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Florença

24 jun

Antes de começar, se ainda não leu o post de Roma, clique aqui!

Aaah Florença.

Não importa a dimensão em que você se encontre sempre que alguém comentar da Itália irá falar bem da Toscana, não entendia bem o porque até ir para Florença.
Chegamos ainda pela manhã na cidade e, ao  contrário das demais, havia um centro de informações turísticas bem equipado logo na frente da estação de trem  o que facilitou a nossa vida. Não demorou muito para que saíssemos explorar a cidade. Eu e meu amigo havíamos feito um planejamento dos lugares que gostaríamos de visitar em Florença e tentamos seguir por ele.

Visitamos a Capela dos Médici, fomos até a Accademia tentar ver o Davi de Michelangelo mas, infelizmente,

Santa Maria del Fiori

Santa Maria del Fiori

o local estava fechado, nos aventuramos então até a catedral de Santa Maria del Fiori e faltou olhos para ver o tamanho daquele lugar e todos os detalhes que a catedral tinha. Lembro que a primeira coisa que falei para meu amigo foi: Cara, isso aqui parece ser construído com Lego, tem muita cor! Ele limitou-se a concordar e rir da minha observação nada peculiar.

Visitamos a Ponte Vechia e gastamos um pouquinho de tempo das estátuas das várias personalidades italianas mas confesso que apesar da beleza de todos esses lugares nosso objetivo era chegar até a igreja onde estão os túmulos de Galileu, Michelangelo, Dante e Maquiavel, andamos por horas no sol só para alcançar a igreja e nem preciso dizer que valeu muito  a pena nossa peregrinação até lá.   Dentro da igreja, enquanto observávamos o túmulo de Galileu, encontramos e conversamos com um senhor muito simpático que afirmava ser descendente de Galileu, claro que isso foi o que rendeu a pauta da conversa.

Comentei com meu amigo que a Igreja era um pouco bizarra pois tínhamos a sensação de estar pisando em corpos. As tumbas, menos importantes, ficam diretamente no chão; tudo bem se fosse só isso mas os desenhos eram, na verdade, esculturas dos corpos daqueles que estavam enterrados e na posição que foram colocados no caixão. Me senti extremamente mal quando tropecei no rosto de uma daquelas esculturas e passei a olhar para o chão a todo instante, para garantir que não iria desrespeitar mais nenhum morto. Lembro que em cada túmulo fazíamos questão de ler o que foi escrito para cada personalidade e, logicamente, a que mais nos marcou foi a de Maquiavel. Em sua tumba dizia que palavras não eram passíveis de explicar a grandeza do homem (mais ou menos isso).

Túmulo do Maquiavel

Túmulo do Maquiavel

Além dos lugares visitados, que foram ótimos, outras coisas fizeram de Florença uma queridinha. Comemos muito bem por lá… comidas extremamente saborosas e nem pagamos tão caro por isso e tomamos um vinho que nos fez entender o porque italianos gostam tanto de tomar vinho nas refeições. O vinha limpava nossa boca e deixava tudo pronto para que sentíssemos perfeitamente o sabor do próximo alimentou que iriamos experimentar, além de harmonizar tudo muito suavemente. Definitivamente, italianos sabem comer muito bem!

Já no final da tarde resolvemos pedir um sorvete. Achamos uma sorveteria que tinha, no mínimo, 12 sabores diferentes. Eu sou uma pessoa de gosto duvidoso para as coisas e gosto de provar coisas diferentes, dito isso eu resolvi pedir um sorvete de chocolate com pimenta malagueta. Oooook, o moço da sorveteria, todo amor, me deu uma colherinha para que eu pudesse provar antes. Senti a pimenta e disse que queria… ele me mandou esperar, começou a arder e a queimar minha boca, não sabia se eu estava comendo algo gelado ou quente, eu disse: Nossa, isso é sensacional, pode colocar, eu quero sim! O moço da sorveteria pediu se eu tinha certeza, disse que sim, ele ficou me encarando com uma cara de quem diz: Como, você quer? – eu afirmei para ele que queria e ele continuava com cara de tacho… meu amigo resolveu intervir e disse: Ela quer mesmo… deixa!

Enfim o cara da sorveteria cedeu e me serviu com sorvete de chocolate e pimenta malagueta… escolhi outros dois sabores mais leves para balancear mas aquela pimenta, ainda causa saudades. Dei para meu amigo provar uma colherinha e não é nem preciso dizer que ele detestou… azar o dele, estava muito bom!

Depois de passar o dia no centro histórico da cidade de Florença nos dirigimos até próximo da estação de trem, de onde nosso trem sairia as 01:47 da manhã.

Aqui as coisas começam a ficar estranhas e a partir daqui que passamos a descobrir que pessoas boas ainda existem. Encontramos uma praça, próxima da estação e sentamos por lá para descansar um pouco, isso devia ser umas 20h (ainda tinha sol, escurece lá pelas 21:30h por lá) enquanto descansávamos surgiu um cara que ficou nos olhando, deitou num banco da praça e ficou por lá. Já descansados fomos até um mercado comprar alguma coisa para comer e estávamos indo para a estação de trem, para esperar por lá. Quando deu umas 22h nós entramos em um café e ficamos por lá mais ou menos até o local fechar, voltamos para a estação sentamos lá e ficamos. Com o tempo o cara que vimos na praça apareceu na estação e nos reconheceu, ficou encarando. Eu e meu amigo já ficamos muito atentos pois achamos estranho e a menina que estava com a gente não notou e continuou falando. Minutos depois entram mais uns três caras, nos encaram, analisam e saem… o da praça entra novamente. Falei para meu amigo que estava achando estranho ele concordou e achamos melhor sair dali. Fomos até um restaurante, bem chique, que estava próximo a estação. Ficamos perto do local conversando e decidindo o que fazer. Eu e meu amigo não queríamos voltar para a estação uma vez que estávamos com medo. Enquanto conversávamos o cara, da praça, passou por nós e ficou encarando mais ainda; comentei com o Bispo (meu amigo) que se fossemos sair de lá não podia ser a pé, se o cara queria fazer alguma coisa ele ficaria nos esperando nas outras quadras, o Bispo concordou e então nós dois fomos, super nervosos, conversar com as garçonetes e com o dono do restaurante. Eles tentaram nos acalmar e então ouviram, atentamente, o que estava acontecendo… depois de explicar o dono do restaurante foi muito amor conosco, falou que podíamos ficar ali mas que eles fechariam em breve, visto que isso não ajudaria ele chamou um táxi para nos levar em algum pub onde pudéssemos ficar. Agradecemos ele, tanto quanto podíamos e esperamos pelo taxi. Chegamos no pub e lá conversamos, mais uma vez com o dono, ele foi ainda mais gente boa que o primeiro. Falou que poderíamos ficar no bar o tempo necessário, que quando desse o horário ele chamaria o taxi para nos levar para a estação. Ele nos deixou ficar sentados no bar o tempo todo (na Itália eles cobram a mais se você sentar nos lugares, ele não nos cobrou) e toda hora que passava por nós perguntava se estávamos bem, confirmava o horário do nosso trem, se precisávamos de alguma coisa, o cara, se preocupou muito com a gente e isso foi legal demais. Quando deu o horário ele chamou um taxista, que falava um pouco de inglês, falou onde tínhamos que estar e horário do trem. Agradecemos muito o dono do pub e entramos no táxi.

Explicamos para o taxista o que estava acontecendo e ele deu toda a atenção para o que falávamos e tentou nos acalmar. Chegamos na estação e já haviam outros passageiros esperando o trem o que fez com que ficássemos tranquilos; agradecemos o taxista e fomos para nossa plataforma.

Contando assim as coisas parecem muito simples mas não sei se eu seria capaz de, num texto tão curto,

Na estação de trem, já a salvos!

Na estação de trem, já a salvos!

expressar o desespero que passamos e, para ajudar, tivemos um problemas internos que só pioraram toda a situação. Depois de tudo isso quando chegamos na estação suspiramos aliviados… Falei para o Bispo que uma coisa era certa, se depois dessa viagem não ficássemos amigos, teríamos que desistir porque não tinha jeito. Continuamos bons amigos, acho que melhores depois da viagem!

Nosso trem atrasou vinte minutos mas quando chegou ele era igualzinho ao trem do Harry Potter, o que foi nossa diversão, e chegamos com segurança em Veneza umas 4h depois.

Apesar dos pesares não tenho nada de ruim para falar de Florença. Imprevistos acontecem em qualquer lugar e Florença foi muito maior que qualquer medo que tenhamos passado.  Confesso, no entanto, que sobre Florença, me lembrarei muito mais da gentileza com que fui tratada do que por qualquer outra coisa… se algum dia eu retornar a Florença, acredito que farei questão de ir até o Restaurante PortoFino e ao Bar Caffé Antico Beccaria Paninoteca… certamente as pessoas não se lembrarão de mim mas eu lembrando que eles foram legais comigo já será o suficiente.

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