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Laranjas

O ano está chegando ao fim e junto com ele a depressão de final de ciclo que, segundo um amigo muito estimado, é normal para qualquer pessoa. Ontem eu fiquei profundamente sentida ao perceber que semana que vem é natal mas a magia que eu sentia para com esta data acabou se perdendo com o passar dos anos e com as responsabilidades que foram sendo assumidas.

Eu sempre gostei do Natal: enfeitava a casa, arrumava a árvore, empacotava presentes e duas semanas antes eu vivia com um toca vermelha na cabeça. Infelizmente não tenho mais feito isso porque me parece que as pessoas a minha volta não se importam mais e, para mim, o natal não pode ser só meu ele precisa acontecer num todo.

Hoje eu tive a felicidade de comer uma laranja no café da manhã. Diferente das outras pessoas (acho), eu fico muito feliz ao comer laranjas. Aprendia a valorizar elas em março deste ano, durante o intercambio.

Enquanto eu estava fora do país conheci um Polonês, seu nome é Arthas; nós tentamos fazer um programa de Tandem. Uma vez por semana nós nos encontrávamos por duas horas e eu tentava ensinar um pouco de português e cultura brasileira para ele e, em troca, ele tentava me ensinar um pouco de polonês e da cultura polonesa.  Numa de nossas conversas eu estava explicando sobre as comemorações no Brasil e falei do Natal, falei das comidas, principalmente as que tem na minha casa e percebi que ele me olhava com olhos arregalados e curiosos. Quando parei de falar ele me perguntou se era sempre da mesma forma o Natal no Brasil e eu respondi que sim, pelo menos na minha casa, desde que me lembro. Então ele começou a falar que na Polônia era muito diferente, que eles não  ganhavam muitos presentes, que a ceia não é como a nossa e que era ainda mais diferente quando ele era criança.

Arthas tem cerca de 35 anos de idade isso significa que ele passou a infância numa Polônia comunista cheia de privações. Eu não tinha me tocado disso até ele falar: “ Como você sabe, até 1989 a Polônia era comunista e nós não podíamos ter nada que o governo não permitisse. Nós tínhamos o que tínhamos e só, não poderíamos simplesmente sair e comprar outras coisas, isso era proibido”

E foi com esse início que ele me contou uma das histórias mais marcantes que eu ouvi e que vou dividir com vocês agora.

“ Na minha casa nós não tínhamos geladeira. Era preciso entrar na lista de espera do governo e nosso número ainda não tinha sido chamado, então nossa carne tinha que ser conservada no sal e os demais alimentos precisavam ser frescos para não estragar, por sorte na Polônia é frio e minha mãe conseguia conservar os alimentos em baldes com gelo assim conseguíamos reaproveitar as comidas.  No Natal não era nem um pouco parecido com isso que você me contou do Brasil. Lá, nessa época, o governo permitia a entrada de produtos estrangeiros no país mas eles eram caríssimos. As famílias então compravam cestas de laranjas e davam umas as outras.”

Nesse momento eu interrompi sem acreditar: “ Laranjas? A fruta laranja?”

Ele calmamente falou “Sim, a fruta laranja” e retomou a história.

“ Elas davam laranjas porque era difícil encontrar, era um presente para a família toda e para nós, naquela época,

Laranjas enfeitadas com cravossimbolizava generosidade e demonstrava o quanto nos importávamos. Eu lembro de um Natal em que ganhamos uma cesta com seis laranjas. Minha mãe chamou eu e meus irmãos para nos reunirmos na mesa, ela, então, escolheu a laranja mais bonita do cesto e descascou, depois disso colocou em um pratinho e dividiu em 6 partes  – que era o número de pessoas na mesa – deixou todos no prato limpou as mãos e sorriu para nós, eu lembro que minha boca já estava cheia de água. Ela foi pegando de um em um pedaço e distribuindo entre eu meus irmãos e meu pai e sempre que entregava ela nos desejava feliz natal.

Eu lembro deste Natal porque foi a vez que todos tínhamos uma laranja no cesto.”

Foi a minha vez de olhar para ele com olhos arregalados e curiosos. Eu disse que não fazia ideia daquilo e que para mim isso parecia estranho. Ele me explicou, então, que durante o regime comunista eles foram privados de muita coisa e por isso eu achava tão estranho porque no Brasil não vivemos esse regime, como a Polônia, senão eu entenderia.

A partir deste dia eu nunca mais comi uma laranja do mesmo jeito.
Espero que vocês tenham gostado de saber dessa história que aconteceu comigo e espero que isso os faça pensar como me fez pensar.

Confesso que, assim que ele foi embora, eu fui até a geladeira e peguei uma laranja. Ela nunca me pareceu tão gostosa.

Boas Festas, homelessness!

 
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Publicado por em dezembro 17, 2013 em Uncategorized, Vida Besta

 

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O final

O sol brilhava como no mais perfeito dia de verão.  Não era um dia para se estar naquele lugar pensava ela… aquele dia fora feito para brincar de bola ou pular numa piscina e não para entrar num carro junto com sua mãe que iria dirigir até o único hospital da pequena cidade onde viviam.

Era só mais um dia, que diferença faria? Ela estava emburrada não tinha sido feita para frequentar lugares fechados e com pouca circulação de ar, pelo menos era isso que ela pensava sobre os hospitais apesar de estar sendo a primeira vez que ela entraria em um.

No meio da tarde a mãe grita mandando que ela pegasse alguns livros e gibis para levar até o hospital.

–       Por que meus livros? Por que meus gibis? – pensou ela, egoísta que só.

Percebendo a hesitação o pai a chama e fala, em seu ouvido, algumas palavras que jamais saberemos quais foram, mas que fez com que desmanchasse a cara feia e selecionasse alguns de seus melhores gibis para levar.

Entrou no carro como se estivesse a caminho de uma execução, a mãe dirigia lentamente na avenida principal o que só fazia sua tensão aumentar mais.  Chegando ao destino final ela saltou do carro, respirou fundo, recusou-se a pegar na mão da mãe para atravessar a rua e se dirigiu a porta principal do Hospital. Na recepção a mãe identificou-se e as duas entraram no prédio.

Enquanto caminhavam uma enfermeira dizia que,  caso se sentissem mal poderia retirar-se ou pedir ajuda a qualquer funcionário. Nossa protagonista sentiu-se ofendida com a oferta, afinal era apenas um hospital, e seguiu seu caminho com o nariz empinado.

Passaram por algumas alas espaçosas e com um agradável cheiro de desinfetante, mas, de repente,   o cenário mudou um pouco: os corredores estavam ficando mais estreitos, o ambiente mais escuro e o cheiro de desinfetante dava lugar a um cheiro doce, pútrido e bastante enjoativo. Ela continuou andando e, na metade do caminho, agarrou a mão da mãe que contava e apontava todos os lugares por onde tinha andado e o que tinha feito enquanto trabalhava naquele lugar.

As duas chegaram até a ala dos doentes. Haviam várias camas, separadas por cortinas; todas estavam ocupadas, as pessoas tossiam, respiravam com dificuldade e, acima de tudo, olhavam curiosas para elas. A menina começou a sentir-se nervosa e angustiada, agarrava ainda mais forte e mão da mãe e pedia para sair dali. A mãe fazia de conta que não escutava.

A enfermeira as levou até o leito onde havia um homem deitado, ele segurava o pescoço como se algo o incomodasse, tinha um cheiro ainda mais doce do que a sala que ela havia passado antes, estava coberto com um colcha branca e seu rosto tinha uma expressão de dor que só ela se sentia capaz de entender.

Seus olhos se encheram de lágrimas ao perceber quem era aquele homem, aquela figura debilitada, era irreconhecível para ela.

–       Vô! – dizia ela com a voz trêmula – vô… tudo bem? Trouxe uns gibis para você. Sei que gosta de ler, o senhor sempre me incentivou, achei que gostaria de ter algo para se distrair!

Ele sorriu e tentou, sem sucesso, dizer um muito obrigado. O estado deplorável de sua garganta só permitia que ele emitisse alguns curtos sons e muito obrigado não estava entre eles. Mesmo assim a menina sacudiu a cabeça como quem acaba de receber um cafuné, deixou o livros na mesinha ao lado da cama e segurou na mão do avô, apertou-a, com a força de quem já sabia que seria a última vez. A mãe conversou, por alguns minutos com o homem, algo como transferência e tratamento na capital, ele apenas concordava com tudo, acenando levemente a cabeça, enquanto isso a menina o olhava com os olhos cheios de lágrimas que produziam um mar espelhado por trás dos compridos cílios infantis. Quando a mãe chamou seu nome e disse que estavam de saída a menina foi até o lado da cama, pegou a mão do avô, apontando para os gibis, disse:

–       Agora eles são seus!

Ela despediu-se silenciosamente e voltou a agarrar a mão da mãe. Olhou para trás uma última vez e sentiu sua cabeça rodar, a visão ficou turva e os pés a traíam constantemente. Ela não queria acreditar que era seu avô, ele sempre carregava um gibi ou mesmo um livro na mão, ele disse que as histórias de faroeste eram sempre as melhores e que, apesar do bandido parecer mais ativo e até astuto, o mocinho sempre levava a melhor, ele dizia que o que vale no livro não é o final, o final é só um enfeite para não ficarem pontas soltas, dizia que o final dos livros, constantemente, limitavam a imaginação e criatividade do leitor, o importante do livro era a história, os personagens, as atitudes e, mais ainda, nós mesmos. O livro não existe sem o leitor, era isso que ele havia ensinado de mais valioso para a menina que andava agarrada a sua mãe pelos corredores do hospital.

–       Quando ele volta para casa, mãe? – perguntou, já sabendo a verdade.

–       Em breve, filha.

Mas a menina sabia que ele não voltaria, que aquela fora a última vez que ela tinha visto seus gibis e seu avô, sabia que era a última vez que ele veria os olhos que sempre a enxergaram como outra pessoa, como outra menina e em outra época.

 
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Publicado por em outubro 29, 2013 em Uncategorized, Vida Besta

 

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Latíbulo

Acordei sufocada. As mãos doloridas como se tivesse que fazer alguma coisa para que elas não explodissem, pulei da cama comecei a me mexer, arrumei a cama, lavei louça, limpei a casa, costurei roupas, fiz de tudo para manter minhas mãos ocupadas demais para que não doessem novamente… nada adiantava, elas continuavam doendo, tremendo e me atormentando.

Comecei a ficar preocupada, fiz massagem, busquei pomadas, cheguei ao ponto de ir no hospital. O médico disse que não havia nada a fazer, apenas esperar a dor passar, afinal, eu estava complemente normal;  com a saúde mais firme que barras de adamantium.

Meu desespero durou dois dias, depois disso começou a piorar. Minha cabeça incomodava, eu sentia enxaquecas insuportáveis e o  mundo começou a girar, girar, girar…. até se transformar no tapete almofadado, que mantenho impecavelmente limpo, na sala de minha casa. Não me lembro por quanto tempo eu dormi ( ou desmaiei, como preferir) só lembro de acordar e as dores perdurarem em meu corpo como se eu tivesse levado uma surra digna de filmes de heróis. Nesse momento minha língua tornou-se apenas um fiapo, como se alguma coisa tivesse diminuído suas qualidades, tomei litros de água e não sabia mais o que fazer.

Deitei no sofá e liguei a TV… pra que fui fazer uma coisa dessas? Meus órgãos pareceram se revoltar contra mim, eu sentia eles se deslocando e voltando rapidamente aos seus lugares para provocar cólicas. Meu cérebro parecia gelatina sendo transportada em cima de um trator ele parecia mexer e impedia que os pensamentos saíssem condizentes um com os outros.  Desliguei a TV e me arrastei até o quarto, lá eu fiquei por horas, apenas tentando entender o que estava acontecendo comigo, acabei adormecendo.

A campainha tocava, eu não queria me levantar para atender, o som parecia cada vez mais estridente, ainda assim resisti a vontade de mandar a pessoa que estaria a porta ir e só deixei que o som fosse abafado pelo mundo dos sonhos. Infelizmente a danada da campainha foi insistente e, contrariando todos os meus desejos de que ela tivesse estragado, tocou mais uma vez, e outra e mais outra… levantei.

Ao abrir a porta, a vizinha do sexto andar, olhava para mim com olhos cansados de quem já viu muita coisa nessa vida e que não espera ver muito mais. Ela, apoiada em sua bengala cor de sangue, simpaticamente, abriu um sorriso e me disse com toda a simplicidade do mundo:

–       Não se pode alimentar com qualquer coisa uma alma que é feita de palavras, minha querida.

Ela preparava-se para sair quando compreendi que não havia entendido absolutamente nada do que ela tinha falado, convidei para entrar, ofereci um chá…. coisas que ela, educadamente, recusou.

Desconheço  o verdadeiro motivo do porque a abracei e, chorando, pedi que me explicasse o significado de suas palavras (talvez, porque naqueles olhos cansados eu tenha visto uma esperança para minha situação, mas jamais saberei).

Como uma avó ela me acolheu no seu abraço e falava, incansavelmente:

–       Você só precisa de algumas palavras, meu amor. E eu sei que você vai encontra-las.

Soltou-me e futricou agilmente na sua bolsa cor de caramelo; de dentro dela tirou um pequeno dicionário e disse:

–       Talvez isso ajude-a a começar.

Eu me entreti com o dicionário, pelo que me pareceram alguns segundos, e esqueci de agradecer, quando dei por mim ela já havia ido embora.

A principio o dicionário me pareceu um souvenir estranho para se dar a alguém principalmente porque ele não era de uma língua só, nele haviam várias palavras de várias línguas e o significado de cada uma delas, expressões também faziam parte de seus verbetes, o que me deixou confusa em um primeiro momento mas não demorou muito para perceber que eu devia ler o pequeno presente.

Folheei o dicionário como se fosse o livro de aventura mais interessante que já li, fechei os olhos e, ao acaso, escolhi uma palavra. Ao ler a palavra latíbulo, que significa: esconderijo, retiro, lugar de segurança e conforto, dei conta, mais uma vez, de meu corpo e meus pensamentos. Eu não estava mais confusa e muito menos dolorida e foi então que compreendi o que a minha, simpática, vizinha do sexto andar quis dizer: Palavras!

Uma alma composta por palavras deve ser, sempre, alimentada com palavras, senão fica velha, carrancuda… sofre. Sofre os males que sofrem aqueles cujas palavras limitam-se a placas, avisos e legendas de TV.

Guardei meu dicionário, onde guardo as coisas importantes, e tratei de ir alimentar-me com as palavras que eu pudesse encontrar e, enfim, encontrei, nas páginas de um romance, perseguida por ogros e um leprechaun, o meu, agora tão estimado latíbulo.

 
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Publicado por em setembro 4, 2013 em Livros, Uncategorized, Vida Besta

 

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Coco au vin

Sei que, aparentemente, este blog esta sendo deixado de lado e bom, vocês até que tem razão, eu deixei de escrever aqui por um tempo considerável. Ainda não garanto periodicidade mas tentarei fazer com que as atualizações sejam mais frequentes.

Lembro que estou devendo para vocês a história do Coco au vin que experimentamos na França… bom, esta na hora de contar essa peripécia.

Eu e meus dois amigos decidimos que, pelo menos um dia, comeríamos muito bem… isso foi decidido no inicio da viagem, no entanto, as coisas foram se complicando e tivemos uns imprevistos e nossa grana encurtou. Para tanto tiramos, a principio, o “comer bem” dos objetivos principais.

Fomos visitar Versailles  e apresentamos nosso passaporte. Nosso visto era de um ano o que nos caracterizava moradores europeus e por isso nossa entrada no Palácio (que custaria 16EUR) saiu completamente de graça.  Já que a sorte soprou a nosso favor o “comer bem” entrou, novamente, na lista.

Encontramos um restaurante que servia, entrada, prato principal e sobremesa por 17EUR e decidimos por ele mesmo.

Eu já havia me decidido que iria comer Scargot e Crème brûlée e como prato principal escolhi pato ao molho de laranja.

Meus amigos foram escolher os seus respectivos pratos, o amigo 2 estava em dúvida sobre a entrada, aí eu, metida como de costume, escolhi o prato pra ele mas esse mesmo amigo quis se adiantar e pediu a bebida. Uma coca.

O garcom que estava com a cabeça nos pratos principais repetiu rapidamente

Coco au vin. Meu amigo não entendeu e então começou a bagunça. Eles não tinham ouvido a parte do “au vin” então meu outro amigo falou:  Coke… é a coca, pode pedir.
Eu com um pé atrás perguntei: Vocês tem certeza?

Amigo 1 – Aah é a coca sim, ela tava no celular nem ouviu, pode pedir cara, é isso mesmo
Amigo 2 – Oui, coke!

Eu: Gente, não sei não…. Mas tá bom.

 

Esperamos ansiosos por nossas comidas, chegou as entradas e foi uma alegria só, todas deliciosas.

Então era a vez dos pratos principais, a minha e do amigo 1 vieram certinhas, mas tivemos uma surpresa quando era a vez do amigo 2 . Ele havia pedido Pato, assim como eu , mas recebeu coco au vin.

Lembram da confusão com a coca? Então, o garçom achou que o menino estava mudando o prato principal e não pedindo a bebida então,no lugar do pato ele recebeu coco au vin. O problema é que esse meu amigo detesta o tipo de carne do coco au vin; carne com molhos e feita na panela não é bem o estilo dele o que fez com que comesse tudo que tinha no prato menos a carne.

Quando, já no fim do almoço, o garçom percebeu que o piá não tinha comido, chegou ao lado dele e começou a explicar a carne, o preparo etc. aproveitou o embalo e cortou toda a carne para ele, já que pensou que o motivo de não ter comido era por não saber cortar. Eu e meu outro amigo nos encaramos e começamos a rir um monte, enquanto viámos a cara de desespero que nosso amigo fez, como se pedisse socorro.

Ele nos olhava e falava: eu não gosto dessa carne, o que eu faço?

Sacaneamos o quanto a gente pode, falamos que ele teria que comer e tudo mais, mas aí ficamos com dó e, solidários, eu e o outro pegamos nossos garfos e, assim que o garçom virou, cada um espetou um pedaço de carne e comeu, para acabar de uma vez com o dilema da carne.

Chegou a vez da sobremesa e meu amigo estava tão desiludido com o almoço que falou que como eu acertei na entrada talvez acertasse na cobremesa também e deixou que eu escolhesse a sobremesa para ele.  Sem querer me gabar mas foi a melhor decisão que ele tomou, afinal escolhi uma torta de maçã transbordando de chantilly totalmente deliciosa o que, segundo ele, minhas escolhas foram a salvação do almoço!

 

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Voltei

Bom, já estava mais do que na hora de escrever para esse Blog novamente.

Hoje fazem 15 dias que estou de volta no Brasil e admito que a sensação de desembarcar aqui foi muito gostosa. Por todas as pessoas que passei, desde controle de passaporte, fui recebida com um sorriso.

Antes de contar como esta sendo os meus dias vamos voltar para quando eu estava em Lisboa.

Fiquei em um hostel por dois dias antes de voltar para o Brasil mas minhas malas ficaram na casa de um

No Castelo de São Jorge

No Castelo de São Jorge

amigo que me ajudou a chegar até o aeroporto. No penúltimo dia eu acabei não fazendo nada, era o dia que tínhamos voltado de Paris então só tomei um banho e fiquei no computador o resto do dia porque estava muito cansada. Meu último dia eu sai passear. Fui no Castelo de São Jorge, visitei a Torre de Ulisses, a pedido de um amigo meu, fui a Belém, comi mais um pastelzinho e passei, praticamente, o dia todo atrás de um Queijo da Serra da Estrela para trazer, para que meu namorado e família pudessem provar uma das 9 maravilhas gastronômicas de Portugal.

No dia 10 de julho, meu namorado as 5 da manhã em Lisboa (01:00h em Curitiba) me mandava infinitas dm’s  no twitter para que eu acordasse e não perdesse a hora de voltar para casa. Eu estava extremamente ansiosa então obviamente não perdi a hora. Levantei, tomei um banho e coloquei a roupa com a qual voltaria para o Brasil, peguei todas as minhas coisas no hostel e fui até a casa do meu amigo pegar minhas malas. As 06:20h da manhã o taxista com quem havíamos combinado estava na porta de casa para me pegar e levar até o aeroporto. Chegamos lá umas 06:40h fui até um guichê da Safe Bag e mandei enrolar minhas duas malas, depois disso me dirigi ao balcão da TAP e fiz meu check-in. Minhas duas malas, juntas, deram apenas 42kg… me achei super compacta quando vi isso e até recebi um elogio da moça da companhia aérea pela praticidade (haha).

Embarquei e meu voo decolou as 09:20h, infelizmente eu nem vi a decolagem eu simplesmente apaguei no meu assento e só acordei cerca de 2h depois… paciência.

O voo foi lento mas bem tranquilo e chegamos no Rio de Janeiro no horário correto. Teoricamente meu voo sairia as 21:45h do Rio e chegaria em Cwb as 23:06h maaaaas o que eu não esperava é que eles

Último dia em Lisboa: se eu perdesse o voo ia nadando!

Último dia em Lisboa: se eu perdesse o voo ia nadando!

cancelassem o voo das 21:45h e não me informassem disso quando eu fui tentar fazer o Check-in, resultado: deu merda. Perdi o voo das 19:40h para Cwb (novo voo) e se não houvesse outro teria que dormir por lá mesmo. Desesperada fui atrás dos funcionários da Gol e eles me deram uma desculpinha lixo o que me deixou extremamente revoltada. O suficiente para começar a dar “piti” no meio do aeroporto falando do descaso da companhia com o cliente. Nisso chega para resolver meu problema uma mulher muito bem educada que disse que daria um jeito; mais calma eu aguardei a solução prometida. Eram 20h e ela conseguiu me encaixar num voo da TAM das 20:30h; aí foi aquela correria pelo aeroporto para despachar mala pela TAM, fazer check-in, passagem nova etc. O problema foi que eles queriam que eu pagasse o excesso de bagagem; até fui na fila e tudo mas devido o horário chegou um policial agarrou meu braço e falou: Maia? Curitiba?. Fiz que sim com a cabeça e ele pediu para que eu o acompanhasse, fomos num guichê separado ele me entregou uma passagem, indicou onde era a entrada na segurança e disse:

–       Moça, dá uma corrida que só falta você no voo. Vou passar rádio para a segurança eles não vão te atrasar. Se tiver notebook avise onde está mas não precisa tirar.

Saí correndo pelo aeroporto até o local indicado e  quando cheguei uma moça me chamou e mandou eu colocar as coisas na esteira mas nem precisei tirar o computador. Só avisei onde estava e tudo bem. Ela apontou para onde eu deveria seguir e corri mais uma vez para o portão de embarque. Os funcionários que estavam lá mandaram eu seguir pela rampa que teria uma van esperando por mim, que me levaria até o avião. Corri, mais uma vez; cheguei na van e fomos para o avião, embarquei  e aí decolamos.

Não consegui avisar ninguém que chegaria antes então assim que pisei em Curitiba fui pegar minha bagagem mas antes, ainda, achei um telefone publico e liguei para meu pai, pedindo que ele avisasse minhas irmãs que eu já estava no aeroporto e tudo mais.

Meu bolo!

Meu bolo!

Fui para a entrada do aeroporto e fiquei esperando por eles lá (confesso que queria ter tido a sensação de eles esperando por mim na saída dos voos e tal maaaas não foi desta vez =/). Felizmente eles resolveram sair de casa um pouco antes e eu tive que esperar apenas uns 10 minutos. Obviamente que eles acharam que meu pai tava sacaneando e eu não tinha chegado coisa nenhuma, mas ainda bem que resolveram ir na entrada do aeroporto tirar a dúvida haha. Depois de abraçar todos pegamos minhas malas e fomos para o carro e, enfim, cheguei em casa.  Eles haviam preparado uma festinha de recepção para mim que achei a coisa mais fofa do mundo e tinha, inclusive, um bolo em formato de Pokebola!

Aconteceram muitas coisas nessas duas semanas,  desde minha chegada, algumas boas e outras péssimas, mas que não cabem nesse post e por isso o Caracol ficou um pouquinho desatualizado, peço desculpas.

Eu ainda não sei como farei com o Blog, espero poder retomar a rotina dele em breve mas não vou prometer isso, por enquanto.  Vou ir publicando nele coisas que eu ache interessantes e que eu acho que vocês vão gostar mas ainda não me decidi se mantenho as sessões anteriores ou se faço algumas mudanças por aqui… veremos.

Agora só me resta agradecer de coração o apoio que recebi de todo mundo e a torcida que andaram fazendo para que tudo desse certo. Obrigada por terem acompanhado minhas histórias e, desta forma, compartilhado uma experiência tão importante na minha vida.
Meu namorado, Lucas, em todas as viagens que fizemos ele disse que estava saindo para conhecer o mundo e deu um lema para essas ocasiões: Thata, de Bituruna, para o mundo.  Sim, foi para o mundo e foi ótimo ter conhecido tantas coisas, mas por mais que legal que tenha sido tudo, por mais que o mundo tenha, ainda, tanto a oferecer e mesmo eu me apaixonando por tantos lugares (e querendo voltar) there’s no place like home.

 

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