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Latíbulo

Acordei sufocada. As mãos doloridas como se tivesse que fazer alguma coisa para que elas não explodissem, pulei da cama comecei a me mexer, arrumei a cama, lavei louça, limpei a casa, costurei roupas, fiz de tudo para manter minhas mãos ocupadas demais para que não doessem novamente… nada adiantava, elas continuavam doendo, tremendo e me atormentando.

Comecei a ficar preocupada, fiz massagem, busquei pomadas, cheguei ao ponto de ir no hospital. O médico disse que não havia nada a fazer, apenas esperar a dor passar, afinal, eu estava complemente normal;  com a saúde mais firme que barras de adamantium.

Meu desespero durou dois dias, depois disso começou a piorar. Minha cabeça incomodava, eu sentia enxaquecas insuportáveis e o  mundo começou a girar, girar, girar…. até se transformar no tapete almofadado, que mantenho impecavelmente limpo, na sala de minha casa. Não me lembro por quanto tempo eu dormi ( ou desmaiei, como preferir) só lembro de acordar e as dores perdurarem em meu corpo como se eu tivesse levado uma surra digna de filmes de heróis. Nesse momento minha língua tornou-se apenas um fiapo, como se alguma coisa tivesse diminuído suas qualidades, tomei litros de água e não sabia mais o que fazer.

Deitei no sofá e liguei a TV… pra que fui fazer uma coisa dessas? Meus órgãos pareceram se revoltar contra mim, eu sentia eles se deslocando e voltando rapidamente aos seus lugares para provocar cólicas. Meu cérebro parecia gelatina sendo transportada em cima de um trator ele parecia mexer e impedia que os pensamentos saíssem condizentes um com os outros.  Desliguei a TV e me arrastei até o quarto, lá eu fiquei por horas, apenas tentando entender o que estava acontecendo comigo, acabei adormecendo.

A campainha tocava, eu não queria me levantar para atender, o som parecia cada vez mais estridente, ainda assim resisti a vontade de mandar a pessoa que estaria a porta ir e só deixei que o som fosse abafado pelo mundo dos sonhos. Infelizmente a danada da campainha foi insistente e, contrariando todos os meus desejos de que ela tivesse estragado, tocou mais uma vez, e outra e mais outra… levantei.

Ao abrir a porta, a vizinha do sexto andar, olhava para mim com olhos cansados de quem já viu muita coisa nessa vida e que não espera ver muito mais. Ela, apoiada em sua bengala cor de sangue, simpaticamente, abriu um sorriso e me disse com toda a simplicidade do mundo:

–       Não se pode alimentar com qualquer coisa uma alma que é feita de palavras, minha querida.

Ela preparava-se para sair quando compreendi que não havia entendido absolutamente nada do que ela tinha falado, convidei para entrar, ofereci um chá…. coisas que ela, educadamente, recusou.

Desconheço  o verdadeiro motivo do porque a abracei e, chorando, pedi que me explicasse o significado de suas palavras (talvez, porque naqueles olhos cansados eu tenha visto uma esperança para minha situação, mas jamais saberei).

Como uma avó ela me acolheu no seu abraço e falava, incansavelmente:

–       Você só precisa de algumas palavras, meu amor. E eu sei que você vai encontra-las.

Soltou-me e futricou agilmente na sua bolsa cor de caramelo; de dentro dela tirou um pequeno dicionário e disse:

–       Talvez isso ajude-a a começar.

Eu me entreti com o dicionário, pelo que me pareceram alguns segundos, e esqueci de agradecer, quando dei por mim ela já havia ido embora.

A principio o dicionário me pareceu um souvenir estranho para se dar a alguém principalmente porque ele não era de uma língua só, nele haviam várias palavras de várias línguas e o significado de cada uma delas, expressões também faziam parte de seus verbetes, o que me deixou confusa em um primeiro momento mas não demorou muito para perceber que eu devia ler o pequeno presente.

Folheei o dicionário como se fosse o livro de aventura mais interessante que já li, fechei os olhos e, ao acaso, escolhi uma palavra. Ao ler a palavra latíbulo, que significa: esconderijo, retiro, lugar de segurança e conforto, dei conta, mais uma vez, de meu corpo e meus pensamentos. Eu não estava mais confusa e muito menos dolorida e foi então que compreendi o que a minha, simpática, vizinha do sexto andar quis dizer: Palavras!

Uma alma composta por palavras deve ser, sempre, alimentada com palavras, senão fica velha, carrancuda… sofre. Sofre os males que sofrem aqueles cujas palavras limitam-se a placas, avisos e legendas de TV.

Guardei meu dicionário, onde guardo as coisas importantes, e tratei de ir alimentar-me com as palavras que eu pudesse encontrar e, enfim, encontrei, nas páginas de um romance, perseguida por ogros e um leprechaun, o meu, agora tão estimado latíbulo.

 
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Publicado por em setembro 4, 2013 em Livros, Uncategorized, Vida Besta

 

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Coelho à moda do condado

Olá pessoas…

Hoje eu resolvi abrir meu coração de forma positiva; vocês aguentam meus posts lamuriados e reclamações infinitas, nada mais justo que eu proporcione umas boas risadas, com minhas peripécias, para vocês de vez em quando.

Para começar queria agradecer, do fundo do meu coração, ao meu namorado Lucas Radaelli pelo auto-controle, por ter guardado o acontecimento, que vou descrever a seguir,  para si, ao meu pedido, é claro. Enfim, conhecendo-o como o conheço tenho certeza que aqueles dedinhos finos e ágeis coçaram para digitar no Twitter toda história que vem  a seguir e render uns comentários, um tanto quanto maldosos (creio eu) dos seguidores. Muito obrigada, querido!

Bom, vamos partir do principio. Eu, assim como a maioria de vocês, gosto muito de Senhor dos Anéis e assim como a maioria de vocês quero experimentar tudo o que o filme e o livro mostram, inclusive as receitas.

Foi nessa de querer experimentar as receitas de O Senhor dos Anéis que eu comprei um coelho inteiro para fazer quando o Lucas viesse passar um tempo comigo em Coimbra.

Assim como eu vocês devem ter conhecimento de um Vlog chamado Cozinha de Jack onde o cara ensina  a fazer umas receitas muuuito legais e gostosas. Não foi a primeira vez que fiz uma das receitas do Jack, pelo contrário. No entanto, foi a primeira vez que fiz uma das receitas do Jack mas com ele cozinhando junto com o Jovem Nerd e o Azaghal e a receita era, justamente, Coelho à moda do condado.
Pois bem, eu já sei como funciona o Cozinha de Jack então dei play no vídeo e comecei os preparativos, tudo ia bem até a parte de cortar o pobre coelho… cara, me deu um dó.
Isso é o de menos, eu teria aguentado muito firme afinal o Lucas estava do meu lado e se ele suspeitasse da minha fragilidade naquele momento eu sabia que, pelo resto da noite, pelo menos, minha fraqueza seria lembrada. Maaaaaas eu não contava com a astúcia do Jovem Nerd (se não me falha a memória), quando eu estava prestes a decapitar o pequeno mamífero ele falou e mostrou o que foi minha ruina:

–       Sempre que você pensar em comer coelho, fique com essa imagem na sua cabeça…

Surge, então, na tela vários coelhinhos roendo cenouras e couve.

Eu me senti a maior filha da puta da história, o que foi piorado quando ecoaram alguns ‘crocs, crec, crec’ dos pequenos ossinhos se desfazendo, devido a pressão exercida pela faca que eu tinha na minha mão.  E foi, exatamente nessa hora que eu comecei a chorar.

Sim, caros amigos, eu comecei a chorar desesperadamente ao cortar o coelho e devo ter dado um soluço alto o suficiente para fazer o Lucas tirar seus fones de ouvido, largar os seus infinitos tweets e perguntar o que havia acontecido. Eu até tentei explicar mas acho que ele só entendeu “ eu…. matando… coitadinho…. coelho”; então ele falou: é só um coelho Thata, vamos lá você consegue. Venha cá pra eu te dar um abraço.

Confesso que o abraço ajudou a me recuperar mas no fundo do meu coração brotou uma florzinha de rancor por ele estar lendo o Twitter enquanto eu, brutalmente, preparava nosso jantar, por ele não se oferecer para terminar o esquartejamento do bichinho, enfim, por ele se abster dos momentos difíceis da vida a dois (cara, ficou dramática essa parte); bom, dois minutos depois eu já estava toda querida, perguntando para ele se ele queria um pouco de coca-cola porque eu estava indo me servir de suco de maçã; todo o rancor que eu, um dia, senti foi levado com as palavras: Aah, eu quero sim amor, obrigado.

Passada a fase crítica eu terminei o preparo do coelho e coloquei no forno… após algum tempo o jantar estava pronto e nós fomos experimentar o pobre coelho; eu só senti pena até dar a primeira mordida porque, na boa, ficou muito bom; então comecei a pensar que o coelho havia morrido por uma causa nobre, ser o prato principal de um delicioso jantar, afinal, existe honra maior, para um coelho morto, do que ser servido à moda do condado? Acredito que é uma bela homenagem.

Enfim, essa foi a história de como eu me esvai em lágrimas ao tentar preparar um coelho. Eu faria o coelho novamente, mas se alguém quiser cortá-lo para mim seria bem melhor.

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Nosso coelho, com batatas, à moda do condado!

 

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Marca Páginas – O Hobbit de J.R.R. Tolkien

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Já que é o assunto da semana vamos falar sobre O Hobbit!

“Inesperadamente, Bilbo Bolseiro, um hobbit de vida confortável e tranquila no Condado recebe a visita de 13 anões e Gandalf que o arrastam em uma jornada através das montanhas e das terras ermas enfretando trolls, orcs, wargs, elfos para o resgate de um tesouro muito bem guardado por Smaug, o dragão. Bilbo se vê em diversas confusões e encontra algo que mudaria não só sua vida como de toda Terra-Média.”

Sinceramente, acho que não é necessário vocês lerem o post de hoje, eu explico o porque. É porque, esta claro que eu vou ficar babando ovo né. Então pare por aqui e vá fazer um bolo.

Ok, você ainda não parou… tudo bem, darei uma segunda chance, vamos lá… quem sabe um pudim?

Como a vossa senhoria é persistente hein! Beleza, quer ler o que eu tenho pra falar de O Hobbit, então vamos lá.

O Hobbit é incrível, simplesmente. É uma leitura muito ágil e gostosa cheia de aventuras na Terra-Média e laços de amizade sendo formados, comidas diferentes, sair da zona de conforto, tudo aquilo que esperamos de uma boa viagem entre amigos, certo? Com a diferença de não enfrentamos orcs, trolls ou tendo que negociar com ursos e águias pelo caminho e infelizmente não nos encontramos com elfos.

Publicado originalmente em 21 de setembro de 1937 O Hobbit é um livro infantil. Siiim, queridos homelesses O Hobbit não foi pensado para adultos e sim para crianças, por isso a agilidade na leitura, mas, na boa, quem se importa com isso? O livro é muito bom e pode ser lido em qualquer idade, que não perde a magia.

Muitos aqui já devem ter lido O Senhor dos Anéis, muitos acharam chato (hereges) por ser muito descritivo, uma leitura pesada e as vezes até massante; para as pessoas que não gostaram de ler O Senhor dos Anéis mas se recusam a falar mal de Tolkien eu sugiro que dê uma lida em O Hobbit, isso porque o andamento da história de Bilbo é muito mais rápida e emocionante que a saga do anel com o Frodo. Aliás, o Bilbo é muito mais interessante e divertido que o Frodo, pelo menos na minha opinião.

Enquanto eu lia O Hobbit eu só fiquei meio de cara com uma coisa, e não tinha nada a ver com o livro, é só minha memória falha, o nome dos anões. É muito anão para lembrar o nome e são todos muito parecidos, mas isso é o de menos, você pode sempre voltar uma ou dias páginas e lembrar quem é quem.

Acho que todo mundo tem uma parte preferida em cada livro. Em O Hobbit uma das partes que achei mais interessantes foi quando Gandalf pediu hospedagem para todo mundo. Eu me diverti com a astúcia dele, em mandar a galera ir aparecendo aos poucos para não assustar o anfitrião; outra parte muito legal é o jogo de adivinhas entre Bilbo e Smeagol… teve umas que eu não adivinharia.

O primeiro livro que eu li de Tolkien foi O Senhor dos Anéis mas acredito que, se você ainda não leu nada dele e quer começar… e gostar mesmo, acho que deve começar a leitura por O Hobbit, depois Senhor dos Anéis, mas faça o que fizer não comece por O Silmarillion, você vai desistir nas primeiras páginas, se não tiver uma tradição anterior com Tolkien, mas porque eu recomendo iniciar por O Hobbit, é porque dessa forma você já vai conhecer os personagens, as ‘raças’ da Terra-Média e costumes já estarão mais claros na sua cabeça e você vai saber da onde o Um Anel surgiu e como foi parar nas mãos de um Bolseiro. O Hobbit é o início de tudo, por isso sugiro que comece a leitura por ele, além de ser super leve.

Muita gente, tem dito que três filme de O Hobbit é desperdício, só pra arrecadar dinheiro, a maioria das pessoas que fala isso não leu o livro. Eu acho que três filmes não é nenhum desperdício porque no livro, por mais que ele seja fino, acontece muita coisa, em duas páginas a história dá múltiplas reviravoltas por isso três filmes não é nem um pouco de exagero.

Se você não leu, corre que ainda da tempo de pedir de presente de Natal e com a certeza que será um dos melhores, senão o melhor, presente que você vai ganhar nesse 25 de dezembro!

 
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Publicado por em dezembro 18, 2012 em Livros, Uncategorized

 

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Marca Páginas – A Sangue Frio de Truman Capote

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Olá, queridos e queridas leitores e leitoras deste humilde blog.

Hoje como todos bem sabemos é dia de colocar um livro aqui, então vamos à obra de hoje: A Sangue Frio do Truman Capote!

“Um homem religioso, uma mãe depressiva, um adolescente, uma garota dona de casa, um cachorro amedrontado e dois ladrões frustrados. Esses e outros personagens são os ingredientes chave para o romance jornalístico A sangue frio, de Truman Capote. O livro é uma reportagem investigativa sobre o assassinato de quatro membros da família Clutter, o casal e seus dois filhos caçulas, ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos”

Hoje eu resolvi escrever sobre esse livro porque saiu uma notícia no G1 que uma policial norte-americana esta tentando reabrir o caso porque ela acredita que os dois cometeram mais assassinatos na viagem de volta para suas casas, ao que parece. Ela só esta esperando permissão para exumar os corpos dos assassinos, pelo que me lembro.

Como a própria sinopse nos informa o livro não é romanceado, tudo o que você lê é real o que é extremamente incômodo já que Capote narra acontecimentos violentos e bem assustadores ainda mais quando ele fala da frieza com que os assassinatos foram cometidos.

Uma das coisas que me chamou a atenção no livro é que em alguns momentos Capote parece tentar justificar os crimes, mas isso pode ser só impressão minha.

Esse livro de Capote é considerado uma obra prima por ser o primeiro do gênero do New Journalism, ou seja, um livro não-ficcional, relatando um fato jornalístico. Apesar de saber que é tudo real; por ser um livro, nós, como leitores, as vezes nos esquecemos desse detalhe e acabamos por achar que tudo aquilo não aconteceu, e é um soco no estômago toda vez que você lembra que aquelas pessoas foram realmente assassinadas e que a reação das pessoas da cidade foi aquela que Capote descreveu.

Dizem as más línguas que Capote teve um relacionamento amoroso com um dos assassinos e por isso a quantidade e qualidade das informações. Bom, isso não tem como eu comprovar para vocês mas o que se sabe é que Truman Capote chegou a pequena cidade de Holcomb, então com 270 habitantes, um mês após o ocorrido, depois de saber do crime lendo uma nota no jornal The New York Times e foi daí que deu inicio as investigações, com entrevistas à parentes e amigos, acesso a cartas, vídeos, fotos e documentos oficiais. Capote foi uma espécie de CSI solitário nesse caso. A primeira publicação dos relatos de Capote foram na revista The New Yorker que, com o último capítulo da série, bateu recordes de venda em 1965; o livro foi publicado em 1966.

Apesar de ser bastante violento, a principio, o livro é muito bom e dá pra se dizer, inteligente. Não ficou só na questão investigativa, dos assassinos, do crime em si; Capote compôs todo o cenário, com os amigos e parentes, com suspeitos e a reação de todo mundo. Uma das reações que achei mais bem feitas e interessantes foi a do namoradinho da Nancy. Na boa, ficou muito bem feito, Capote conseguiu captar e passar para os leitores toda a tristeza que o garoto estava sentindo e como ele lidou com isso.

Como em toda cidade pequena tem os e as fofoqueiras de plantão e são eles que, normalmente, tem informações sobre tudo Capote os incluiu no relato, tornando-o ainda mais interessante.

A parte mais longa do livro, pelo que me lembro, é a parte em que ele descreve a estadia dos criminosos na cadeia, seu julgamento e enforcamento. Foi também uma das partes em que mais prendi a respiração porque é aí que você entende a motivação dos dois assassinos. Conta também a história das famílias e os sacrifícios dos pais e a decepção deles ao saber dos crimes. É valido lembrar aqui que, após o enforcamento, nenhuma das famílias pediu direito sob os restos mortais e o dois criminosos foram enterrados como indigentes.

Enfim, o livro é ótimo e vale muito a pena ser lido. Não tem problema se durante a leitura você esquecer que são fatos reais contanto que lembre-se disso no final do livro, para que não fique reclamando que não teve mais assassinatos.

 
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Publicado por em dezembro 11, 2012 em Livros, Uncategorized

 

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Marca Páginas – Mapas do Acaso do Humberto Gessinger

mapas do acaso

“Hoje eu acordei mais cedo
Tomei sozinho o chimarrão
Procurei a noite na memória… procurei em vão…”

 

Éééé gente, hoje eu acordei bem mais cedo que o de costume, mas não tomei chimarrão nenhum não. Não sei, exatamente, o porque mas hoje eu acordei as 3:30 da madrugada e não conseguia mais dormir de jeito nenhum. Resolvi levantar e fazer algo útil: fiquei estudando.

Apesar de ter acordado super cedo, acordei, acho que feliz, ou com músicas na cabeça, entre elas “Like a Rolling Stone do Bob Dylan” etc. Já que hoje eu acordei meio musical resolvi dedicar o post do Caracol sem Teto para essa forma de demonstração artística: a música.

Escolhi, portanto, o livro Mapas do Acaso: 45 variações sobre um mesmo tema do Humberto Gessinger que é o antigo vocalista da banda Engenheiros do Hawaii e atual da banda Pouca Vogal.

“ Sem forçar a imaginação, vejo passar um alemãozinho. No Walkman, as pilhas gastas fazem a fita girar mais lenta e a música soar meio tom abaixo. Ele ouve o mesmo Jean Luc-Ponty, tocando Cosmic Message, que rola no meu iPod. (…) Sem forçar a imaginação, passo por mim mesmo. Estranho? Sim, o passado é tão estranho quanto o futuro era. Estranhos? Sim, mas, nos olhos, o mesmo olhar.”
Neste livro, Humberto Gessinger passa o passado a limpo, resgata momentos especiais da sua intimidade desde menino e conta novas velhas histórias dos Engenheiros do Hawaii, nunca antes publicadas. De Passo Fundo a Moscou, passando por “Esparta Alegre”, lembranças de um futuro que ele imaginava dão forma a essas linhas conduzidas pelos mapas do acaso. Para saber qualé a dele e da sua poesia, que é pura grandeza a partir de coisas simples, é só embarcar… e seguir viagem…”

Acredito que esse livro foi escrito para um público um pouco mais restrito; ao meu ver as pessoas que irão apreciar a leitura desse exemplar são aquelas que gostam de Engenheiros do Hawaii, do trabalho que eles fizeram mas, principalmente, pessoas que gostem do Humberto Gessinger.

Conheci alguns que leram esse livro, que tinham uma visão muito mágica do Gessinger, e mudaram de opinião sobre o músico; dizendo que ele parece esnobe e um pouco mal-educado. Não sei, não tive essa impressão, para mim ele pareceu direto, simplesmente.

Gessinger conta passagens do tempo dos Engenheiros do Hawaii e toca no assunto delicado do porque a banda se ‘desfez’. Ao contrário do que muitos imaginaram, em momento algum ele expõe seus ex-colegas ou denigre suas imagens; achei que ele foi extremamente profissional e cavalheiro, explicando para nós, leitores, o que tinha acontecido mas sem prejudicar aqueles que atuaram com ele nesse cenário musical.

Ao longo da leitura você vai descobrindo da onde vieram as ideias das letras, o porque de algumas delas, onde foram escritas e o contexto que foram escritas. Achei isso muito interessante, assim podemos entender melhor algumas passagens das músicas. Uma das minhas partes preferidas do livro é quando ele conta a passagem da banda por Moscou, não sei bem o porque mas eu gostei muito de ler sobre isso.

Sempre achei as músicas dos Engenheiros do Hawaii inteligentes e curiosas, eu, pelo menos, sempre pego alguns referência nas músicas; adoro quando pego referências de livros e filmes nas canções acho isso incrível, talvez, esse seja um dos principais motivos para eu adorar tanto essa banda. Mas o caso é que o livro é bom, é interessante, mas para aqueles que se interessem em saber a trajetória da banda e do Humberto Gessinger.
Porque essa elitização? Simples, alguém que não conheça os altos e baixos da banda ou que não conheça as músicas vai ficar completamente perdido quando ler esse livro, porque há, do começo ao fim, menções das músicas etc., inclusive, muitas vezes, são as músicas que explicam o que o autor quer dizer.

Se você está com vontade de fazer uma leitura musical eu sugiro Mapas do Acaso.

 
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Publicado por em dezembro 4, 2012 em Livros

 

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