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“Amai-vos como eu os amei”

10 fev

Uma das coisas que acho mais interessante nas religiões, e nisso leia-se crendice em qualquer tipo de Deus, é o fato de que todas elas tem (de alguma forma) um referencial bondoso e altruísta.
Hoje era pra ser só mais um dia comum na minha vida, com seus altos e baixos, normalmente mais baixos do que altos (hehe), mas uma certa sequencia de eventos fez com que o dia de hoje se diferenciasse de todos os outros de uma maneira muito trivial. Pela manhã a chuva deu o ar de sua graça aqui em BH e, de alguma forma, avisou que iria ficar por um tempo. A manhã correu normalmente, levantei cedo, fui para a aula, me perdi, miseravelmente, na matéria de Química Inorgânica e voltei para casa as 12:50.

Nada alarmante, nada novo até eu ir no mercado, por volta das 17:40h. Como qualquer outra pessoa eu não esperava nada ao ir no mercado num dia chuvoso em uma segunda feira mas aconteceu algo que, acredito, vou lembrar com carinho por muito tempo. Eu sai do mercado com uma mochila nas costas e umas cinco sacolinhas na mão. Nada estava pesado, nada era ‘sensível’ nenhuma das coisas que eu carregava precisava de atenção especial. Quando o sinal para pedestres ficou vermelho eu parei na beira da calçada e, assim como tantos outros pedestres eu estava esperando o sinal ficar verde novamente.

A chuva, que começara pela manhã, caia gelada sobre nossas cabeças, eu, pelas mãos ocupadas, não usava nenhum guarda-chuva e as gotas começavam a deixar minha camiseta num tom mais escuro do que realmente é. Olhei para o lado por cerca de três segundos e meus olhos se encontraram com um par de olhos azuis que se aproximaram rapidamente. Senti uma mão quente e gentil no meu braço e ouvi uma voz falando:

– Vem cá, querida. Eu te empresto um abrigo até o sinal abrir.

Uma mulher (nos seus 40 anos), com ruivos cabelos cacheados colocou o guarda-chuva dela me cobrindo e, achando que eu estava can-stock-photo_csp9346640com frio, passava a mão incessantemente pelo meu braço tentando gerar um pouco de atrito e, consequentemente, um pouco de calor. Nos poucos minutos que o semáforo ficou fechado ela falou para mim de como ela achava bonito ver a chuva cair, quando os raios de sol batem nas gotas dando a elas um tom prateado, e de como ela acha que a cidade esta ficando pequena demais para tantos arranha-céus construídos em prazos de semanas.

O sinal abriu e ela soltou meu braço, eu agradeci pela gentileza e, depois de atravessar a rua, parei, por alguns instantes para observar o seu guarda-chuva vermelho, que se afastava timidamente pela outra avenida (desejando, secretamente, que existam mais pessoas como ela). Andei as próximas quatro quadras até em casa pensando que não foi o gesto, de me oferecer o guarda chuva, que me marcou tanto e sim o que esse gesto significa.

Ela olhou pra mim na chuva e viu que eu precisava de ajuda, ela não julgou quem eu sou, se sou importante ou não, rica ou pobre, se fiz campanha pra alguém, entre tantas outras coisas que poderiam ter nos posto em polos diferentes de uma situação. A única coisa que importou para ela, naquele momento, foi que eu era um ser-humano, precisando de ajuda, enquanto que, ela viu nela mesma um outro ser-humano que podia oferecer ajuda.

Ela me ‘amou’ como semelhante, como mandam as religiões e isso mudou o meu dia.

O mais irônico dessa história e o motivo que me fez sorrir até chegar em casa foi que, na mochila, eu estava carregando uma jaqueta e um guarda-chuva. Nunca fiquei tão feliz por tê-los vilipendiado na saída do mercado.
Por causa dessa mulher, hoje, não importou quantos exercícios eu não consegui resolver nem quão estupida eu me senti na aula de Química, tão menos importante foi qualquer outra coisa que tenha dado errado, por causa da atitude dela, hoje, o meu dia foi ótimo.

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Publicado por em fevereiro 10, 2015 em Vida Besta

 

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