e eram incrivelmente bons (pena que não podia transportar no avião)… no último passeio por Roma eu e o Bispo vimos uma banquinha de frutas e elas eram tão apetitosas que resolvemos comprar, ele ficou com uma fatia de melancia e eu com uma laranja, daquelas que dá pra descascar com as mãos. A melancia parecia menos aguada que a brasileira o que foi um ponto negativo mas estava tão docinha que nem houve muitos comentários sobre isso, já a laranja estava doce e com muito néctar. Alguma coisa, de muito bom, acontece com as frutas e legumes da Itália, aliás com todos os alimentos da Itália, eles se transmutam em algo dos deuses.

Centro do Império Romano

Centro do Império Romano

Roma foi algo meio surreal, tudo aquilo que estudamos na escola estava diante dos nossos olhos, era difícil imaginar que estávamos andando no meio do que, antes, foi o centro de um império. Em alguns momentos eu lembro que falava, não sei se sozinha ou para meus amigos: “Cara, a professora Odila falou daquilo, na quinta-série!!!”; a história que minha professora explicou há anos atrás estava toda fresca na minha memória e a voz dela parecia ecoar na minha cabeça falando do Império Romano, inundação do Tibre e tudo mais que aprendi sobre Roma. Agradeci, mentalmente, a ela por gostar tanto do que estuda e ter passado o conhecimento tão bem para nós, alunos, a ponto de eu lembrar dos detalhes e ter aproveitado ainda mais a cidade e percebido os diferenciais de Roma, por não ter ficado só com a paisagem e ter sido capaz de entender a história por trás das ruínas daquela cidade.

No fim da viagem de Roma eu e o Bispo chegamos a conclusão que não importa quantos lugares você visite… se conhecer Roma, principalmente ao entardecer, ela toma seu coração e não devolve mais.

Já de volta no hostel eu aproveitei as últimas horas em Roma para tomar um banho entrar na internet e dormir… o trem para Florença saia as 06:50h do dia seguinte e tinha que acordar cedo, mas isso é história para outro post.

 

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Feira Medieval de Coimbra!

Olá queridos leitores deste humilde blog.

Hoje, aqui em Coimbra, ocorreu uma Feira Medieval e lógico que eu estive presente.

gavião voando para o braço do adestrador

Gavião voando para o braço do adestrador! (foto: Lucas Bispo)

A Feira, em si, começou as 09:00h com uma missa em honra a Santa Maria de Coimbra na Igreja da Sé Velha; o diferencial desta missa era um coral de Canto Gregoriano que, apesar do mal humor do padre, conseguiu deixar a cerimônia interessante. Saindo da missa todos os artistas, que estavam a caráter, se reuniram nas escadas da Igreja para que fosse dada a Inauguração da Feira. Após a leitura de um pergaminho, citando o nome do prefeito e do presidente da câmara, o padre benzeu a todos e a Feira Medieval de Coimbra estava, oficialmente, aberta.
A primeira apresentação foi uma luta entre cavalheiros que foram, previamente, saudados pelas autoridades da Feira e encorajados por uma oração, em latim, do padre (que nesse momento já era um ator). A Feira ainda contou com a perambulação de um mendigo, um senhor que guiava um burrico, venda de galinhas, gansos e coelhos (vivos), domadores de serpentes, adestrador de gaviões, saltimbancos e bandas de diferentes estilos musicais.

Não preciso nem dizer que eu adorei toda essa movimentação, as fantasias eram muito bem feitas e o ambiente foi bem arrumado para que nos sentíssemos numa época distante. Além dos atores ainda contávamos com a gastronomia típica da época, carnes sendo feitas de maneira rudimentar, pães enormes sendo divididos estranhamente, copos e jarros de barro e doces, especialmente, cheirosos. Obviamente que, por mais que quisessem imitar os hábitos medievais, os padrões de higiene se mantiveram condizentes com a nossa época o que nos tranquilizou bastante e nos incentivou a almoçar por lá mesmo!

Felizmente as coisas não estavam caras e pudemos experimentar de tudo um pouco.  Meu primeiro prato foi carne de porco assada na brasa, temperada com uma espécie de caldo de legumes e temperos colocados sobre uma broa. Eu estava com tanta fome que aquilo me pareceu um banquete dos deuses, mas acho que, mesmo que não estivesse tão esfomeada, ainda iria achar aquele “antecessor do sanduíche” gostoso.  Mas só isso ainda era muito pouco para um almoço o que fez eu e meus amigos irmos atrás de outro prato típico, achamos um que vendia sardinha assada, também na brasa, em cima de um pão… essa comida é algo bem típico aqui em Portugal e queríamos experimentar o que fez com que eu e meu amigo comêssemos é que no primeiro livro de Guerra dos Tronos o personagem do Tyrion pede, para a empregada Stark, dois peixes assados para o café da manhã e pão para acompanhar, isso foi, basicamente, o que nos fez decidir por comer o pão com sardinha hoje na Feira e estava bom mas peixe, como sabemos, não é nem um pouco fácil de comer. Eu não sei se foi meu instinto de sobrevivência ou que mas tive a ideia de comer toda a carne da parte de cima da sardinha e depois puxar a cauda que trouxe consigo toda a espinha do peixe e a cabeça… isso fez com que eu conseguisse desfrutar pacientemente da minha refeição enquanto meu amigo lutava com os espinhos da sardinha do meu lado. Depois da sardinha comemos uns biscoitos, deliciosos, de chocolate que meu amigo levou e assistimos mais algumas apresentações.

eu segurando uma cobra python

Eu segurando uma das cobras que tinha na Feira. (foto: Lucas Bispo)

Depois de um tempo resolvemos sair a cata de algo doce para comer e achamos um bolinho de massa de pão embebido em mel canela e açúcar; alguma dúvida que pegamos esse?, apenas um para dividir em dois porque ficamos com medo de ser doce demais, no fim ele não era tão doce e sentimos falta de maçã picada, como recheio. O bolinho era muito bom mas devido a pouca quantidade fomos atrás de mais doces e achamos um outro bolinho feito inteiramente com amêndoas, caaaaaara, que coisa de Deus era aquela? A massa era feita com amêndoas… aquilo eram amêndoas açucaradas e não tinha outra explicação era bom e ponto.  Compramos cerveja artesanal e vinho, ambos vinham em copos de barro… pagamos um pouco mais caro mas pudemos ficar com os copinhos!  Andamos um pouco pelo local tiramos fotos com cobras, passamos a mão nelas e enchemos o cara que a estava segurando com perguntas… acho que ele ficou feliz em responder e nós satisfeitos demais com a explicação.

Quando deu umas 17h eu já não aguentava mais ir para cima e para baixo e minhas pernas doíam demais, assistimos a última apresentação de um grupo com gaita de fole e mais uns instrumentos, achamos um último doce interessante, que vinha numa folha que nos lembrava muito Hobbits e voltamos para casa.

A Feira de hoje foi muito divertida e fiquei muito feliz por ter participado. Todos que estavam por lá se envolveram com o ambiente e encarnaram seus papéis medievais, gritavam para chamar clientes, interagiam com os atores, dançavam ao som da música e aplaudiam cada simples apresentação. Foi muito legal ver um ambiente onde todos estavam entusiasmados com aquilo que faziam… e o entusiasmo era tanto que nem a chuva nos fez desanimar. Como foi comentado essa feira foi uma ótima contribuição para o último mês de intercambio.

Eu, Lucas e Victor

Amigos de Intercâmbio carregam na mochila todas as histórias que vão virar saudade.

 

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