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Ritmo tardio

Tudo movia-se rápido demais, impossível de acompanhar com os olhos já abarrotados de informações anteriormente captadas, ainda assim, ela tentava, a todo custo, fazer parte daquilo. Um mundo frenético, ao qual ela parecia não pertencer.
As coisa que pareciam tão simples para as outras pessoas, simplesmente não faziam sentido em sua cabeça, as pessoas com quem se importava não lhe atribuíam o mesmo valor, as músicas, sabores e cheiros que lhe agradavam eram indiferentes a tantos outros. O mundo girava solitário e apático aos olhos de Sandra, haviam tantas coisas erradas, tantas pessoas que se projetavam para a ignorância e tanta gente que não dava valor ao que tinha, que ela, paulatinamente, decidiu que algo estava errado.
Sandra gostava de sentar-se nos bancos da praça e olhar o movimento da rua, as pessoas apressadas, falando em seus celulares com baterias fracas, os carros barulhentos e os animais irritadiços com tanta coisa acontecendo em volta.

As vezes a menina (que já estava mais para uma adulta sem rumo) sentava-se, propositalmente, perto de outras pessoas.

Gostar de ouvir a conversa alheia não é fazer fofoca, pensava Sandra, é mero interesse pelo íntimo humano.

Ela conheceu tanta gente assim… gente falsa, gente triste, ranzinza e, seu tipo favorito, gente esperançosa. Apesar de não parecer, a menina pensava e acreditava muito no futuro, ela almejava o futuro mais que qualquer outra coisa do mundo, sempre foi assim, desde criança. Sandra queria estar afrente de todos, desbravar o mundo, se decepcionar, inventar, sorrir e chorar no mesmo dia, criar novas expectativas e perder medos irracionais, Sandra queria, acima de tudo, viver, com todas as suas vantagens e desvantagens, mas, ali, ouvindo a conversa de estranhos na praça, Sandra encarava um lago espelhado que refletia sua própria mediocridade e que a estapeava, lembrando-a, que seus sonhos e desejos não deixam, agora, de ser poeira de estrelas. Ela não se lembrava quando é que tudo tinha mudado tão bruscamente, quando ela passou apenas a apreciar a esperança, no lugar de tê-la , e quando ela se tornou espectadora de sua própria existência.

Lágrimas borraram a maquiagem mal feita e sua boca torceu-se de uma forma feia, lamentando-se pela mesquinharia de sua própria vida. Desesperada, buscava desculpas, infindáveis, no cérebro (que ela pensava não ser capaz de usar), nenhuma das desculpas serviu. Ela viu-se responsável por sua própria miséria, pela própria flagelação de seu estado emocional e pela estaticidade total de seus sistemas de reação.

Sandra havia se perdido tão profundamente em sua negatividade que não tinha forças mais para retomar as rédeas de sua vida, mas, como só uma pessoa inconsolável é capaz de fazer, a menina negou tudo isso e colocou na cabeça que, dali em diante, tudo seria diferente, que ela iria mudar.

Em semanas, Sandra sentia-se melhor, estudava com mais afinco, lia mais e tinha, inclusive, seus momento de alegria, mas havia uma coisa com a qual ela não contava e que acaba com todos, a rapidez do mundo, conseguia desanimá-la.

A menina tentou lutar contra a força máxima do relógio, “No seu ritmo, no seu ritmo, no seu ritmo” repetia ela, num infinito bordão. Sabemos, no entanto, que o tempo é implacável e só permite o ritmo dele, aquilo que não acompanha é deixado para trás… Sandra, aos poucos, foi percebendo isso e desistindo, mais uma vez, dos sonhos agora impossíveis, das alegrias agora distantes, das pessoas que já não significavam nada e, devagarinho, sem perceber, como quem tira, distraidamente o chapéu para um cortejo desconhecido, Sandra esqueceu-se e desistiu de si mesma.

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Publicado por em agosto 1, 2014 em Uncategorized

 

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Mãe, não quero mais ir!

Saudações terráqueos, ou não, aliens também são bem vindos!

Vim narrar para vocês mais um episódio das minhas aventuras, ou melhor, desventuras a respeito da viagem.

Estamos na reta final. Só tenho, inteira, mais semana que vem e daí já embarco, vocês devem imaginar que eu tô empolgada e contando os segundos… só que não; tenho um monte de coisas para organizar, trabalhos para fazer, provas para estudar etc etc esses detalhes que incomodam.

Essa semana, principalmente, foi foda. Me vi completamente sozinha e desorientada, eu tive que tomar partido de tudo e não tinhwhy_so_alonea NINGUÉM para me ajudar, meus pais moram longe, então nem tinham o que fazer, profissionais que não queriam colaborar muito, pessoas sem tempo para ir comigo nos lugares e mais um monte de outras coisas que foi pesando, pesando, pesando, até que eu não aguentei mais e na terça-feira, quando minhas irmãs não estavam em casa, I failed; tranquei a porta do banheiro, sentei de baixo do chuveiro ligado e chorei, como se não houvesse amanhã e, pela primeira vez, depois que soube do intercambio, torci para que o mundo acabe no próximo dia 21/12.

Essa semana eu devo estar um porre de tão chata, só sei falar de documentos que tenho que providenciar, pagamento da bolsa que não sai, comprar algumas coisas que tenho que levar, que acabarão saindo meio caras, e como vou enfiar tudo isso na mala. Além, é claro, de estudar para as quatro provas que foram marcadas, tirar xerox de uns livros de última hora que me passaram e tentar terminar os trabalhos que me deram, um entreguei quinta e outro eu preciso terminar até quarta-feira. Tá complicado.

Infelizmente a minha total desanimação teve seus indícios semana passada, mas eram fracos demais para serem preocupantes; no sábado foi a primeira vez que eu fiquei desorientada e acabei perdendo a noção lógica das coisas, depois disso teve terça e acho que na quarta-feira, quando minha mãe me ligou eu disse:

Mãe, não quero mais ir viajar! Tá dando tudo errado, não quero mais ir.

Esse foi meu ápice de desanimação. O pior de tudo é saber que ninguém esta disposto a entender, na verdade, todas as pessoas com quem converso só sabem falar imperativamente, o que tem me deixado ainda mais puta da vida e desanimada, talvez isso seja um pouco de culpa minha também, porque pra conseguir alguma informação de mim é preciso um interrogatório primeiro. Ou talvez, eu esteja stressada e as atitudes comuns me parecem agressivas, agora (hipótese mais provável).

O fato é que estou completamente desanimada com a perspectiva da viagem.

stressPior que estar desanimada é que estou sem nenhuma paciência para nada o que tem feito eu ser chamada de grossa todos os dias mas, poxa, a pessoa não me ajuda em porcaria nenhuma e vem me encher o saco pra eu ouvir os problemas dela ou ver se a maquiagem tá bem feita…. aaah dá licença, tenho outras preocupações no momento e se não ajuda pelo menos que não atrapalhe.

Aaahwn, na boa, não sei se esse Intercambio veio no momento certo da minha vida. Não faço a menor ideia do que fazer depois da faculdade, estou infeliz comigo mesma por não estar dando conta das minhas metas e por outras coisinhas mais (que não quero falar), a falta de colaboração esta muito evidente e estou achando que não conseguirei aproveitar nada dessa viagem. Com a greve da UFPR atrasou todo o calendário e por isso meus professores me encheram de materiais para eu fazer a distância. Vai ser bom terminar o semestre? Vai, eu não iria nem optar por outra coisa, só acho que os conteúdos que me deram ficaram muito esparsos, alguns trabalhos só consigo finalizar depois que as aulas em Coimbra já tiverem começado e se é pra fazer uma coisa mal feita não vejo motivos do porque fazer, ainda assim vou tentar levar, se eu perceber que não darei conta, reprovo na disciplina e atraso um ano minha formação (que bosta).

Uma coisa que contribuiu para essa minha desanimação foi o meu Teste Oral de Inglês, o assunto era Planejamentos e no meio da conversa a professora perguntou sobre planejamentos futuros, minha colega (fizemos prova em duplas) começou a tagarelar e quando foi a minha vez percebi que não tenho nenhum plano legal para o futuro, todos eles são tão ridículos ou tão impossíveis e utópicos que me fizeram cair de cara no chão.

Eu não tenho nada de especial, sério, sou uma pessoa comum como qualquer outra, isso significa que a minha influência no mundo não é muito grande para que eu me sinta importante, ainda assim tenho alguns amigos, um, em especial, que desde o primeiro dia que o conheci, e depois do primeiro trabalho que apresentamos em sala ele disse para mim que acreditava muito no meu potencial e que eu tinha muitas coisas para realizar na vida; essa pessoa, super linda, estuda comigo e se chama Paulo, muitas coisas que fiz, ao longo do curso foram mais por incetivo deleplanos do que por vontade própria, em alguns momentos eu não estava com vontade nenhuma de fazer os trabalhos e pronta para sair da sala quando ele virava e me convidava como dupla; como ele sempre ‘acredita’ em mim e como gosto muito dele eu coloquei na minha cabeça que não posso desapontá-lo, então, mesmo morrendo de preguiça eu dava o melhor de mim porque sabia que se eu pisasse na bola a primeira pessoa, depois de mim, que eu decepcionaria seria ele e não consigo aceitar isso. Na verdade faço isso como todos que gosto… principalmente com aqueles que confiam em mim de alguma maneira, eu prefiro me decepcionar à decepcioná-los. Mas porque comecei a falar disso, bom, é porque, acho que, o único motivo pra eu não ter desistido da viagem é porque não quero decepcionar as pessoas que gosto, essas que estão me dando um suporte, que acreditam em mim (mesmo eu não o fazendo) e que não se cansam de me ouvir reclamando do mundo.

Na quarta quando falei com minha mãe, depois da frase lá de cima ela disse: Você não vai desistir agora! Fez tanta coisa pra conseguir… nesses trabalhos dá-se um jeito mas você não vai desistir.

Acho que foi a melhor ordem que ela já me deu. Ela sabe que mesmo que dê tudo errado lá, se eu desistir antes de tentar jamais vou me perdoar. Acredito que, antes de uma viagem longa, como essa que será a minha, e cheia de detalhes e problemas, qualquer pessoa desanima, mas não acredito que desistir seja a melhor opção. Um amigo, uma vez, me passou esse link, onde consta a Poderosa Lição do Ninja João, eu li esse texto umas três vezes essa semana, para levantar a cabeça, resolver os problemas, seguir em frente e ser melhor. Terei que ler mais vezes, ao que parece, mas isso não será sacrifício.

keep-calm-and-carry-onNão faço a menor ideia do que fazer, para me dar uma injeção de animo, definitiva, mas estou buscando alternativas; hoje (15/12) encontrarei alguns amigos no New York Café, a partir das 19:30 (apareçam, se quiserem), para uma ‘despedida’  quem sabe eu me anime mais com a galera reunida e tal. Ainda assim acho que uma das únicas coisas que mais quero, no momento, é voltar pra casa dos meus pais e deixar de pensar, um pouco, nos problemas da viagem.

Nem sei, ainda, o porque publiquei esse texto, acho que eu só precisava “por pra fora” e acho que porque queria que vocês soubessem que nem tudo esta sendo perfeito, que as quebradas de cara ainda não terminaram e que ainda preciso muito da torcida e apoio de vocês.

Minha frase de incentivo ultimamente tem sido: “A vida as vezes nos dá umas rasteiras, mas cabe a nós meter a mão na cara dela, só pra revidar, e mostrar que quem manda nela, somos nós”

Espero quebrar a mandíbula dessa sacana, fazendo com que dê tudo certo!

 

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Pipoca com Manteiga – Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas


Quando tinha oito anos, confinado em uma cama por causa de uma anomalia no crescimento, Edward passa o tempo lendo a Enciclopédia Mundial. O que mais lhe chama a atenção, em particular, é um artigo sobre o peixe-dourado, no qual ele aprende que “se um peixe-dourado é mantido num pequeno aquário ou compartimento, ele não crescerá. E que com mais espaço, este ser pode dobrar, triplicar e até mesmo quadruplicar seu tamanho”.

Dez anos mais tarde, depois de se tornar um dos jovens mais populares da cidade onde mora ele percebe que, tal como o peixe-dourado, para crescer ele terá de sair de casa e explorar o mundo. E, então, se inicia uma fantástica e mítica jornada.

Muitos anos e inúmeras aventuras depois, Bloom é conhecido como sendo um contador de histórias fabulosas sobre sua vida, rica em momentos incríveis.

Suas façanhas foram do encantador ao surreal, misturando sagas épicas sobre gigantes e lobisomens, unindo cantoras coreanas, uma bruxa de olho de vidro, uma cidade perdida, etc.

Mesmo nem tudo sendo verdadeiro Bloom continua a narrar as histórias porque, para ele, o que importa mesmo é a maneira como as coisas são contadas. Histórias que encantam todos, exceto seu filho Will, que também deixou sua casa mas, neste caso, para manter uma distância do pai. Quando Edward adoece e sua esposa, Sandra, tenta uni-los novamente, Will embarca numa jornada pessoal para tentar separar o mito da realidade sobre a vida de seu pai.

Não sei, exatamente, o porquê, mas sei que Peixe Grande do Tim Burton é uma das obras mais legais da sétima arte, na minha opinião.

Acho que o que me conquistou no filme foi a coragem de Ed, deixar tudo para trás para expandir seus horizontes, assim como ele não mediu esforços para conseguir aquilo que queria.
Edward Bloom foi, para mim
, um grande exemplo isso porque ele demonstra que a vida confortável na cidade, com popularidade, família e tudo o mais de facilidades não é o bastante; ou pelo menos não deveria ser.

Existe um mundo à nossa frente que precisa ser explorado. Um número inacreditável de pessoas legais para se conhecer e um número ainda maior de oportunidades para novas histórias e experiências, acho que essa vontade de experimentar de tudo um pouco foi o que me cativou no longa de Tim Burton
A briga entre Ed e Will pode até ser o ponto de partida da história mas, nem de longe, é o foco principal. O foco são as aventuras de Edward e como elas o influenciaram ao longo de sua trajetória; quantas pessoas é possível conhecer e como elas se tornam importantes pelos mais estranhos e pequenos motivos.

Uma das minhas partes preferidas é quando Ed chega em Spectre, a cidade do fim da vida, acho que o cara tocando banjo, na entrada, tem uma pequena influência sobre isso (haha). Mas não apenas pelo banjo, gostei de lá porque mostra que o ‘lugar perfeito’ depende de muita pouca coisa e o tédio as vezes acompanha-o; nos lembrando que, de vez em quando, uma ‘aventura’ com alguns infortúnios é uma opção bem melhor.

Outra coisa, muito importante, que aprendi com o filme foi: “nunca discuta religião, porque nunca se sabe quem você irá ofender”. As vezes é melhor deixar de lado, uma boa discussão, para preservar uma amizade.

O longa de Tim Burton conta, ainda, com uma deliciosa trilha sonora. Aliás, a música de abertura de Peixe Grande é a música de Edward Mãos de Tesoura, achei bem interessante essa, singela, homenagem aos fãs, visto que Burton conquistou muitos quando lançou Edward Mãos de Tesoura.

É claro que, mesmo eu gostando, Peixe Grande não esta isento de críticas e falhas; as vezes você se sente meio perdido na história e acaba pensando: Forrest Gump é um personagem bem melhor. Isso acontece porque Bloom não sofre dos problemas de Gump; nos apiedamos de Gump e suas ‘aventuras’ inocentes, coisa que não acontece com Bloom uma vez que, logo no inicio do filme, ele se declara um homem de grandes ambições e usa de todo o seu charme nas mais distintas situações.

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas é um bom filme para aqueles que, assim como eu, não se importam ou adoram o estilo excêntrico de Tim Burton e gostam de prestar atenção nos detalhes. Se você nunca assistiu Peixe Grande e vai assisti-lo agora, recomendo que tenha um olhar mais atento às referências sobre peixes, que surgem na trama, e não se preocupe se parecer estranho, elas farão sentido depois.

Algumas pessoas dizem que o nome, e o filme como um todo, é uma alusão às histórias de pescador, que ouvimos ao longo da vida, que são exageradas e contam vantagens. Pode até ser que seja mas, para mim, os causos de Peixe Grande são para nos mostrar que é possível ver magia nas coisas, apesar de tudo, e homenageia uma pessoa que fez ou faz parte da vida de todos nós, que molda a vida mais bela, alguém que, talvez, com sorte, nos tornemos: o contador de histórias.

 
1 comentário

Publicado por em agosto 2, 2012 em Filmes

 

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